Salinas: sem homologação da Anac, aeroporto de

R$ 15 milhões leva do nada para lugar nenhum

Inaugurado nesta sexta-feira pelo governador Helder Barbalho, o Aeroporto de Salinas está mais para pista de pouso (foto). Construído por empresa de propriedade do prefeito de Tucuruí, Alexandre Siqueira (MDB), com supervisão da Secretaria de Transporte, a obra custou não R$ 12 milhões, mas quase R$ 15 milhões, por conta de um aditivo pelo qual a pista prevista no projeto original passaria de 1,5 mil m para 2 mil m, mas não levou em conta as adequações técnicas correspondentes. O comando da Aeronáutica até solicitou os documentos necessários à homologação à Setran, mas não obteve resposta. Resultado: o aeródromo até agora não foi – e dificilmente será – homologado pela Anac.   

Fora dos padrões

Especialistas ouvidos pela coluna avaliam que a obra foi executada sem controle tecnológico e fora dos padrões. Projetada para receber aeronaves de médio porte (peso médio de 40 t), seria um aeroporto Classe 2. Com o projeto da pista alterado de 1,5 mil m para 2 mil m, ao custo de R$ 2,8 milhões, atenderia aeronaves maiores, mas sequer chegou aos 2 mil metros (1,8 m), embora o valor tenha sido pago. Ainda assim, manteve as medidas de largura, acostamento, área de segurança, pista de taxiamento e terminal de passageiros do projeto original, além do piso, que não é de brita, segundo manda a regra.

Passa boi

Com quatro estabelecimentos comerciais operando na exportação de carne bovina para a China desde 2019 – verdade seja dita: graças aos esforços da ministra de Agricultura, Tereza Cristina Dias -, o Pará tenta agora habilitar mais sete frigoríficos, de olho no mercado dos Estados Unidos, Chile e Rússia. Na mesma pisada, estão em curso negociações para ampliar o mercado para a produção paraense – contemplando fazendas e frigoríficos da região de Paragominas – para o Japão, Coreia do Sul e Indonésia.

De cima para baixo

O superintendente federal de Agricultura no Pará perdeu o lugar. Luiz Paulo de Oliveira era indicação da Faepa. Especula-se que sua exoneração faça parte de ampla composição política que apontaria para dois sentidos em um: acomodar interesses do deputado Nilson Pinto, que irá lançar sua mulher, Lena, candidata à Câmara Federal, ao passo em que também acomoda o coronel da reserva da PM Alfredo Verdelho, marido da prefeita de Ponta de Pedras, Consuelo Casto, recentemente sacado da Secretaria de Pesca do Estado.

Sintonia fina

Engane-se quem pensa que Luiz Paulo Oliveira não era alinhado com os interesses do deputado Nilson Pinto; ou que a Faepa não foi ouvida, nem cheirada nesse xadrez político. O ajuste teve sintonia fina – sem esquecer que Lena, mulher de Nilson Pinto, e Daniella Barbalho, mulher do governador Helder Barbalho são consideradas “unha e carne”.

Chá de sumiço

Parece implicância, mas, a gestão Alberto Teixeira na Delegacia-Geral da Polícia Civil do Pará parece mais um “buraco negro”. Agora mesmo, a Polícia procura seis compressores de ar utilizados no sistema de refrigeração desaparecidos misteriosamente da Delegacia-Geral. Os equipamentos pesam cada um 500 quilos, mas ninguém sabe informar o paradeiro e não consta nenhum documento de saída do material.  A Inteligência, a Corregedoria e a Diretoria de Combate à Corrupção funcionam no mesmo prédio.

Contaminação

O Ministério Público do Pará promoveu verdadeira devassa no Laboratório Central do Estado. Descobriu até servidora da portaria em cargo comissionado, supostamente sob a chancela do diretor Alberto Júnior, indicado para o cargo pelo deputado, médico e… empresário Wanderlan Quaresma. Explica-se o “empresário”: Wanderlan, do MDB, é dono de laboratório particular e concorrente direto do Laboratório do Estado.

Dinheiro farto

É tanto dinheiro correndo por trás dos panos na mineração ilegal nas regiões sudeste e oeste do Pará que não surpreende que malas cheias de dinheiro sejam encontradas com os envolvidos. Mais que isso, paralelamente à corrupção, a pistolagem protege os infratores e apavora pessoas de bem que ousem enfrentar a bandidagem – e as mortes de proprietários de áreas de mineração, invasões e extorsões se sucedem sem controle.

Mãos atadas

A reforma penal comandada pelo então ministro da Justiça Sérgio Moro impossibilita o juiz criminal de decretar de ofício – vontade própria – a chamada prisão preventiva. Hoje, esse é considerado por especialistas um dos maiores absurdos no Judiciário, medida que “diminui” o juiz criminal independente. Sabendo-se que Polícia e Ministério Público são órgãos, infelizmente, muito politizados, fica difícil ver “apadrinhados da cúpula” na cadeia.

  • A Piraí Holding, empresa do Grupo Sefer, é uma das maiores locadoras de imóveis para o Banpará. Está aí o Diário Oficial do Estado para não deixar ninguém mentir.
  • Produtores de gado bovino da região de Paragominas fazem figa pela habilitação de frigoríficos da região para exportações para os EUA, Chile e Rússia.
  • Eles abastecem alguns dos sete frigoríficos do Pará que se candidataram a integrar o negócio, através de negociações conduzidas pelo Ministério da Agricultura.
  • Muito estranhas as constantes renovações da nomeação do delegado federal Rômulo Rodovalho Gomes para responder pela Secretaria de Saúde do Pará.
  • E é mais quem se pergunta qual seria o motivo da não efetivação dele na Secretaria. Respostas para a coluna, por favor.
Divulgação
  • Depois de “uma chuva” como titular da Seel e, exonerado, ter passado uns dias cuidando da pesca, como diretor da Sedap, o “coringa” bispo Arlindo Silva (foto) está sendo cogitado para novo secretário de Segurança de Ananindeua.
  • Como se vê, o PRB do deputado Fábio Freitas não brinca em serviço. Ou, como dizem observadores da cena política paraense, “tem mesmo poder universal”.
  • Cavalo sem serventia abandonado pelo dono “animal” perambula ao longo da rodovia Artur Bernardes, próximo do Terminal de Miramar, atrapalhando o trânsito e com risco de ser atropelado.
  • A OAB impetrou mandado de segurança na Justiça Federal contra a portaria do “general” Jarbas Vasconcelos que suspendeu por 30 dias o direito de visitas a detentos e o direito de entrevista com advogados.
  • Marcado para 11 de agosto, em Belém, o workshop “Agricultura Tropical”, promovido pela Adesg no Pará, com o palestrante Alysson Paulinelli.
  • Ex-ministro do governo Geisel, Paulinelli é Prêmio Nobel de Alimentação, proposto pela ONU, por tornar o Brasil o maior produtor e exportador de grãos do mundo ao criar e implantar os Centros de Pesquisas em Agricultura.

Deixe o seu comentário