Sábado 9 e domingo 10 de janeiro

Coronavírus

Com qual vacina? Imunização já.

Divulgação

Pedro Vasconcelos*

As vacinas, ao longo da história da humanidade têm salvado a vida de centenas de milhões de pessoas, bem como evitado as sequelas de doenças com evolução grave, como a poliomielite e meningite meningocócica, para ficar nesses exemplos. Portanto, com a emergência da doença causada pelo novo coronavírus associado à Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS-CoV2), denominada Covid-19, ficou clara a necessidade de desenvolvimento de uma vacina para tentar diminuir a incidência da pandemia. Foi fantástica a resposta das grandes corporações e de novas empresas de biotecnologia na utilização de novas abordagens tecnológicas para o desenvolvimento de vacinas contra a Covid-19.

Diversas abordagens tecnológicas foram usadas para o desenvolvimento de vacinas, incluindo a clássica plataforma usando vírus inativados (= vírus mortos ou não infecciosos), que é a vacina Coronavac, passando por plataformas baseadas em vetor viral para vacinar com um fragmento de DNA (vacina da Oxford-Astrazeneca), usando a proteína de envelope conhecida como Spike (vacina Sputinik), até a inédita plataforma de RNA mensageiro (mRNA), representada pelas vacinas da Pfizer e da Moderna. Existem muitas outras abordagens para tentar a vacina ideal, mas com o mesmo objetivo, que é impedir a expansão da pandemia mediante a imunização da população. Portanto, imunizar importa, e qualquer das vacinas ofertadas pode ser utilizada.

Qual a melhor vacina? Ou melhor, qual a vacina ideal? Seria a vacina que com uma única dose imunizasse a pessoa, mas todas as vacinas atualmente disponíveis e em uso em muitos países utilizam duas doses, sendo que as vacinas de mRNA, aparentemente, têm sido apresentadas como as de maior proteção (95% de eficácia), com o inconveniente de necessitar de uma rede de frio de ultrabaixa temperatura (-70° C) para preservar.  Quaisquer das vacinas disponíveis podem ser e estão sendo utilizadas. Em alguns países como os EUA, mais de uma vacina têm sido usada para vacinar a população, o mesmo tem sido visto no Reino Unido, e deve ocorrer também o mesmo aqui no Brasil.

Não existe nenhuma dúvida de que é preciso imunizar a população mundial o mais rápido possível e, no caso do Brasil, o segundo país com maior número de casos (cerca de 8 milhões) e de óbitos (quase 200.000 mortes) durante a pandemia, os números são impactantes e mostram que a vacinação imediata deve ser a única alternativa que pode não somente frear a expansão da pandemia, mas encerrar a ocorrência de casos no Brasil se as vacinas forem usadas de forma racional e seguindo um plano adequado priorizando os grupos mais expostos (profissionais da saúde e segurança ) e mais vulneráveis (idosos e portadores condições imunodepressão).

 Uma palavra final sobre as vacinas que tem salvado vidas há mais de 200 anos: a varíola foi a primeira doença que dispôs de uma vacina e é a única doença erradicada do planeta, e a humanidade se encaminha para a erradicação dos três poliovírus causadores da poliomielite. No caso da Covid-19, a única esperança para salvar vidas, já que todos os medicamentos propostos e testados (cloroquina, antibióticos, etc.) se mostraram ineficazes e sem efeito sobre a evolução da doença, o que é frustrante e decepcionante. Somente a vacinação vai salvar vidas, além, é claro, dos esforços médicos no tratamento de suporte dos casos graves.

*Pedro Vasconcelos é infectologista, ex-diretor do Instituto Evandro Chagas e professor da Uepa, em Belém.

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