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DE AFOGADILHO

Secretariado gira, prédios mudam e a gestão de Belém continua instável

Em 16 meses, Igor Normando redesenha equipe, concentra funções e acumula decisões contestadas em áreas sensíveis.

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  • Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 03/05/26 11:00
Secretariado gira, prédios mudam e a gestão de Belém continua instável
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gestão do prefeito de Belém, Igor Normando, do MDB, chega ao décimo sexto mês marcada por mudanças sucessivas no primeiro escalão e por decisões estruturais que vêm provocando ruídos internos. O desenho original do governo, montado em janeiro de 2025, foi praticamente desmontado.

Com secretariado original desmontado, prefeito de Belém segue perseguindo rumo; na Codem, reação inusitada de servidores/Fotos: Divulgação.
Dos cerca de 30 nomes que iniciaram a administração, apenas cinco permanecem nos cargos originais: André Cunha (Desenvolvimento Econômico), Gustavo Costa (Belém Digital), Luciano Oliveira (Segurança, Ordem Pública e Mobilidade), Maycon Costa (Saneamento) e Talita Magalhães (Controladoria-Geral).

O restante passou por substituições, remanejamentos ou deixou a gestão - movimento que começou ainda nos primeiros meses e se intensificou ao longo de 2025 e início de 2026.

Substituições série

A rotatividade atingiu áreas estratégicas e, em alguns casos, resultou em acúmulo de funções. Um dos exemplos mais visíveis é o da Secretaria de Governo, que hoje concentra, interinamente, outras pastas relevantes da administração.

Na Educação, a instabilidade foi ainda mais evidente. A secretaria teve três titulares em curto intervalo, após episódios envolvendo greve de servidores e questionamentos administrativos. Na Saúde, a troca de comando ocorreu em meio à crise do PSM da 14 de Março, ainda sob pressão.

Também houve reconfiguração estrutural de áreas inteiras. A Cultura deixou de operar via fundação e passou a ser secretaria, enquanto outras pastas foram redesenhadas ou absorvidas ao longo da gestão. Nos bastidores, a avaliação recorrente é de que a sucessão de mudanças compromete a continuidade administrativa e dificulta a execução de políticas públicas, especialmente nas áreas mais sensíveis.

Mexida no patrimônio

A instabilidade não se restringe ao quadro de pessoal. A gestão também vem promovendo alterações em órgãos e espaços físicos da administração, incluindo a extinção de fundações e a redefinição do uso de prédios públicos. Casos como o do Palacete Pinho, que deixou de funcionar como escola de música e espaço cultural e segue fechado, reforçam a percepção de descontinuidade. Em paralelo, novos arranjos institucionais vêm sendo criados para absorver funções antes concentradas nesses equipamentos.

Codem e reação interna

O episódio mais recente dessa política envolve a Companhia de Desenvolvimento e Administração da Área Metropolitana de Belém, a Codem, responsável por regularização fundiária, planejamento urbano e gestão de dados imobiliários da capital.

A sede da companhia, o prédio histórico Barão do Guamá, na avenida Nazaré, deve passar por reforma. A Prefeitura decidiu transferir temporariamente as atividades para um imóvel na Praça das Mercês.

A medida gerou reação imediata. Servidores realizaram manifestação pacífica e afirmam que o processo ocorre sem diálogo com o corpo técnico. O grupo também formalizou questionamentos junto ao Ministério Público do Trabalho (MPT).

Segundo relatos internos, a mudança ignora uma alternativa considerada mais adequada: o uso do prédio anexo da própria Codem, o La Roque, que teria condições de abrigar as atividades durante a reforma. O espaço, no entanto, está atualmente ocupado por outro órgão municipal.

Risco e acervo

Além da disputa sobre o destino físico da companhia, há preocupação com o acervo técnico. A Codem é responsável por documentos históricos, mapas e registros fundiários que exigem condições específicas de armazenamento.

Servidores apontam que o imóvel indicado pela gestão apresenta limitações estruturais e pode não comportar integralmente as atividades, além de representar risco ao material sensível, especialmente diante das condições climáticas da capital.

Busca de equilíbrio

A soma de trocas no secretariado, reconfigurações institucionais e decisões administrativas contestadas expõe uma gestão ainda em processo de ajuste.

Sem estabilidade no primeiro escalão e sob pressão em áreas-chave, a administração municipal tenta encontrar um ponto de equilíbrio — enquanto lida, simultaneamente, com crises operacionais e desgaste interno. O resultado, até aqui, é uma engrenagem que gira, mas ainda sem ritmo definido.

Papo Reto 

A unidade da Agência Nacional de Mineração no Pará voltou ao radar por relatos de cobrança indevida para destravar processos. Segundo fontes, a liberação de documentos estaria sendo condicionada a pagamentos fora das taxas oficiais. Parte da atual diretoria foi indicada pelo deputado federal Keniston Braga, do MDB (foto).

•Não há confirmação formal, e os citados não se manifestaram até o fechamento. O histórico recente do órgão no Estado, com afastamentos por suspeitas semelhantes, acende o alerta e reforça a necessidade de apuração pelos órgãos de controle.

A Cidade Velha continua abandonada, tanto pela prefeitura quanto pelo Iphan. A associação dos moradores do bairro sequer consegue ajuda para disciplinar e resguardar o patrimônio histórico, nem mesmo a Igreja do Carmo.

•Aliás, as esporádicas rondas da Guarda Municipal e da PM tampouco fiscalizam festas na Praça do Carmo, muito menos a demolição e alteração de prédios tombados e furto de pedras de lioz das calçadas.

E assim o patrimônio histórico de Belém vai perdendo sua característica e exuberância de outrora.

•Esta semana foi assinada a ordem de serviço da obra de drenagem e pavimentação da travessa Souza Franco, em Icoaraci, dentro do Programa Viva Bairro.

O prefeito Igor Normando garantiu que em 100 dias a obra estará concluída. Não foi revelado o valor do investimento.

•Não mudou absolutamente nada: as sub-prefeituras de Icoaraci, Outeiro e Mosqueiro seguem como peças decorativas no organograma da Prefeitura de Belém, servindo apenas de cabide de empregos para obreiros da campanha eleitoral.

Lula e o PT apostaram uma pazada de fichas nessa "bondade" para amolecer o coração da classe média baixa, mas parece que a estratégia não deu certo.

•Através da tal dosimetria, o ex-presidente Jair Bolsonaro pode migrar para o regime semiaberto em cerca de um ano e meio, diz o deputado Paulinho da Força, relator do projeto.

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.