Isaac Sidney

Pesquisa/Febraban

Brasileiro quer vacina e

encara 2021 com cautela

Divulgação

Otimismo é o que não falta: população se diz preparada para novos desafios. O estudo pontua as expectativas do brasileiro com relação ao Novo Ano, a consciência sobre a segunda onda da pandemia na Europa e a chegada da vacina e destaca o espírito esperançoso de que “não há mal que sempre dure, nem bem que nunca se acabe”.

Depois de nove meses em quarentena, a maioria da população brasileira diz que vai se vacinar contra o coronavírus, assim que a vacina ela estiver disponível: 64% pretendem se vacinar com certeza; 24% poderão se vacinar; e apenas 8% dizem que com certeza não tomarão a vacina. Ainda assim, a opinião sobre a obrigatoriedade da vacina divide os brasileiros: 49% são a favor e 49%, contra.

A pesquisa mostra que o brasileiro está otimista em relação à sua situação pessoal em 2021, acreditando que sua vida vai melhorar. No entanto, a maioria da população ainda mostra apreensão quanto à economia do País. Os brasileiros apontam a crise econômica (57%) e o aumento do desemprego (45%) como os principais problemas que o Brasil enfrentará em 2021. A pandemia ainda permanece no horizonte de inquietações (29%).

Mesmo com os efeitos da crise causada pela pandemia, prevalece a expectativa de melhora a curto e médio prazo: mais de 40% esperam recuperação das finanças familiares ainda no ano que vem, e 39% acreditam na recuperação para depois de 2021.

Essas são algumas das principais revelações da quinta edição do Observatório Febraban -Pesquisa Febraban-Ipespe, Destaques de 2020: Expectativas para 2021, feita entre os dias 22 e 30 de novembro com 3 mil entrevistados acima de 18 anos em todas as regiões do País. O estudo ouviu a população sobre o impacto da crise na vida das famílias, quais os segmentos e as personalidades que mais contribuíram para o enfrentamento da crise do coronavírus, o aumento da bancarização, a confiança nas instituições bancárias, as expectativas para o próximo ano e a vacinação.

“O Observatório mostra que brasileiro está otimista em relação a sua vida pessoal para 2021, mas que tem os pés no chão, já que a pandemia continua e a maioria acredita que a plena recuperação da economia nacional só acontecerá após o próximo ano”, diz Isaac Sidney, presidente da Febraban (foto), sobre o que a pesquisa revela.

O levantamento mostra que a confiança nas diversas instituições está em alta, sendo que os bancos tiveram um papel especial nesse processo. Em questões espontâneas e múltiplas sobre empresas e marcas que mais contribuíram com doações e ações de enfrentamento à pandemia, quatro das cinco primeiras menções se referem a bancos. “O papel e a solidariedade do setor bancário brasileiro durante esta pandemia são um feito e um fato, e a população reconheceu isso na pesquisa”, diz Isaac.

Para o cientista político e sociólogo Antonio Lavareda, presidente do Conselho Científico do Ipespe, o ano de 2021 chegará com muitos desafios, sendo os principais deles o enfrentamento da crise econômica, o combate ao desemprego e a superação da nova fase da pandemia. “Mas, sem dúvida, encontrará uma sociedade mais madura e consciente da necessidade de enfrentar seus problemas com a responsabilidade compartilhada entre todos os atores: sociais, econômicos e políticos”, diz Lavareda.

A pesquisa é parte de uma série de medidas da Febraban para ampliar a aproximação dos bancos com a população e a economia real, de forma cada vez mais transparente. Veja:

  •  Impactos – Ao final do ano de 2020, a grande maioria das famílias brasileiras se diz afetada financeiramente pela crise do coronavírus (61%): 31% muito afetadas, e 30% afetadas. Apenas 12% consideram que a situação financeira da família não foi afetada, e 26% teriam sofrido pouco impacto da crise. O impacto da crise sobre as finanças familiares se traduz na expectativa majoritária de redução dos gastos no Natal, em comparação com o ano passado: 77% planejam gastar menos, contra apenas 5% de expectativa de aumento de gastos e 16% de repetição do Natal de 2019.
  •  Recuperação – A expectativa de melhora a curto e médio prazo prevalece: mais de 40% esperam recuperação das finanças familiares ainda no ano que vem e 39% acreditam na recuperação mais dilatada, após 2021. Os pessimistas (“não vai se recuperar”) representam apenas 4% dos brasileiros.
  •  Expectativas – As expectativas positivas no plano pessoal aumentam as boas expectativas do brasileiro: 15% se sentem muito otimistas e 37%, otimistas. Em clima de cautela estão 26% dos brasileiros (nem otimistas, nem pessimistas), enquanto os pessimistas e muito pessimistas somam 18%. Esse otimismo cresce com o aumento da renda e da escolaridade, e é muito acentuado entre os moradores da região Norte do país (61%).
  •  Poupança – Se as expectativas positivas se confirmarem, e sobrar dinheiro no orçamento, os entrevistados têm disposição para poupar e investir: poupança e outros investimentos bancários chegam a 69% de menções. Há um crescimento em relação à pesquisa de julho, quando apenas 37% tinham a expectativa de investir sobras do orçamento doméstico em poupança e investimentos bancários.
  •  Sobras – Outra expectativa para 2021 é, se possível, reformar ou comprar um imóvel (42%). Já a intenção de investimento na compra de carro ou moto subiu de 10% de julho para 19%. A pretensão de investir em cursos e melhoria da Educação da família aumentou de 16% para 27% em dezembro.
  •  Economia – A percepção de impacto da crise do coronavírus sobre a economia brasileira é significativa: chega a 92% o percentual dos que consideram que a economia brasileira foi muito afetada (72%) ou afetada (20%). Prevalece a percepção de dificuldade para a saída da crise. Dois terços (66%) imaginam que a recuperação da economia brasileira só acontecerá depois de 2021.
  •  Problemas – Os brasileiros apontam a crise econômica (57%) e o aumento do desemprego (45%) como os principais problemas que o Brasil enfrentará em 2021. A pandemia ainda permanece no horizonte de inquietações (29%). As dificuldades na área da Educação figuram no radar de preocupações de apenas um quinto dos brasileiros (21%). Outros problemas de Saúde (15%), aumento da violência (11%) e queimadas/desmatamento (9%) aparecem como problemas desafiadores com citações inferiores a 20%.
  •  Melhoria – De modo geral, as expectativas para o desempenho de áreas específicas da economia em 2021 mostram que os brasileiros mantêm o otimismo. 55% acreditam na melhora da oferta de emprego (29%) ou que fique na mesma (26%); 64% apostam que o acesso ao crédito irá aumentar (24%) ou permanecer como está (40%). A expectativa é menos favorável quanto ao poder de compra das pessoas (47%), sendo que 18% indicam melhoria e 29% que irá se manter. Quanto à inflação/custo de vida, 31% acham que irá melhorar (13%) ou ficar na mesma (18%). Sobre os juros (34%), 11% afirmam que irá melhorar e 23% que irá ficar igual.
  •  Segunda onda e o Natal – É expressivo o conhecimento sobre a segunda onda de Covid-19 na Europa (92%), assim como elevada a expectativa de uma segunda onda também no Brasil (82%). A maioria dos brasileiros pretende evitar se reunir presencialmente no Natal com familiares que não moram na residência – 42% não têm planos para se reunir e um quinto (21%) pretende se reunir com a família por vídeo chamada. Pouco menos de um terço (30%) tem a intenção de se reunir com os parentes nas festas natalinas.
  •  Vacinação – Quando estiver disponível, a vacina terá ampla adesão dos brasileiros: 64% pretendem se vacinar com certeza; 24% poderão se vacinar; e apenas 8% dizem que não tomarão a vacina com certeza. Os índices mais elevados de “com certeza não irá tomar” se encontrem exatamente nos segmentos mais vulneráveis: os mais idosos (11%) e com menor grau de escolaridade (12%). A opinião sobre a obrigatoriedade da vacina divide os brasileiros: 49% são a favor e 49%, contra.

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