Edição Extra

Divulgação/Comitê Científico

Pandemia

A ciência e a decisão do governo do Pará

Por Olavo Dutra

Sábado, 1 de maio de 2021

O Comitê Científico Assessor ao Enfrentamento da Pandemia da Covid-19 do Pará, coordenado pela Ufra e integrado por cientistas de instituições como Ufopa, Uepa e UFPA aponta que o número de pessoas infectadas e a quantidade de óbitos decorrentes da doença no Estado estão em patamar de estabilidade, com tendência de queda. Segundo os estudos de previsão com uso de redes neurais artificiais coordenados pela Universidade, a “segunda onda” ocorre de forma menos agressiva que a média nacional e de países como Reino Unido e EUA.

 O cenário de pandemia que se abateu sobre o Pará ano passado e se arrasta até hoje e a letalidade da doença não admitem exercícios de futurologia, mas é certo que a segunda onda surpreendeu a população e criou na memória coletiva, ante o quadro de espanto – ou desdém – uma nuvem de incertezas sem prazo de validade e de medo de uma eventual terceira onda.

 A observação remete a junho do ano passado, quando todos os estudos apontavam o arrefecimento da pandemia e levaram o governo do Estado a desativar os hospitais regionais de Breves, Santarém, Altamira e Marabá, fechando cerca de 1,5 mil leitos dedicados exclusivamente ao atendimento de pacientes de Covid-19 e retomou o atendimento original na Policlínica de Belém. Àquela altura, não havia certeza absoluta sobre uma segunda onda da doença, mas alguns especialistas falavam na chamada “imunidade de rebanho”, enquanto outros acenavam com previsão do aumento de casos depois do Círio e das eleições, que não aconteceu. Mas a segunda onda veio.

 A decisão de fechar os hospitais regionais, então, foi atrelada, primeiro, aos indicadores de queda apontados pelos estudos técnicos e científicos, e, segundo, ao fator economia, decisão exclusiva do governo. Por que manter os hospitais funcionando com demanda retraída, mas com elevados custos de manutenção no período de aparente calmaria que se estendeu de julho do ano passado a fevereiro deste ano?

 Foi assim que, mantendo o monitoramento do número de casos, internações e óbitos, o Comitê Científico emitiu alerta com antecedência de 15 dias e o governo passou a reativar hospitais e leitos, evitando o colapso do sistema baseado em informações sobre as áreas de explosão da segunda onda e total de leitos necessários, ao contrário do que aconteceu no Estado do Amazonas (veja quadro comparativo), onde a população, em plena segunda onda da doença, se viu desprovida de hospitais, leitos, medicamentos, enfim, sem atendimento imediato, o que, além do mais, virou uma trapalhada nacional.

 Dados do próprio Comitê Científico capitaneado pela Ufra – lembrete: grupo até agora visto com alguma desconfiança pelos observadores de plantão – apontam que, a persistir a tendência de queda nos índices da doença no Pará – o sinal vermelho está ativado na região de Carajás -, caberá outra vez ao governo a decisão de manter o sinal de alerta junto à população, desativando ou não hospitais e leitos para atendimento de outras doenças da lista de espera que, em alguns casos, podem ser igualmente fatais.

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