Cerca de 21 mil hectares da Sapucaya Agroflorestal levam empresário a pedir proteção à Justiça após denunciar supostas ameaças e outros crimes.
Engenheiro Leonardo Carvalho tenta recuperar parte da propriedade e pede proteção por sofrer supostas ameaças junto com família/Divulgação.
conflito empresarial envolvendo aproximadamente 21 mil hectares de áreas rurais em Tomé-Açu, nordeste do Pará, ganhou novos desdobramentos e passou do campo cível para a esfera criminal. O engenheiro florestal e empresário José Leonardo dos Santos Carvalho protocolou representação criminal na Superintendência Regional da Polícia Federal, no Ministério Público Federal e no Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), na qual pede a instauração de inquérito policial, a preservação de provas, medidas cautelares e proteção para si e seus familiares.
A representação foi apresentada poucos dias depois de o empresário intensificar a cobrança judicial pelo cumprimento de um contrato particular de parceria rural firmado em 2019 e aditado em 2020 com a Sapucaya Agroflorestal Ltda. Na ação de execução, ele cobra o pagamento de aproximadamente R$ 2,85 milhões e reivindica o cumprimento da cláusula contratual que, segundo sustenta, lhe assegura participação equivalente a 20% sobre as áreas recuperadas judicialmente e sobre a produção agrícola.
Segundo a petição, José Leonardo afirma ter atuado diretamente na estratégia jurídica e técnica que resultou, após quase nove anos de litígios, na recuperação judicial de cinco fazendas: Sapucaya I, Sapucaya II, Sapucaya III, Brasileira e Tomé-Açu, totalizando cerca de 21 mil hectares. As reintegrações de posse, segundo os autos, ocorreram entre outubro de 2025 e janeiro de 2026.
O empresário sustenta que, apesar da recuperação das propriedades, na prática a empresa deixou de cumprir o contrato ao não transferir os 20% das áreas que lhe caberiam, aproximadamente 4,2 mil hectares, nem repassar sua participação sobre os frutos da produção agrícola.
Conforme a execução, somente a parcela referente à produção alcançaria mais de R$ 1,2 milhão, além de perdas e danos e demais verbas indenizatórias.
A partir do ajuizamento da cobrança, porém, o conflito ganhou novos contornos. Na representação criminal, José Leonardo afirma que passou a sofrer intimidações e ameaças para desistir da ação judicial. Segundo o documento, homens teriam exibido fotografias dele e de sua filha durante uma abordagem em Ipixuna do Pará e afirmado que ele seria morto caso prosseguisse com a execução.
Em razão dessas alegações, o empresário pediu naquele momento que sua identidade permanecesse sob absoluto sigilo e requereu avaliação para ingresso no Programa de Proteção a Vítimas e Testemunhas Ameaçadas (Provita).
A denúncia também relata que o conflito teve origem em processos administrativos perante o Instituto de Terras do Pará (Iterpa), ocasião em que José Leonardo afirma ter conhecido pessoas que, segundo ele, se apresentavam como detentoras de influência junto às mais altas autoridades do Estado e capazes de solucionar demandas perante órgãos públicos.
A representação sustenta que essa suposta influência teria sido posteriormente utilizada em negociações envolvendo terras, contratos públicos e expansão patrimonial.
No documento encaminhado às autoridades, o engenheiro faz acusações que vão muito além da disputa contratual. Ele atribui aos investigados, em tese, a prática de organização criminosa, lavagem de dinheiro, fraude fiscal, falsidade ideológica, tráfico de influência, coação no curso do processo, ameaça e corrupção de agentes públicos.
José Leonardo também afirma que empresas seriam utilizadas para movimentação financeira e aquisição de patrimônio incompatível com a atividade declarada, além de apontar suposta utilização de segurança armada, composta por policiais militares.
Ele também menciona possível atuação de integrantes de facção criminosa. Todas essas acusações, por enquanto, ainda dependem de investigação pelos órgãos competentes.
Entre os documentos apresentados à Justiça por José Leonardo estão contratos, decisões judiciais, registros empresariais, fotografias, áudios, tabelas financeiras e um termo de declaração prestado ao Gaeco pela filha do empresário, que relata ao Ministério Público ter tomado conhecimento das ameaças dirigidas ao pai durante a cobrança judicial.
Apesar de afirmar viver sob risco, José Leonardo diz em vídeos gravados de próprio punho que não pretende desistir da disputa patrimonial. “Vou voltar a ser dono dos 20% que me pertencem por direito. Foi um contrato cumprido da minha parte e vou lutar até o fim para que ele seja respeitado”, afirma ele.
Em outro trecho gravado em vídeo, o empresário afirma confiar na atuação das instituições. “Confio na Justiça e vou aguardar a Justiça fazer o seu trabalho. Tenho convicção de que todos os fatos serão devidamente esclarecidos”, declarou.
A representação criminal encontra-se em fase inicial de análise pelos órgãos competentes, e as alegações apresentadas pelo denunciante ainda serão objeto de apuração pelas autoridades responsáveis.

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Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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