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A cada dois meses, 94 árvores são
derrubadas por minuto no Xingu

A Bacia do Xingu apresentou as piores taxas de desmatamento para um primeiro semestre dos últimos três anos: a destruição atingiu área equivalente a duas vezes o município de Recife, capital de Pernambuco, ou 92.104 hectares de floresta. Os dados foram divulgados na última quinta pelo Boletim Sirad-X, da Rede Xingu,

Em maio e junho, o aumento foi de 35% em relação ao mesmo período do ano passado e confirmam um cenário catastrófico para o ano. Março e abril já tinham indicado essa tendência, mesmo no período chuvoso, quando as invasões tendem a diminuir.

 A maior parte do desmatamento aconteceu na porção paraense (76%) da bacia, que cruza os Estados do Pará e Mato Grosso. O mais alarmante é que o crescimento aconteceu, no interior das Terras Indígenas da região, onde qualquer desmatamento é ilegal. O aumento foi de 201%, puxado pelas invasões nas Terras Indígenas Apyterewa, Trincheira-Bacajá e Cachoeira Seca, na zona de influência da Hidrelétrica de Belo Monte.

A maior parte desse desmatamento é consequência das atividades de grileiros, que derrubam a floresta para abrir fazendas e se apropriarem indevidamente de terras públicas. A mineração também é responsável por grande parte da destruição.

Essas terras indígenas fazem parte da área dos municípios de Altamira e São Félix do Xingu, que foram campeões de desmatamento na Amazônia. Por consequência, são os que mais emitem CO2 – o principal gás do efeito estufa – no País. Transformar florestas em pasto também está reduzindo o regime de chuvas e impulsionando a seca na região. Estudos já comprovaram que a diminuição das florestas pode causar a redução das vazões dos rios em seu entorno e prejudicar o desempenho de hidrelétricas.

 O desmatamento nas unidades de conservação da bacia também subiu neste bimestre, com mais de 18,1 mil ha de derrubada, 65% a mais que em maio e junho de 2020. A maior parte, 79%, está concentrada na APA Triunfo do Xingu. Em maio e junho, a APA perdeu 14.426 ha de floresta, numa velocidade de 94 árvores por minuto. O desmatamento nessa UC pressiona as áreas protegidas vizinhas como Terra do Meio e o Parque Nacional da Serra do Pardo, ambas Unidades de Conservação de Proteção Integral.

Além do Pará – No Estado de Mato Grosso, Peixoto de Azevedo foi o município que mais desmatou, com 2.305 ha destruídos. A maior parte (2.111 ha) ocorreu em duas grandes áreas vizinhas, próximas ao limite sul da Terra Indígena Menkragnoti. Ao todo, foram 10.815 ha derrubados em todo o Estado em maio e junho.

Em 2015, o Mato Grosso havia se comprometido a zerar o desmatamento ilegal até 2020 na Convenção do Clima em Paris (COP-21). O Estado, inclusive, captou recursos com base nessas metas que, como mostra o boletim, não foram cumpridas.

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