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CRÉDITO: TOMA LÁ, DÁ CÁ

Bancos condicionam benefícios da MP do Agro à contratação de serviços no Pará

Ajuda federal virou moeda de troca: produtores rurais denunciam rede bancária no acesso aos benefícios de medida provisória.

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  • Da Redação | Coluna Olavo Dutra.
  • 20/01/26 17:00
Bancos condicionam benefícios da MP do Agro à contratação de serviços no Pará
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ditada em 5 de setembro de 2025, a MP 1.314 autorizou o uso de superávit financeiro e recursos livres das instituições financeiras para renegociação, amortização ou liquidação de dívidas de produtores rurais atingidos por eventos climáticos adversos. O objetivo é flexibilizar cronogramas de pagamento, reduzir pressão de caixa e evitar a insolvência de produtores já sufocados por dois anos seguidos de perdas.

O Banco do Brasil, entre outras instituições bancárias, estaria usando o benefício dado ao segmento para vender ‘pacote de serviços’/Fotos: Divulgação.

Realidade no balcão

No Pará, o roteiro mudou. Produtores das regiões da Transamazônica, Belém–Brasília, oeste do Estado e áreas estratégicas do agronegócio relatam que gerentes do Banco do Brasil passaram a exigir entradas elevadas e “reciprocidades” para autorizar renegociações com base na MP. Entre as exigências citadas estão: títulos de capitalização; seguros de vida; consórcios de alto valor; e outros produtos sem relação com crédito rural. Segundo os relatos, a negociação só anda se o produtor “comprar o pacote”.

Não é caso isolado

A prática não se limitaria ao Banco do Brasil. Há registros de que Bradesco, Sicredi e outras instituições financeiras estariam adotando postura semelhante, criando obstáculos artificiais ao acesso ao benefício federal. Tudo fora do escopo da MP, que não autoriza condicionantes comerciais nem venda casada.

Medo de represália

A coluna ouviu produtores de diferentes regiões do Estado. Todos fizeram questão de manter o anonimato. O motivo é um só: medo de retaliação bancária, fechamento de crédito e dificuldades futuras para financiamento da produção. E silêncio não é opção - é mecanismo de sobrevivência.

O pano de fundo é conhecido. O ano de 2025 foi um dos mais difíceis para o campo brasileiro, marcado por secas prolongadas e veranicos;

ondas de calor acima da média; quebras de safra em grãos e café; incêndios e perdas de produtividade. No caso do café, produtores de Minas Gerais enfrentaram o quarto ano consecutivo de prejuízos, com perdas estimadas entre 20% e 30%. No Norte, a imprevisibilidade climática afetou planejamento, plantio e caixa. Foi esse cenário que levou o governo a editar a MP.

O problema é que, no balcão dos bancos, a emergência climática virou oportunidade comercial. O socorro federal chegou - mas condicionado. quem não aceita o “toma lá, dá cá” fica sem fôlego; quem aceita, afunda ainda mais.

Papo Reto

·A esquerda no Brasil sempre foi festiva, mas, agora, há registro em vídeo.

·Enquanto em um show no Rio de Janeiro a deputada federal Jandira Feghali, do PCdoB, foi muito elogiada quando assumiu as baquetas e atacou de baterista, em Belém, a vereadora Vivi Reis (foto), do Psol, mostrou seus dotes de dançarina.

·Foi de “na boquinha da garrafa”, mas a conta foi apresentada na hora, com críticas das chamadas “pessoas de bem” perguntando pelo tal decoro do cargo.

·Fruto nacional: o açaí nosso de cada dia foi oficializado como tal, visando "proteger o patrimônio amazônico".

·Publicada no dia 8 de janeiro no Diário Oficial da União, a nova lei oferece maior retaguarda jurídica contra a biopirataria, lembrando que já houve caso de uma empresa japonesa tentar patentear o fruto.

·Proposta de CPMI do Banco Master já reúne 42 - 25 a mais do que o mínimo necessário - assinaturas no Senado, ampliando pressão sobre David Alcolumbre pela abertura do processo.

·Aliás, finalmente o Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União pediu à Fazenda e à Polícia Federal informações sobre as fraudes bilionárias no Master, que ameaça derrubar parte da República.

·A Procuradoria-Geral da República recorreu ao Supremo Tribunal Federal para impedir a devolução de valores milionários ao ex-gerente da Petrobras Roberto Gonçalves, determinada advinha por quem? Ele mesmo, o ministro Dias Toffoli.

·O Ministro André Mendonça converteu para domiciliar a prisão de Silvio Feitoza, suspeito de fraude nas safadezas contra os velhinhos do INSS, diagnosticado com isquemia miocárdia grave.

·O Pix voltou a operar normalmente ontem após instabilidade que afetou pagamentos em todo o País.

·A China cobriu geleiras com mantas geotêxteis gigantes e conseguiu frear o derretimento em áreas pequenas.

·Apesar de reduzir derretimentos isolados, essas mantas geotêxteis ainda oferecem custo elevado limitando a aplicação.

·Enquanto isso, o aquecimento global segue pressionando as calotas de gelo. 


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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.