Enquanto milhares de famílias procuram balneários e ilhas, poluição, falta de saneamento, ocupação irregular e deficiência na fiscalização continuam ameaçando os principais rios da Região Metropolitana.
ulho transforma a rotina da Grande Belém. Basta um fim de semana de sol para milhares de pessoas seguirem rumo a Mosqueiro, Outeiro, Cotijuba, Combu, Icoaraci e dezenas de balneários espalhados pela Região Metropolitana. É o período em que os rios voltam a ser protagonistas da vida amazônica, mas também é quando ficam mais visíveis problemas que permanecem escondidos durante o restante do ano: lixo nas margens, lançamento de esgoto sem tratamento, ocupações irregulares, trapiches improvisados e ausência de fiscalização ambiental. A paisagem continua exuberante. A infraestrutura, nem tanto.

Poucas capitais brasileiras têm uma relação tão estreita com a água quanto Belém. Além de integrar uma das maiores bacias hidrográficas do planeta, a cidade cresceu voltada para os rios, que continuam abastecendo comunidades, movimentando o turismo, garantindo renda para pescadores, barqueiros, feirantes e pequenos empreendedores.
Nas férias, esse movimento se intensifica. Restaurantes, pousadas, embarcações e praias de água doce recebem visitantes de toda a região. Ao mesmo tempo, cresce a pressão sobre um ambiente que já convive diariamente com problemas estruturais.
Grande parte do esgoto produzido na Região Metropolitana ainda não recebe tratamento adequado antes de alcançar igarapés e rios. O resultado aparece na qualidade da água, na proliferação de resíduos e na degradação de áreas que poderiam ser importantes pontos de lazer e turismo.
A situação se repete em diversos bairros ribeirinhos, onde o crescimento urbano ocorreu sem planejamento e sem a expansão da infraestrutura de saneamento.
Outro problema recorrente é o descarte irregular de resíduos. Garrafas plásticas, copos descartáveis, sacolas, restos de alimentos e até móveis velhos acabam levados pelas chuvas e pela maré. Quando a maré baixa, o cenário aparece sem disfarces. Mutirões de limpeza ajudam, mas têm efeito temporário. Sem educação ambiental e fiscalização permanente, o lixo volta com a mesma rapidez com que foi recolhido.
O potencial turístico dos rios paraenses é reconhecido há décadas. Combu, Cotijuba, Mosqueiro e as ilhas do entorno de Belém reúnem condições naturais capazes de atrair visitantes durante todo o ano. Mas preservar esse patrimônio deixou de ser apenas uma questão ambiental. É também uma estratégia econômica. Quanto mais degradado o ambiente, menor a capacidade de gerar emprego, renda e novos investimentos ligados ao turismo sustentável.
Projetos de revitalização de orlas, ampliação do saneamento e recuperação de áreas degradadas aparecem com frequência nos discursos oficiais. O desafio continua sendo transformar planejamento em obras permanentes e fiscalização contínua. Enquanto isso, julho segue mostrando duas beléns: a da fotografia, cercada por rios exuberantes e a da realidade, que ainda convive com problemas antigos à espera de soluções igualmente antigas.
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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