Edição Extra

Principal rodovia do Pará vira pista de dança,

a “dança do pedágio”, com direito a passe livre

Domingo, 18 de julho de 2021

Enquanto a Promotoria Militar do MP se preocupa com a “dancinha da policial”, os agentes da Polícia Rodoviária Estadual fazem os caminhoneiros que transitam na PA-150 dançarem a “dança do pedágio”, cobrança institucionalizada, tabelada, organizada e de conhecimento de todos – inclusive com caminhões utilizando adesivos de “passe livre”, como é o caso dos transportadores de minério extraído ilegalmente no sul do Estado (foto). Detalhe: O Ministério Público nem precisa investigar: bastar vistoriar os postos da PRE para constatar que os pátios estão vazios, quer dizer, com zero apreensão.

Transporte ilegal…

De 2019 a 2021 houve crescimento acelerado na exploração e transporte de minério de manganês no Pará, apesar do esforço da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal, que têm feito apreensões seguidas. Ocorre que os órgãos estaduais não fiscalizam e ainda por cima dão proteção ao transporte ilegal do minério. Assim, as estradas do Pará viraram terra da mãe Joana. Ninguém faz nada e o crime joga solto, especialmente na PA-150. 

Mas, bem protegido

Nos últimos tempos tem acontecido de tudo Pará, mas, o que se viu na última semana na PA-150 supera o imaginável. Como as balanças de pesagem instaladas na rodovia passaram a funcionar 24 horas, guarnições da PRE “assumiram” a escolta de caminhões carregados de minérios através de vicinais para evitar a fiscalização oficial. Em um dos postos, militares e agentes do Detran quase saíram no tapa. Em tempo: a Segup já tem câmeras corporais disponíveis para equipar os agentes da Polícia Rodoviária Estadual?

Cronologia macabra

Os constantes e planejados ataques do Comando Vermelho aos policiais penais do Pará começaram desde 2020, com a execução de três agentes. Somente neste ano, oito servidores da Secretaria de Administração Penitenciária foram mortos: seis policiais penais, motorista de escolta e policial militar cedido à Secretaria. O balanço macabro inclui nove policiais penais feridos, totalizando 17 casos entre mortos e feridos – e o governo não dá voz ao silêncio das vítimas e parece ter se se esquecido de convocar a Força Nacional.

Barata tonta

A aparente desorganização da Inteligência e do planejamento de Segurança Pública sugere que o aparato policial do Estado não sabe o que fazer para encerrar a onda de atentados, acreditando já ter tentado de tudo: suspensão de visitas e orientação aos policiais e, supostamente, até um estranho e inédito acordo com a cúpula da organização, segundo áudios fartamente mostrados nas redes sociais e veículos da imprensa paraense Veja o áudio abaixo, sobre o dramático pedido de socorro de uma das vítimas de ataques em Belém (Notícias do Pará).

Contra a parede

Há um ano, o governo anunciou investimentos em Inteligência policial, comprou equipamentos de interceptação de telefones, e-mails e redes sociais, mas, até agora, não logrou êxito nem mostrou a eficácia desses equipamentos para monitorar o crime. Na outra ponta, o CV mapeou e monitora os policiais penais da Grande Belém com facilidade, faz ameaças constantes por meio de “salves” e coloca a Segurança Pública em xeque.

Grampolândia é aqui

O Ministério Público do Amazonas proibiu a Secretaria de Segurança Pública do Estado do Amazonas de operar o Sistema Guardião, por impedimento legal. No Pará, onde tudo é possível, até a Polícia Militar tem Guardião, adquirido pela Secretaria de Segurança Pública em 2020, junto à empresa Dígitro, sem licitação. Como uma coisa puxa a outra, segundo observa a sabedoria popular, não é incorreto dizer que o Pará virou uma grampolândia, onde o Ministério Público aceita tudo o que o governo faz, sem tugir, nem mugir.

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