Vila do Conde

Protesto gigantesco contra inação do Ibama
ameaça paralisar as operações no porto

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Dia 15 de setembro, de 2021, 12 horas

Uma situação potencialmente explosiva ameaça paralisar completamente as operações portuárias em Vila do Conde desde ontem, com risco de se estender para áreas adjacentes e até bloquear o tráfego na PA-150, a partir do Trevo do Peteca, que dá aceso de entrada e saída ao município de Barcarena e ao Porto de Vila do Conde. Trata-se de manifestação promovida por grupos de indústrias ligados ao setor florestal madeireiro, exportadores de madeira, caminhoneiros que fazem frete desses produtos e despachantes portuários. A manifestação, iniciada ontem, já reúne mais de 150 caminhoneiros que dificilmente poderão ser contidos à medida que não obtêm respostas às suas reivindicações. Ontem, por exemplo, eles ameaçavam tirar o protesto do quintal do governo para dentro da casa do governo, a capital. A situação é tensa e o aparelho do Estado pouco ou nada pode fazer.

Prejuízos de R$ 1,5 bi

Em comunicado prévio à Segup, os manifestantes apontam que o setor de exportação  de madeira legal não consegue exportar produtos florestais há mais de 90 dias devido à demora nas autorizações de exportação do Ibama. Eles também se queixam da cobrança abusiva de taxas portuárias  e da insegurança jurídica vivida pela integração de sistemas de controle do Ibama que  ameaça diretamente os usuários com a impossibilidade de comercializar. Os prejuízos já somam mais de R$ 1,5 bilhão. Cerca de 3 mil contêineres estão retidos no Porto de Vila do Conde à espera de autorizações de embarque.

Não dá as caras

Desde início da pandemia, as superintendências do Ibama em Belém e Santarém  desaceleram o ritmo e passaram a adotar o trabalho remoto. Hoje, apesar das medidas de flexibilização adotadas pelas autoridades sanitárias do Pará, o órgão de fiscalização federal segue na mesma batida. Desde o início da manifestação em Vila do Conde, não aparece um funcionário do órgão sequer, o mesmo acontecendo nas sedes das superintendências, que não atendem ninguém em nome da pandemia. A par disso, outras implicações de ordem do STF atropelam a atividade exportadora e o rebuliço está perigosamente formado.

Baía do Sol em pânico

Moradores da Baía do Sol, na Ilha de Mosqueiro, distrito de Belém pedem às autoridades policiais mais uma operação, como a de julho de 2018, para combater o tráfico de drogas e fechamento de bares que estimulam a violência na região. O assassinato brutal de uma moradora, com vários tiros, em agosto, aumentou ainda mais a intranquilidade. O tráfico de drogas voltou a tirar o sono dos moradores da Bucólica.

Área restrita

A orla da Baia do Sol é exclusiva para moradias e não é permitida a instalação de bares e barracas por ser considerada área de marinha. O primeiro bar que surgiu por lá foi fechado durante a operação de órgãos de segurança em 2018, mas, agora, três anos depois, outro bar passou a funcionar a área. A violência voltou e os traficantes de drogas, também.

Troca de tiros

O presidente Jair Bolsonaro pode até amenizar suas ofensas disparadas contra os ministros do Supremo Tribunal Federal, mas a recíproca parece longe de acontecer. O ministro Luís Barroso, além de mísseis, tanques e tropas tirou do baú um velho sucesso brega de Valdick Soriano e comentou nas redes sociais o que exalta no coração:  “Amigo/ Por favor leve esta carta/Entregue àquela  ingrata/E diga como estou”. Para bom entendedor, meio verso basta.

Protestes de rua

Dia 2 de outubro, data que marca o início da contagem de um ano para as eleições, foi escolhida para que os partidos de oposição a Bolsonaro promovam protesto de rua pelo impeachment do presidente, que poucos acreditam prosperar. Após o vexame do domingo passado, com o fracasso das passeatas promovidas pelos movimentos sociais reforçando que no Brasil política não é para amadores, vem aí o PT e demais partidos de esquerda, com a obrigação de fazer igual ou mais que os atos antibolsonaro.

Quem é quem

A avaliação geral, mas não definitiva, aponta que, caso o movimento seja retumbante, restará claro para a Nação que novamente Lula e Bolsonaro estão polarizando o eleitorado e dificilmente os demais candidatos terão chance de representar uma candidatura descolada dos partidos maiores e com chances de chegar ao segundo turno. A conferir. 

  • A teia de intrigas que culminou com a exoneração do filho do senador Paulo Rocha, Daniel Ganhen, da Secretaria de Meio Ambiente de Belém foi bem pior do que possa imaginar vossa vã filosofia.
  • Vá ver que, por conta disso, o prefeito Edmilson Rodrigues deu sinal verde para o ato final do secretário Sérgio Brazão que, de uma canetada só, além do filho do senador, mandou para o olho da rua a mãe dele – ex-mulher de Paulo Rocha Ruth Granhen – e mais dois servidores, um da área jurídica e a chefe de gabinete.
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  • A Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa promoveu reunião para tratar do avanço da Doença de Haff – ou da “urina preta” – no Pará. Finalmente, o presidente da Comissão, médico e deputado Jaques Neves (foto) resolveu sair da toca.
  • Explica-se: embora provocado pela coluna em diversas oportunidades, o parlamentar não deu um pio sobre as denúncias de desvios de recursos da saúde pela Máfia da OS ao longo de um ano.
  • O presidente Jair Bolsonaro afirmou ontem em evento que não há como acreditar no futuro do País sem entendimento com os Poderes Judiciário e Legislativo. Pois é.
  • Bolsonaro viaja aos Estados Unidos na próxima semana para a Assembleia Geral da ONU, onde tentará marcar guinada na política externa com o ministro Carlos França no Itamaraty.
  • A ideia de deflagrar uma cobrança pública da Petrobrás pela escalada de preços dos combustíveis partiu das lideranças do núcleo duro do Centrão, como o ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, e o presidente da Câmara, Arthur Lira.
  • O aumento do preço dos combustíveis tem corroído a imagem do governo nas pesquisas que chegam ao Palácio do Planalto. Hoje, o Senado deve votar hoje o projeto que cria o programa Gás para os Brasileiros.

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