O prédio alugado onde funciona a Escola Francisco Berton não recebe atenção da Seduc e causa transtornos à comunidade escolar diante da possibilidade de fechamento de turmas anunciada pela diretoria. Na outra ponta, a Secretaria se omite quanto à criação de Conselhos Escolares e à prestação de contas, quando poderia oferecer meios de apoio contábil e técnico às escolas/Agência Pará.

Corre pelos corredores da Escola Padre Francisco Berton, no Tapanã, a informação de que ao menos duas turmas podem fechar simplesmente por falta de carteiras. A escola é uma das mais importantes do bairro, mas, nos últimos anos, vem sofrendo com falta de investimentos por parte do governo estadual. Grande parte das salas de aula não possui ventiladores e muito menos ar-condicionado, assemelhando-se a estufas nos períodos mais quentes do ano – sem falar na quantidade de carapanãs que ronda o espaço. Como o prédio é alugado, parece receber pouca ou nenhuma atenção da Secretaria de Educação.

Prevenir para não remediar

A ameaça de fechar turmas por falta de carteiras está deixando a comunidade escolar preocupada porque irá implicar perda de alunos e de carga horária dos professores. Espera-se que o Berton não traga de volta os antigos alunos jacarés, que assistiam às aulas sentadas – ou deitados – no piso da escola porque não tinham onde se sentar. Para não dizer que a informação sobre o ressurgimento de alunos jacarés na escola do Tapanã é exagerada, a coluna garante: hoje, alunos se alimentam em pé, ou comem em sala de aula, sentados nas carteiras existentes. Assim, como desgraça só quer começo, fica o aviso.

Pecado da omissão: perda
de R$ 71 mi poderia ser evitada

Tecnicamente, a Secretaria de Educação do Estado não poderia ser responsabilizada pela falta de prestação de contas de escolas públicas beneficiadas pelo Programa Dinheiro Diretas na Escola, que oferece assistência financeira a instituições públicas da educação básica das redes estaduais, municipais e Distrito Federal, pois o dinheiro é enviado pelo MEC-FNDE direto para conta bancária do estabelecimento de ensino e só pode ser movimentado pelo Conselho Escolar ativo e em dia com as contas do ano anterior. 

Questão de boa vontade

Ocorre que, no Pará, boa parte dos Conselhos sequer foi eleita ou nomeada e empossada. O recurso, então, se acumula nas contas até que o FNDE solicite sua devolução por falta de uso, como aconteceu recentemente, em que R$ 71 milhões não aplicados no Pará tiveram que voltar ao caixa da União. A rigor, as comunidades escolares perderam por conta da má gestão escolar e – aí sim – da omissão da Seduc, que poderia perfeitamente formular meios de apoio técnico e contábil aos Conselhos Escolares para sanear contas e evitar que o dinheiro saia pelo ralo do descaso.

Papo Reto

Divulgação
  • O PT bate o martelo amanhã, em Belém, sobre a escolha do candidato do partido ao Senado, que está entre o senador Paulo Rocha (foto) e o deputado federal Beto Faro.
  • O que se diz é que, no voto, Paulo Rocha, detentor de vários mandatos e amigo de longa data do ex-presidente Lula, não tem chance contra Beto Faro, que teria apoio do governador Helder Barbalho.
  • Na ponta do lápis, portanto, Paulo Rocha teria apenas uma chance de ser o escolhido e de sair à reeleição: um acordo dentro do partido ou por interferência direta de Lula.
  • Nesse jogo, Beto Faro – não convém mais dizer que atendia pelo nome de Beto da Fetagri na primeira eleição – é pule de dez, gostem ou não os intelectuais do PT de antigamente.
  • Acontece a partir das 18 horas, hoje, no Teatro Maria Sylvia Nunes, na Estação das Docas, em Belém, a cerimônia de posse dos novos integrantes da diretoria da OAB no Pará.
  • Vale o mesmo para os dirigentes do Conselho Seccional, Escola Superior de Advocacia, Caixa de Assistência dos Advogados, Tribunal de Ética e Disciplina e comissões temáticas.
  • A Companhia Nacional de Abastecimento estima em 284,4 milhões de toneladas a safra de grãos em 2022, colheita 12,5% maior que no ano passado.
  • Projeto BR do Mar já está sancionado pelo presidente Bolsonaro e promete aquecer o escoamento da produção, ampliar a frota para a navegação e estimular o desenvolvimento da indústria naval.

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