Parque da Cidade: legado da COP30 ainda é subutilizado e tem espaços ociosos Quando a gestão falha, a conta recai sobre quem atende e sobre quem é atendido Fiepa cobra agilidade e reforça papel do Pará como protagonista na estratégia da indústria
Ócio e desperdício

Parque da Cidade: legado da COP30 ainda é subutilizado e tem espaços ociosos

Megaobra para evento da ONU custou quase R$ 1 bilhão, teve reabertura pontual no período natalino e hoje enfrenta subutilização

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  • Da Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 23/03/26 17:00
Parque da Cidade: legado da COP30 ainda é subutilizado e tem espaços ociosos
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om investimento de aproximadamente R$ 980 milhões, o Parque da Cidade foi apresentado como um dos grandes legados urbanos da COP30, um símbolo de sustentabilidade, inovação e requalificação de área estratégica da capital paraense.

Poucos meses depois do evento global, no entanto, o cenário é de espaços vazios e de eventos pontuais e insuficientes para dar ao empreendimento a importância de uso que ele merece.

Depois da COP, Parque da Cidade teve apenas uma reabertura pontual durante o Natal, mas, este ano, ainda carece de programações/Foto: Divulgação
Após sediar atividades da conferência, o parque teve uma reabertura pontual apenas em dezembro, durante programações natalinas. Passado o período festivo, a realidade atual é de espaços fechados, equipamentos subutilizados e baixa circulação de público em grande parte da área.

Vitrine internacional

Durante a COP30, o parque foi tratado como cartão-postal da cidade. Aspecto que não há como desatrelar do espaço dada a engenharia moderna e beleza arquitetônica sem iguais na cidade. O local sediou, com charme, eventos, visitas institucionais e vitrines ambientais para pessoas de diferentes países do mundo.

A proposta era clara: deixar um legado permanente para a população, com áreas culturais, gastronômicas, de lazer e economia criativa. Na prática, porém, o que se observa hoje é um descompasso entre a escala do investimento e o uso cotidiano do espaço.

Vagas salgadas 

Um dos problemas está no salgado preço que custa deixar o carro dentro do Parque. Diferente de algumas capitais, onde as vagas públicas para estacionar fazem parte da rotina de uso dos espaços públicos, no equipamento de Belém as centenas de vagas do parque logo viraram instrumento de arrecadação.

É preciso ter ciência de que passar algumas horas desfrutando a beleza do local pode gerar um custo incômodo ao final de uma hora. Vagas públicas no entorno são longe e oferecem riscos para quem precisa atravessar avenidas movimentadas para entrar no parque a pé, como a Pedro Álvares Cabral e a Júlio César.

Falta programação 

Enquanto isso, estruturas modernas permanecem fechadas e ambientes planejados para convivência estão ociosos. Falta uma programação contínua que atraia o público da capital paraense ao local.

A verdade é que o governo pode - e deve - realizar programações que integrem todas as opções de lazer e entretenimento do Parque da Cidade à dinâmica de Belém. São muitos os comentários sobre a beleza instalada no loca, mas são poucas as pessoas que relatam, de fato, terem aproveitado tanto bom gosto em programação oferecida nestes espaços desde o início de 2026.

Problema recorrente

Uma fonte especializada da coluna afirma que caso do Parque da Cidade se encaixa em um padrão já conhecido no Brasil: obras grandiosas impulsionadas por eventos internacionais, com forte apelo simbólico, mas planejamento insuficiente para o pós-evento.

“Esse modelo, muitas vezes, prioriza a entrega rápida para atender prazos políticos e um visual midiático, mas sem receber atenção a orientação de gestão de longo prazo. Sem uma estratégia sólida de ocupação, manutenção e financiamento contínuo, espaços como esse tendem a se transformar em ‘elefantes brancos urbanos’, como ocorreu com olimpíadas e copa do mundo”, diz a fonte.

Riscos reais

O alto custo do empreendimento, de quase R$ 1 bilhão, amplia a pressão social por resultados concretos. Em uma cidade que ainda enfrenta desafios estruturais históricos, como saneamento precário, mobilidade limitada e desigualdade urbana, a subutilização de um equipamento dessa magnitude gera críticas inevitáveis, apesar de todos os esforços da Secretaria de Estado de Cultura (Secult), responsável pelo espaço, para tentar tornar o Parque da Cidade mais útil, dinâmico e incorporado à cena da capital paraense.

Mas, sem gestão eficiente, programação permanente e integração com a população, o risco é que o investimento bilionário se consolide não como um marco de transformação urbana, mas como mais um capítulo de oportunidades desperdiçadas. O que seria uma grande pena.

Papo Reto

• Será exibido no dia 30/5, no Centur, o documentário “Hoje Estamos Aqui”, do projeto Eletric Amazônia, que conta a história do início das aparelhagens no Pará.

A coordenação é do pesquisador e DJ Junior Almeida (foto), filho de Milton Nascimento, criador da famosa aparelhagem Alvi Azul, na década de 50.

• O projeto também foi abraçado pelo diretor norte-americano Darrien Lamen, que estuda o assunto há pelo menos uma década, entre idas e vindas a Belém.

Por falar em Centur, o final da Quaresma está chegando e a decoração junina - do ano passado - segue por lá, na Praça do Povo, firme e forte.

• Será que a intenção á reaproveitar cores e arranjos no arraial junino deste ano?

Logo no primeiro dia de entregas, a Receita Federal recebeu, até as 12h desta segunda-feira, 23, um total de 450.026 declarações.

• Desse total, 42,7% foram pré-preenchidas, 57,3% foram simplificadas e 1,3% foram retificadoras.

• Este ano, o Fisco espera receber cerca de 44 milhões de declarações. O prazo vai até o dia 29 de maio.

• A Secretaria Executiva de Direitos Humanos da Prefeitura de Belém realiza nesta terça, 24, encontro com os 150 casais que participarão do casamento comunitário.

A reunião será no Palácio Antônio Lemos e irá orientar sobre a entrega de documentos e a dinâmica da cerimônia, marcada para o dia 24 de abril.

• O programa Gás do Povo, do governo federal, passou a atender quase 15 milhões de famílias em todo o Brasil.

A nova etapa de expansão do programa começou nesta segunda, 23, e recebeu investimento de R$ 957,2 milhões.

• Ao que aprece, o governo Lula segue apostando no assistencialismo como ferramenta de apoio popular.

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.