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ELEIÇÕES 2026

Inferno astral agita gestão do prefeito de Ananindeua em sessão na Câmara

Suposta “vaquinha” para financiar imóvel de Daniel Santos desencadeia crise política e cobranças no Legislativo.

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  • Da Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 15/03/26 11:00

Olho do furacão: Daniel Santos passa por um dos momentos mais duros da gestão, é cobrado publicamente, mas não se explica/Fotos: Divulgação.


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uem no Pará gosta tanto da política quanto da teledramaturgia brasileira não teve como não pensar na personagem “Carminha”, vilã da novela “Avenida Brasil” que, em horário nobre, gritava histericamente a palavra “inferno” nos dias difíceis. Assim parece ter sido a semana de forte turbulência política para o prefeito de Ananindeua, Daniel Santos, do PSB, pré-candidato ao governo do Pará nas eleições de outubro.

Desde a exibição de uma reportagem do programa Fantástico, da TV Globo, no último domingo, 8, apontando suspeitas de corrupção envolvendo a compra de uma casa de praia em Fortaleza, o gestor enfrenta um verdadeiro “inferno astral” político.

A denúncia provocou repercussão imediata no município e dominou os debates na sessão ordinária da Câmara de Vereadores na terça-feira, 10, marcada por críticas duras, cobranças públicas e um clima de forte tensão entre os parlamentares.

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Festa na oposição 

Na Câmara, vereadores da oposição utilizaram a tribuna para exigir explicações do prefeito sobre as suspeitas levantadas na reportagem, que menciona a possível participação de empresários com contratos com a prefeitura em uma espécie de “vaquinha VIP” para ajudar a financiar o imóvel, avaliado em cerca de R$ 4 milhões.

A vereadora Monique Antunes, do MDB, afirmou ter ficado indignada com o conteúdo exibido na televisão e cobrou uma posição clara do chefe do Executivo municipal.

“Quando eu vi tudo o que foi dito na reportagem, fiquei indignada. E ele não nega a compra do imóvel. O prefeito confunde a cabeça das pessoas sobre a anulação das investigações”, declarou.

Enquanto na educação…

A parlamentar também comparou o valor do imóvel com possíveis investimentos na educação municipal. Segundo ela, com R$ 4 milhões seria possível adquirir cerca de 330 mil cadernos escolares, montar mais de 30 mil laboratórios de informática completos ou reformar oito escolas da rede municipal.

“Estamos vendo professores lutando por melhorias no ambiente de trabalho e aumento salarial, enquanto empresas com contrato na educação estariam fazendo transferências para pagar o imóvel”, afirmou a vereadora, destacando ser filha de professora e conhecer a realidade enfrentada pela categoria.

Entrando na história

A vereadora Pamella Wayne, também do MDB, criticou duramente a gestão municipal e disse que o caso expõe um momento delicado para a cidade.

“Ananindeua está entrando para a história. O prefeito não diz nem sim, nem não sobre o que está sendo investigado e, como sempre, usa argumentos como se fosse coitadinho. Eu tenho pena é da criança que entra no banheiro de uma escola do município e não tem papel higiênico ou produto de limpeza, porque o dinheiro que era para isso estaria indo para pagar uma casa de luxo no litoral”, declarou.

O clima de embate dominou a sessão legislativa, que chegou a registrar momentos de interrupção na transmissão ao vivo.

Fervura nos bastidores 

Nos bastidores e no plenário, a temperatura política também subiu entre os próprios vereadores. Em determinado momento, houve troca de críticas entre os parlamentares Alexandre Silva e Aurélio Rodrigues, ampliando o tom de confronto no Legislativo.

O episódio ainda rendeu provocações entre vereadores. A parlamentar Pamella Wayne chegou a apelidar a colega Francy Pará de “cabelo de salão”, comentando que ela sempre aparece especialmente produzida nas sessões de terça-feira. Francy respondeu às críticas em vídeo que circula nas redes sociais. “Eu falo a hora que eu quiser”, disse a vereadora, ao rebater comentários sobre sua atuação na tribuna.

Enquanto as discussões se intensificam no campo político, cresce a pressão para que o prefeito apresente esclarecimentos mais detalhados sobre as denúncias exibidas na televisão. Nos bastidores da política paraense, a avaliação é que a crise pode ter impacto direto na imagem do gestor, impactando diretamente na corrida eleitoral ao governo do Pará.

Candidatíssimo a candidato para o posto de governador, Daniel Santos enfrentou uma das semanas mais difíceis desde o início de sua administração à frente da segunda maior cidade do Pará, perdendo apenas, talvez, para aquela famigerada manhã de abril de 2024.

Papo Reto

·Os pais das obras. Quem passa pelos novos pontos turísticos de Belém deve pensar que eles não têm a menor identidade. Isso porque, no Mercado de São Brás e no novo Terminal Hidroviário de Icoaraci, os mais atentos vão perceber uma profusão de placas de inauguração.

·O Mercado de São Brás tem quatro placas na entrada principal mostrando a obra da gestão Edmílson Rodrigues (foto), entregue em dezembro de 2024, com os nomes de toda equipe técnica que atuou na reforma.

·Na saída para a feira homônima, outra placa mostra que a obra de “reinauguração” é de Helder Barbalho e Igor Normando, já em outubro de 2025.

·Da mesma forma, na entrada do terminal, a placa mostra que a obra é da gestão de Helder, mas, poucos metros, outra placa informa que é fruto de emenda parlamentar do deputado federal José Priante, do MDB. 

·O que se diz é que o setor de varejo e serviços em Belém deve ganhar um novo empreendimento logo, logo. O Grupo Serson, empresa paulista com atuação no setor hoteleiro, estuda a viabilidade de implantação de um shopping center na cidade.

·O estudo avalia um terreno de cerca de 70 mil m² na avenida Júlio César, nas proximidades do Aeroporto Internacional, e da região do Parque São Joaquim. 

·Trata-se de um dos principais corredores de entrada e saída da cidade, com intenso fluxo diário de moradores e visitantes.

·O grupo já possui investimentos em Belém: é proprietário do Hotel Ibis Belém Aeroporto, operado em parceria com a rede internacional Accor, além de manter operações ligadas à tradicional rede Hotéis Vila Rica.

·Largado à própria sorte pela prefeitura, o Cemitério Santa Izabel, de Icoaraci, segue mergulhando num pavoroso matagal.

·O Remo da Série A só venceu três jogos este ano: contra o Águia de Marabá, o Bragantino e o Cametá.

Mais matérias OLAVO DUTRA

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.