Governador chora na entrega de mais um equipamento público em Altamira; ciclo estadual chega ao fim com incertezas.
governador Helder Barbalho deixou escapar mais que emoção na entrega da 26ª Usina da Paz, em Altamira. As lágrimas, que renderam memes e críticas, carregam um dado menos visível: a consciência de que o ciclo no Executivo estadual se aproxima do fim - e de que o dia seguinte, apesar das certezas, ainda é uma incógnita.

Nos bastidores, a leitura é direta. Helder teria assumido sozinho o risco de bancar o nome da vice-governadora Hana Ghassan como sucessora. Agora, encontra-se numa espécie de “compromisso irreversível”: precisa levá-la até o fim, mesmo com o cenário longe da tranquilidade inicialmente projetada.
Há quem enxergue um déjà vu incômodo. Em 1994, Jader Barbalho, paiu dele, deixou o governo para disputar o Senado e venceu - mas não conseguiu fazer o sucessor. A derrota abriu espaço para o domínio do PSDB no Estado e afastou o grupo político dos Barbalho do Palácio por duas décadas.
Helder caminha para o Senado em situação confortável, mesmo diante de adversários competitivos como Zequinha Marinho, Celso Sabino e Éder Mauro. O problema não é a eleição dele - é o que fica.
A disputa pelo governo já não se organiza mais no eixo clássico entre direita e esquerda. O campo está dividido entre continuidade e rejeição: de um lado, o projeto governista com Hana; de outro, o discurso consolidado do “anti-barbalhismo”, que ganha corpo e encontrou nome competitivo na oposição.
O partido Republicanos entra no jogo com exigências e musculatura eleitoral. Com os prazos eleitorais apertando, Helder intensificou as articulações. Em agendas recentes em Brasília e São Paulo, avançou nas tratativas com o partido, em uma aliança que passa também pela estrutura da Igreja Universal do Reino de Deus.
O apoio, porém, tem preço político. A direção nacional da sigla quer o engajamento direto do governador na montagem de uma chapa forte para a Câmara Federal. Entre os nomes, destaque para Evandro Garla, atual secretário de Justiça e presidente do partido no Estado.
Garla entra na disputa com um ativo relevante: o voto organizado da igreja, estimado em uma base inicial robusta. Não por acaso, Helder, familiares e a própria Hana passaram a marcar presença em agendas religiosas estratégicas, como a programação da Semana Santa da denominação.
A chapa ainda ganha densidade com nomes como Manoel Pioneiro, ampliando o alcance eleitoral do grupo.
Na disputa por uma vaga na Assembleia Legislativa, a região do Xingu virou terreno de alta tensão. Figuras tradicionais, como Eraldo Pimenta e Ozório Juvenil, enfrentam um adversário que cresce fora do roteiro habitual.
A primeira-dama de Altamira, Paola Abucater, ampliou seu raio de atuação e já opera politicamente para além do Xingu. Sua pré-campanha avança por municípios estratégicos como Belém, Bragança e Marabá, indicando estrutura e ambição de voto estadualizado.
Helder Barbalho chega forte onde sempre quis chegar - o Senado. Mas, como a história política do Pará já ensinou, sair do governo eleito não garante controle sobre o que vem depois. E, desta vez, o risco não é apenas perder a sucessão. É assistir, mais uma vez, à reorganização completa do tabuleiro.

·A deputada federal Renilce Nicodemos (foto), do MDB, foi indiciada pela Polícia Federal e denunciada pelo Ministério Público do Pará por porte ilegal de arma de fogo em episódio, em outubro de 2023.
·Ela é acusada de tentar embarcar com uma pistola na bagagem, no Aeroporto Internacional de Belém, mesmo estando com o porte vencido por quase três anos.
·Os promotores afirmam que Renilce portava a arma e foi flagrada em situação que configura o crime de porte ilegal de arma de fogo.
·A pistola Taurus calibre .380, acompanhada de 24 munições, foi apreendida, mas ela afirmou que não tinha intenção de embarcar armada e que havia esquecido a arma na bolsa que usa habitualmente.
·O inquérito chegou a ser encaminhado ao STF, mas permaneceu na Justiça do Pará por não ter relação com o mandato da parlamentar.
·A Rede Sustentabilidade entrou no radar de quem faz conta - e conta bem - na montagem de chapas proporcionais.
·Com listas mais enxutas e equilibradas, a sigla reduz a canibalização interna e abre espaço para o chamado “candidato médio”, aquele que transita na faixa de 30 a 50 mil votos.
·É o abrigo ideal para quem não decola nas grandes legendas, mas também não aceita o papel de figurante. Diferente dos partidos inchados, onde esse perfil se dilui, aqui ele ganha densidade eleitoral.
·Os votos tendem a se distribuir com menos distorção, premiando quem chega com base real, ainda que sem estrelato.
·No pacote, dois bônus: a federação com o Partido Socialismo e Liberdade melhora a chance de bater o quociente eleitoral; e o tom progressista sem arroubos amplia a zona de conforto de candidatos que fogem de rótulos mais duros.
·Resultado: uma equação que começa a fechar para quem joga com régua e compasso.
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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