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Copa 2026

Seleção terá manual de conduta, tecnologia e estrutura para deixar jogadores focados

Delegação chega aos Estados Unidos e se fechará cada vez mais em hotel escolhido pela privacidade e CT moderno e disputado

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  • Da Redação | Com O Globo
  • 04/06/26 19:00
Seleção terá manual de conduta, tecnologia e estrutura para deixar jogadores focados

Rio de Janeiro, RJ - Os campeões do mundo em 1994 costumam contar que uma das receitas do sucesso do tetracampeonato nos Estados Unidos foi ter um ambiente fechado de preparação da seleção brasileira, que não ganhava um título havia 24 anos. Passados mais 32 anos, a quantidade e a qualidade das informações que chega aos jogadores causa preocupação na delegação do Brasil, que terá uma estrutura voltada para deixar os atletas felizes durante os quase 40 dias de Copa do Mundo, mas com restrições, estabelecidas em um manual de conduta interno, segundo O Globo apurou.


O hotel em que a seleção brasileira ficará hospedada em Nova Jersey a partir de agora terá um esquema especial, ainda mais rígido em relação ao que se viu em Teresópolis, onde os jogadores se apresentaram e tiveram uma última atividade voltada para as famílias. Nos Estados Unidos, a privacidade vai ser maior, mas haverá momentos de folga sempre após os jogos em que os atletas poderão estar com parentes e amigos. A CBF vai conduzir quem poderá ou não entrar no hotel The Ridge, escolhido pelo conforto e pela segurança.


O local fica a 15 minutos do Centro de Treinamento do New York Red Bull, usado pelo Brasil, e a meia hora do Metlife, estádio da estreia da Copa do Mundo contra Marrocos, no dia 13 de junho. A programação de folgas inclui descanso sempre um dia depois das partidas, que acontecerão com intervalos de cinco dias na primeira fase. Os familiares ficarão hospedados em outros lugares e terão uma cota de ingressos para os jogos por atleta. No hotel, apenas os 91 membros da delegação da seleção brasileira, de forma reservada, sem acesso ao lobby principal para quem vem da rua.


Foco na competição com ajuda da tecnologia e redes restritas


O espaço luxuoso, mas simples, tem o objetivo de potencializar o bem estar dos jogadores e manter o foco na competição. Para isso, a CBF investe em um chef próprio para um cardápio balanceado, além do uso de tecnologia e de material esportivo de alto rendimento. Os jogadores serão monitorados por scanners e sensores para ampliar o monitoramento físico durante as partidas. Desde a apresentação dos 26 convocados, também são utilizados calçados desenvolvidos com base na neurociência. O Nike Mind 001 (mule) é capaz de estimular áreas sensoriais do cérebro por meio da sola do pé e intensificar a percepção corporal do atleta, conectando-o ao presente e ampliando sua consciência física e mental.


As redes sociais são um capítulo à parte. A CBF tem uma manual de conduta em que os atletas sabem as regras de funcionamento do uso de celulares, e o grupo é consciente do impacto disso na concentração. Questionado sobre o tema, o volante Casemiro disse que não vê necessidade de restrição, mas afirmou que, em sua opinião, os jogadores poderiam diminuir o tempo de exposição às plataformas.


- Sobre a rede social, é uma opinião minha: poderíamos diminuir um pouco da rede social nas nossas vidas. Principalmente porque acho que o ser humano não está preparado para receber tanta informação que recebemos hoje no celular. É uma opinião minha, cada um toma a decisão que quiser, todo mundo aqui já é pai de família. Sou um cara que tenho minhas redes sociais, aprovo tudo que for colocado. Tenho as informações de tudo que está acontecendo no mundo, claro, mas se pudesse diminuir um pouco seria muito importante -, declarou.


A diminuição dos estímulos depois do início de preparação com festa para incentivar a busca do hexa é uma preocupação na CBF. No CT nos Estados Unidos, haverá atividades fechadas em sua maioria, com segurança policial reforçada. O foco é restringir o acesso cada vez mais e, proporcionalmente, intensificar os trabalhos para os jogos da primeira fase. Mas tudo de forma equilibrada.


Em 2022, no Catar, o técnico Tite adotou um regime mais rígido. A equipe que foi eliminada nas quartas de final para a Croácia teve apenas algumas horas de folga no dia seguinte ao jogo contra a Suíça, partida pela segunda rodada da fase de grupos. Os jogadores foram liberados após o jantar, mas tiveram de retornar para dormir no hotel. Desta vez, haverá uma liberdade um pouco maior, desde que os atletas respeitem o manual de conduta.


Sobre o hotel


O The Ridge Hotel funciona como um espaço corporativo vinculado a uma empresa de telecomunicações, com acesso controlado e estrutura voltada também para eventos e hospedagem de executivos. O local possui 171 quartos e passou por uma grande reforma concluída em 2018, com projeto assinado por uma das principais empresas globais de arquitetura e design.


As áreas comuns foram modernizadas, incluindo lobby, lounge, biblioteca, academia e espaços para reuniões. O empreendimento também conta com dezenas de salas de eventos e será reservado exclusivamente para a delegação brasileira durante a Copa.


CT Reformado e disputado


O centro de treinamento da equipe será o Columbia Park, em Morristown, também em Nova Jersey, estrutura utilizada pelo New York Red Bulls e equipada com campos, academia e vestiários. Há pelo menos seis viaturas da polícia fazendo a segurança do local só em um dos acessos.


O clube inaugurou em abril a estrutura reformada. O CT se destaca por suas instalações de última geração, áreas de treinamento modernas, academias de ginástica, vestiários e escritórios administrativos, com foco em design sustentável e acessibilidade, visando proporcionar um ambiente de alto nível para o treinamento de futebol de elite.

Dentre todas as opções, a comitiva brasileira elegeu o Columbia Park a melhor alternativa, como explica Rodrigo Caetano, coordenador geral da seleção:


- Desde quando asseguramos a classificação, tomamos todos os cuidados para encontrar um lugar que pudesse oferecer a estrutura necessária de treinamento, com privacidade, modernidade e conforto - avaliou o dirigente.


Cabe lembrar que, de todas as bases oferecidas pela FIFA, Columbia Park foi a que recebeu mais pedidos das seleções que disputarão a Copa, o que reforça a importância da escolha.

- O objetivo principal era buscar melhor qualidade de gramados, hotéis, facilidades de logísticas, a menor diferença possível de fuso e outros fatores que poderiam influenciar positivamente no desempenho da seleção. Encontramos na região de Nova York/Nova Jersey as melhores condições em todos esses itens e isso pode fazer a diferença numa competição que é extremamente complicada diante da grandeza do evento - , completou Cícero Souza, gerente geral de seleções da CBF.


Foto: Reprodução/CBF TV

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.