A série histórica de 2012 a 2021 aponta que arrecadação passou de R$ 2,39 bilhões para R$ 3,64 bilhões (54%), enquanto na cidade de Recife, saltou 230%, passando de R$ 1,84 bilhão em 2012 para R$ 4,26 bilhões no ano passado/Fotos: Divulgação.

Por José Croelhas

Quem ignora o fato de que as necessidades das populações das cidades tendem a crescer infinitamente é ruim da cabeça ou doente do pé… O incremento populacional, geralmente desordenado, associado a fatores e eventos naturais e o êxodo rural, entre outros motivos impactam diretamente nas demandas ao poder público, que tem a imperiosa responsabilidade de construir meios e ferramentas capazes de atender aos anseios da sociedade.

Entra governo, sai governo e Belém não consegue se livrar de seus velhos e sofríveis gargalos: trânsito caótico, transporte público caro e ruim, unidades de saúde lotadas, alagamentos sem fim, lixo por todos os lados, gestões distritais obsoletas… Discursos e escolhas ideológicas à parte, o que pode estar por trás de tamanho círculo vicioso do atraso na “Velha Morena”?

É fato que nenhum gestor consegue realizar, construir obras e desenvolver políticas públicas eficazes sem dinheiro. Mas a missão de governar carrega a necessidade de prover os meios suficientes para uma gestão fiscalmente equilibrada, eficaz e responsável.

A propósito, um rápido giro no mapa de arrecadação da cidade de Belém nos últimos dez anos, comparada ao desempenho de outras quatro cidades (Fortaleza, São Luís, Recife e Salvador) revela pistas do quanto a capital paraense acabou atropelada pelo trem do avanço.

Como no futebol, Série C

Se olharmos a série histórica de 2012 a 2021, constata-se que a arrecadação de Belém passou de R$ 2,39 bilhões para R$ 3,64 bilhões, ou seja, cravou modesta variação de 54% em uma década inteira, período em que até a pandemia veio para atrapalhar a já complicada vida dos belenenses.

O montante pode até parecer dinheiro bastante, porém, o escabroso custo de manutenção de uma folha de pagamentos que não para de inchar acabou anulando todo o poder de compra do orçamento.

Comparativamente, a cidade de Fortaleza, que em 2012 já arrecadava R$ 4,67 bilhões, movimentou R$ 9,01 bilhões, ou seja, um acréscimo de 92% na receita corrente. São Luís do Maranhão saltou de R$ 1,16 bilhão para R$ 2,56 bilhões no período, variação de 120% de receita própria.  Recife não fica por baixo, pois teve sua arrecadação aumentada em estratosféricos 230%, passando de R$ 1,84 bilhão em 2012 para R$ 4,26 bilhões no ano passado. Finalmente, a cidade de Salvador teve a sua receita incrementada em 130%, passando de R$ 3,07 bilhões para R$ 7,24 bilhões de receita.

Uma dose de inveja branca

Ressalte-se que, bem ou mal, todas elas, ao contrário de Belém, experimentaram algum tipo de movimentos de ajuste fiscal com vistas a melhorar suas capacidades de investimento – além da industrialização, impulsionada por incentivos fiscais; da modernização do aparato (sistema de informática) tributário; da rapidez no trâmite de processos e agilidade nas execuções fiscais; da ampliação e o fortalecimento da rigorosa fiscalização dos serviços dos bancos, locadoras de veículos, cartórios e outros prestadores, pontos cruciais que induziram o  incremento significativo na arrecadação, facilitando o poder dos gestores em preparar suas cidades para o futuro.

Não há como não sentir certa invejosos.

Papo Reto

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  • O prefeito Raimundão, de Bragança, roubou a cena durante a visita do governador Helder Barbalho, ontem, para a inauguração da reconstrução de uma ponte de 25 metros, dentro da cidade, construída no governo Almir Gabriel.  
  • Os 25 metros de asneiras e agressões despejadas pelo prefeito contra a deputada Nilse Pinheiro não pagaram nem o constrangimento do governador diante da cena deprimente.
  • Aviso aos incautos: não convém bajular ex-companheiros, no trabalho e na política, com livro de lembranças. Também é constrangedor.
  • Ouvido de um sábio depois da minuciosa leitura – e interpretação – de uma das edições da coluna no Dia de Corpus Christie, remetendo a Shakespeare: “A autodestruição do poder sempre começa na alcova”.
  • Os reincidentes alagamentos da rua Pariquis com Alcindo Cacela viraram tema do clip lançado pelo cantor Renan Malato (foto). A maluquice mostra o próprio Renan surfando no alagamento. Vale a pena ver.
  • Até 2025, o Pará precisará qualificar 162,6 mil pessoas em ocupações industriais, segundo o Mapa do Trabalho Industrial 2022-2025, elaborado pelo Observatório Nacional da Indústria. 
  • A construção civil é a que mais vai demandar mão de obra qualificada, e o Senai, o principal formador de profissionais para o segmento. O tema foi destaque no JL2, da TV Liberal.
  • A produção de motocicletas tem melhor resultado em sete anos. As vendas no varejo subiram 25,6% no acumulado do ano, totalizando 515.724 unidades comercializadas. 

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