O secretário de Meio Ambiente do Pará, Mauro Ó de Almeida, fala sobre a política verde, enquanto, ao fundo, a Minerva Foods mostra sua cara. A empresa era dona dos 5 mil bois que foram para o fundo, no Porto de Barcarena, junto com o navio Haidar.

Para atingir as metas anunciadas pelo secretário de Meio Ambiente do Estado, Mauro Ó de Almeida, na Cop26, em Glasgow, Escócia, o Pará precisa fazer o dever de casa: desmatamento zero; recuperação de áreas degradadas; e redução das áreas de pastagens, até 2026. O secretário anunciou no último final de semana que, até 2026, o Pará será emissor líquido zero de gases de efeito estufa. A isso tudo se junta ao tal plano de “política verde” do governo Helder Barbalho que, curiosamente, só os representantes dos países ricos que participam da conferência conhecem. Sem querer ser presunçosa, a coluna não tem conhecimento de que qualquer ideia nesse sentido tenha sido encaminhada até agora à Assembleia Legislativa, isto é, os nobres deputados também não sabem.

Omelete sem quebrar ovo

O que chama atenção de ambientalistas no discurso do governo do Pará no Reino Unido é o envolvimento do próprio governo com setores da economia considerados contrários às metas exigidas para a redução de gases de efeito estufa: criadores de boi e apoiadores de grupos madeireiros. Além de ter sido eleito com apoio de frigoríficos, o governador Helder Barbalho conta na bancada federal quatro ou cinco parlamentares donos de grandes fazendas de gado – Cristiano Vale, Olival Marques, Paulo Bengtson e Beto Faro, sem falar na própria família Barbalho, proprietária de várias fazendas no nordeste do Pará. O senador Zequinha Marinho é tido e havido como apoiador de madeireiros.

Minerva Foods presente

Em um dos painéis da COP26 com a participação do secretário Mauro Ó de Almeida também chamaram as imagens publicitárias da Minerva Foods, ao fundo, empresa de alimentos que contabilizou lucro de mais de R$ 72 milhões no primeiro trimestre deste ano, em plena pandemia, com a comercialização de carne e exportação de boi vivo. A gigante brasileira, aliás, era dona da carga de 5 mil bois vivos que seriam exportados através do navio Haidar, mas acabou afundando no Porto de Barcarena. Acaso essa empresa concorda com redução das áreas de pastagens em território paraense? ( Ver vídeo acima).

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