Águas do Yangtzé e do Amazonas se encontram neste recital, que une culturas, lendas e histórias por meio da música
Belém, PA - Celebrando o Ano Cultural Brasil–China 2026, a soprano Marília Vargas e o violonista Fábio Zanon iniciam a etapa brasileira da turnê “Do Yangtzé ao Amazonas”, após uma bem-sucedida passagem, entre 23 de abril e 2 de maio, por palcos históricos de Xangai, Hangzhou, Pequim e Chongqing. Com entrada gratuita e a participação especial da soprano chinesa Yu Xi, os concertos chegam ao Rio de Janeiro, a Brasília, Belém e São Paulo. O repertório conta com algumas novidades para o público brasileiro, além do programa levado à China, dando continuidade ao intercâmbio cultural entre os países.
Rio de Janeiro (RJ): Sala Cecília Meireles | 28 de setembro, às 19h
Brasília (DF): Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB Brasília) | 29 de setembro, às 20h
Belém (PA): Theatro da Paz | 01 de outubro, às 20h
São Paulo (SP): Cultura Artística | 03 de outubro, às 20h
A conexão simbólica entre o Yangtzé e o Amazonas - rios que evocam as identidades culturais da China e do Brasil - inspira o repertório e promove o encontro entre esses dois universos por meio da música. O programa reúne obras de compositores brasileiros como Heitor Villa-Lobos, Waldemar Henrique, Chiquinha Gonzaga, Francisco Mignone e Marco Pereira, além de canções chinesas que celebram o Yangtzé, a pátria e a memória afetiva do país.
As apresentações ganham uma dimensão visual com projeções que costuram os cenários do Yangtzé e do Amazonas, unindo o Oriente e o Ocidente sob as metáforas universais da água e da lua.
Com uma relação de longa data com a cultura chinesa, Marília Vargas e Fábio Zanon aprofundam, nesta turnê, esse diálogo artístico e cultural. Durante a passagem por Pequim, dividiram o palco com cantores da Ópera Nacional da China. Na etapa brasileira, recebem como convidada a soprano chinesa Yu Xi.
“Depois da experiência tão emocionante que vivemos na China, é uma alegria trazer ao público brasileiro este encontro promovido pelo Ano Cultural Brasil–China”, afirma Marília Vargas. “Nossos países têm culturas muito diferentes, mas igualmente ricas, e nossos povos compartilham um profundo amor pela música. Dar continuidade à construção dessas pontes e estreitar nossa amizade por meio dessa linguagem universal é não apenas uma alegria imensa, mas também uma honra”, reforça a cantora.
Para Fábio Zanon, o próprio repertório traduz o encontro entre os dois países. “O programa reúne obras ligadas à bacia amazônica, como as composições de Villa-Lobos e Waldemar Henrique, e canções que evocam a força dos rios chineses. Será um prazer compartilhar com o público brasileiro esse diálogo musical entre universos musicais tão singulares, comenta o violonista.
Pablo Castellar, idealizador e diretor artístico da turnê, explica que o projeto nasceu da convicção de que a música chega aonde os discursos não alcançam. “Podemos ler sobre a China, ver imagens e assistir a documentários - e, ainda assim, não sentir verdadeiramente o país. Em sua etapa brasileira, a turnê convida o público a se aproximar da cultura chinesa por meio da música, uma linguagem que não apenas descreve uma emoção, mas é capaz de provocá-la.”
“Neste momento histórico das relações entre Brasil e China, celebrado no Ano Cultural Brasil–China 2026, queremos traduzir esse encontro em arte - não de forma ilustrativa ou protocolar, mas com profundidade e beleza reais. Marília Vargas e Fábio Zanon são os artistas certos para isso: trazem excelência, história, afeto e credibilidade construídos ao longo de anos de relação com a cultura chinesa”, completa Castellar.
A turnê integra a programação do Ano Cultural Brasil–China 2026, iniciativa que abrange diversas áreas culturais e resulta de acordos diplomáticos entre os dois países. O projeto conta com patrocínio da CNOOC Petroleum Brasil, por meio da Lei Rouanet, e realização da Artemundi Produções Culturais e do Ministério da Cultura.
PROGRAMA
Com inclusão de algumas novidades, o mesmo programa apresentado na China será levado agora ao público brasileiro:
HEITOR VILLA-LOBOS (1887–1959)
Floresta do Amazonas — quatro canções: “Veleiros”, “Cair da tarde”, “Canção de amor” e “Melodia sentimental” (14’)
Estudo nº 11 para violão solo (4’20’’)
QING ZHU 青主 (1893–1959)
我住长江头 (Wǒ zhù Chángjiāng tóu) — “Eu vivo à fonte do Yangtzé” (3’)
WANG LUOBIN 王洛宾 (1913–1996)
在那遥远的地方 (Zài nà yáoyuǎn de dìfāng) — “Naquele lugar distante” (4’)
HEITOR VILLA-LOBOS (1887–1959)
Bachianas brasileiras nº 5 — “Cantilena” (6’)
LIU CHI 刘炽 (1921–1998)
我的祖国 (Wǒ de zǔguó) — “Minha pátria” — tema do filme A batalha da colina 175 (1956) (1’45’’)
FRANCISCO MIGNONE (1897–1986)
Estudo nº 9 para violão solo (5’15’’)
MARCO PEREIRA (1950)
Bate-Coxa para violão solo (4’18’’)
TRADICIONAL CHINÊS
Molihua
WALDEMAR HENRIQUE(1905–1995)
Lendas Amazônicas — quatro canções: “Foi Boto, Sinhá”, “Uirapuru”, “Tamba-Tajá” e “Boi-Bumbá” (10’)
CHIQUINHA GONZAGA(1847–1935)
Lua Branca (3’)
ZHENG QIUFENG 郑秋枫 (1928–2009)
我爱你,中国 (Wǒ ài nǐ, Zhōngguó) — “Eu te amo, China” (5’)
Sobre os músicos
Marília Vargas (soprano)
É reconhecida como uma das intérpretes mais ativas e respeitadas de sua geração. Em 2025, a cantora celebrou mais de duas décadas de diálogo artístico com a cultura da China, sendo a única soprano brasileira com esse perfil de imersão genuína na música e na língua chinesas. Em 2024, cantou diante dos presidentes Xi Jinping e Luiz Inácio Lula da Silva, no Palácio da Alvorada, em Brasília.
O vídeo da apresentação viralizou na China e alcançou milhões de visualizações.
Formada em Canto Barroco pela Schola Cantorum Basiliensis, na Basileia, Suíça, e em Lied e Oratório pelo Conservatório de Zurique, estudou com Montserrat Figueras, Christoph Prégardien e Barbara Bonney.
Foi premiada nos concursos Bidu Sayão, Maria Callas e Margherite Meyer. Já se apresentou em palcos internacionais como o Wiener Konzerthaus, o Konzerthaus Berlin, o Théâtre Royal de Versailles, o Gran Teatre del Liceu de Barcelona, o National Centre for the Performing Arts, em Pequim, e o Helsinki Music Centre.
Possui mais de 20 álbuns gravados, com destaque para Nossos espíritos livres, vencedor do Prêmio Concerto 2021 de Melhor CD pela escolha do público. É também professora de canto na EMESP Tom Jobim, em São Paulo.
Fábio Zanon, violonista
É um dos músicos brasileiros de maior projeção internacional. Foi duas vezes indicado ao Grammy Latino® e venceu dois dos principais concursos mundiais dedicados ao instrumento: o Guitar Foundation of America, nos Estados Unidos, e o Francisco Tárrega, na Espanha, ambos em 1996.
Já se apresentou em mais de 50 países, em salas como Carnegie Hall, em Nova York; Royal Festival Hall, em Londres; Philharmonie, em Berlim; e Concertgebouw, em Amsterdã. Professor visitante da Royal Academy of Music de Londres desde 2009, é Fellow da instituição desde 2014 e recebeu, em 2023, o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Nacional de Rosário, na Argentina.
Foi coordenador artístico-pedagógico do Festival Internacional de Inverno de Campos do Jordão entre 2013 e 2025. Sua conexão com a China se aprofundou nos últimos anos. Em 2024, apresentou-se no National Centre for the Performing Arts, em Pequim, ao lado da Orquestra NCPA da China, com um repertório que se estendia de Villa-Lobos a Baden Powell.
Yu Xi, soprano - participação especial
É uma cantora chinesa radicada no Brasil, dedicada à difusão da música tradicional e erudita chinesa em diálogo com a cultura brasileira. Tem participado de concertos que celebram o intercâmbio cultural entre os dois países, apresentando repertório em mandarim ao lado de orquestras brasileiras.
Entre suas participações recentes, destacam-se o concerto Sinfonia das Lanternas, em celebração ao Dia Nacional da China, com a Orquestra Sinfônica Juvenil Chiquinha Gonzaga, e o Festival da Primavera 2026, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, como convidada da Orquestra Forte de Copacabana. Também integrou o espetáculo Sons do Oriente, na Sala Cecília Meireles, dedicado ao repertório de países asiáticos. Sua atuação tem contribuído para fortalecer os laços culturais entre Brasil e China por meio da música.
Pablo Castellar é diretor-presidente da Artemundi Produções Culturais. De julho de 2011 a março de 2019, ocupou o cargo de diretor artístico da Fundação Orquestra Sinfônica Brasileira, onde lançou oito temporadas, com mais de 400 programas, muitos deles incluídos entre os melhores concertos do ano pelo jornal O Globo.
Trabalhou com importantes instituições, entre elas os teatros municipais de São Paulo e do Rio de Janeiro, a Sala Cecília Meireles, a Funarte, o Instituto Moreira Salles, o Centro Cultural Banco do Brasil e a Caixa Cultural. Produziu óperas, séries de concertos, shows, CDs, DVDs, longas-metragens, festivais de teatro e música, circuitos musicais nacionais e eventos de difusão da cultura brasileira no exterior
Serviço
Data 01 de outubro - 20 horas
Theatro da Paz (BELÉM)
Capacidade: 900 lugares
Entrada gratuita
Endereço:Avenida da Paz, Praça da República, S/N - Campina - Belém – PA
Ingressos: devem ser retirados na bilheteria 2 horas antes da apresentação.
Duração total: aproximadamente 75 minutos, sem intervalo.
Foto: Divulgação
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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