Projeto apoiado por redes internacionais prevê calçadões, redução de carros, acessibilidade e combate às ilhas de calor no Centro Histórico.
Prefeitura de Belém acelerou nesta terça-feira (26) as articulações para tirar do papel o projeto Belo Centro, iniciativa de requalificação urbana que pretende transformar a região histórica da capital em uma área voltada prioritariamente para pedestres, acessibilidade, turismo e adaptação climática. O programa conta com apoio técnico de organizações internacionais ligadas à agenda climática global e é tratado pela gestão municipal como uma das entregas estruturantes no contexto da COP30.

O foco da primeira etapa será a reorganização da circulação urbana no núcleo histórico da cidade, reduzindo o tráfego pesado nas áreas internas e transferindo o fluxo de veículos para vias periféricas do perímetro central. A proposta prevê transformar ruas tradicionais em calçadões ou vias de tráfego reduzido, priorizando pedestres, ciclistas e transporte de baixa emissão.
Entre as medidas previstas está a implantação de uma “Zona 30 km” no bairro da Cidade Velha, criando um perímetro de baixa velocidade para veículos. A medida busca reduzir acidentes, emissões de poluentes e estimular o turismo de caminhada em uma das áreas mais antigas da capital.
O pacote de intervenções inclui ainda obras de acessibilidade e recuperação do patrimônio urbano. Na rua Gaspar Vianna, por exemplo, o projeto prevê ampliação de calçadas, instalação de piso tátil, faixas elevadas para pedestres e recomposição das pedras coloniais originais, além de novo sistema de drenagem para reduzir pontos históricos de alagamento.
Já a Siqueira Mendes, considerada a primeira via da cidade, será transformada em corredor preferencial para pedestres, preservando o pavimento histórico, mas com adequações de acessibilidade. Outra frente de intervenção envolve as ruas Oriental e Ocidental, na área do Mercado de Carne, que deverão ser convertidas em calçadões exclusivos.
O plano também prevê ampliação de áreas de circulação de pedestres no entorno da Praça do Relógio e da Praça Marquês de Pombal, fortalecendo a conexão turística até o Complexo Feliz Lusitânia e criando um novo calçadão em frente ao Museu de Arte Sacra.
Além da mobilidade, o Belo Centro incorpora ações ambientais voltadas ao enfrentamento das chamadas ilhas de calor. Estudos técnicos apontam o bairro da Campina como uma das áreas mais vulneráveis da região central devido à baixa arborização e à concentração de superfícies que acumulam calor. A prefeitura prevê implantar um plano de arborização urbana para amenizar temperaturas e melhorar o conforto térmico.
A iniciativa integra o Programa Mutirão Brasil, coordenado pela C40 Cities e pelo GCoM, que reúne mais de 50 cidades brasileiras em projetos ligados à mobilidade sustentável, planejamento climático, gestão de resíduos e financiamento verde.
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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