STJ mantém falência da Buritirama, maior mina de manganês na América Latina Justiça aponta que violência atingiu 118 mulheres por dia no Pará em sete meses Chineses abrem canal enquanto Amazônia ainda discute como andar dentro de casa
EM MARABÁ

STJ mantém falência da Buritirama, maior mina de manganês na América Latina

Projeto instalado em Marabá possui dívida de R$ 27,2 milhões com empresa credora que presta serviços de logística.

  • 80 Visualizações
  • Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 21/09/26 17:00
STJ mantém falência da Buritirama, maior mina de manganês na América Latina
A


2ª Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve a falência da Buritirama, considerada a maior mina de manganês a céu aberto da América Latina. O colegiado não conheceu, nesta semana, dos embargos de divergência apresentados pela mineradora contra acórdão da 3ª Turma do tribunal, que havia mantido a decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo pela decretação da falência.

Débito da Buritirama foi protestado por edital depois de duas tentativas de intimação da mineradora, em Marabá/Fotos: Divulgação.
O processo envolve uma dívida de R$ 27,2 milhões decorrente do descumprimento de um contrato com uma empresa credora que presta serviços de logística. O débito foi protestado por edital depois de duas tentativas de intimação da mineradora no endereço fornecido. Em uma delas, realizada em 2023, o aviso de recebimento informou que a empresa estava em sistema de home office.

A Justiça de São Paulo entendeu que a situação se equiparava à hipótese em que ninguém se dispõe a receber a intimação, o que permite que o ato seja realizado por edital, conforme o artigo 15 da Lei 9.492/1997.

A decisão da 3ª Turma manteve a conclusão do tribunal paulista com base no artigo 94, inciso I, da Lei 11.101/2005. O dispositivo estabelece que será decretada a falência do devedor que, sem relevante razão de direito, não pagar, no vencimento, obrigação líquida cuja soma ultrapasse o equivalente a 40 salários mínimos.

Recurso da mineradora

Instalada na zona rural de Marabá, no sudeste do Pará, a Buritirama contestou, por embargos de divergência, a legalidade da intimação do protesto por edital. A mineradora sustentou que o protesto não continha a identificação da pessoa intimada de sua lavratura, requisito formal previsto na legislação e na Súmula 361 do STJ.

A empresa também alegou que não haviam sido esgotadas as tentativas de intimação pessoal por meio de seus representantes e de meios eletrônicos, já admitidos pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

A mineradora defendeu ainda que a interpretação do artigo 15 da Lei 9.492/1997 deveria ficar restrita às hipóteses expressamente previstas no dispositivo, sem ampliação para situações equiparadas.

O relator dos embargos de divergência, desembargador convocado Luis Carlos Gambogi, concluiu que o recurso não deveria ser conhecido. Segundo o colegiado, os acórdãos apresentados pela mineradora como paradigmas não poderiam ser confrontados com a decisão da 3ª Turma porque não apresentavam similitude fática.

Com a rejeição do recurso, prevaleceu a conclusão da 3ª Turma sobre a validade do protesto da dívida por edital e foi mantida a falência da Buritirama. No julgamento anterior, o ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, relator do recurso na 3ª Turma, afirmou que "o credor não pode aguardar até que o empresário se disponha a comparecer ao endereço informado como sede".

Papo Reto

Em postagem nas redes sociais, o prefeito de Belém, Igor Normando (foto), do PSDB, declarou votos na eleição do dia 4 de outubro. Disse que “Neutro é detergente”, mas não declarou votos em deputados.  

•Moraes disse que “jamais viajou em nenhum avião de Daniel Vorcaro”. Aí apareceu o vídeo: ministro, esposa, malas e tudo mais descendo do Legacy PP-NLR, aeronave ligada ao ex-banqueiro, no Santos Dumont. Agora a explicação é que o escritório contratou táxi aéreo e a escolha do avião cabia à empresa. 

No Brasil dos poderosos, até o jatinho parece sofrer de crise de identidade, pois pertence a uma empresa ligada a Vorcaro, transporta quem dizia jamais ter voado em avião dele, mas, na hora da explicação, vira apenas um inocente táxi com asas. O problema dessas versões perfeitas até aparecer uma câmera no aeroporto.

•Nos bastidores, circulam relatos de uma gigantesca mobilização partidária para a reta final da eleição, com MDB-/PT recrutamento no atacado de fiscais, delegados e advogados por todo Estado.

Mobilização legal é democracia. Estrutura econômica ou política usada para constranger, desequilibrar ou transformar local de votação em demonstração de força é outra história.

•O eleitor precisa chegar à urna livre, sem atravessar corredor de poder. Que o TRE e o MPE mantenham os olhos bem abertos. Afinal, eleição se ganha com voto. Rolo compressor, só se for para passar por cima de qualquer tentativa de abuso. 

A China colocou a IA para farejar minério: trabalho geológico de seis meses teria caído para uma semana. Enquanto uns discutem se a inteligência artificial vai roubar empregos, Pequim já quer que ela encontre o que está debaixo da terra.

Mais matérias OLAVO DUTRA

img
Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.