Servidores cobram transparência sobre terceirizações e contratos; Instituto está sem pronto atendimento desde novembro de 2025 e Ministério Público apura possíveis irregularidades
Instituto de Assistência à Saúde dos Servidores Públicos do Município de Belém (Iasb) voltou ao centro de uma crise que se arrasta desde novembro do ano passado. Na segunda-feira, 14, servidores municipais protestaram em frente à sede do Instituto, no Marco, cobrando transparência na gestão, reestruturação do órgão, participação dos trabalhadores nas decisões e mudanças na direção.

O movimento ocorre enquanto o Iasb permanece sem o serviço próprio de pronto atendimento, fechado desde novembro de 2025. O episódio, que inicialmente teria sido apresentado como uma interrupção temporária para reforma do espaço, transformou-se em uma situação que permanece sem solução para os usuários.
O fechamento do pronto atendimento já havia provocado reação de servidores e sindicatos e chegou ao Ministério Público. Em junho deste ano, o MP instaurou inquérito civil para apurar possíveis irregularidades no Iasb. O procedimento é conduzido pelo promotor de Justiça Sandro Ramos Chermont e inclui, entre os pontos sob investigação, suspeitas relacionadas à utilização de documentos falsos por servidores para eventual obtenção de vantagem patrimonial indevida.
O inquérito também alcança o fechamento do pronto atendimento, terceirizações e contratos considerados mais caros, além da transferência de atendimentos dos segurados para a rede privada e dos possíveis impactos dessas medidas sobre a sustentabilidade do plano.
A denúncia que deu origem ao procedimento foi apresentada em dezembro de 2025, pouco depois da interrupção do serviço de urgência. A apuração ministerial não significa, por si só, conclusão sobre a existência de irregularidades ou responsabilidade individual. São fatos ainda submetidos à investigação.
Com o pronto atendimento próprio desativado, os usuários passaram a depender da rede credenciada para situações de urgência e emergência. O Iasb mantém relação de hospitais conveniados para diferentes modalidades de atendimento, incluindo pronto-socorro adulto e pediátrico, urgência obstétrica, internações, UTI e outros serviços especializados. Na prática, a mudança alterou a porta de entrada de servidores e dependentes que anteriormente contavam com atendimento próprio na sede do Instituto.
É justamente essa mudança que está no centro de parte das críticas dos servidores: a transferência da assistência para a rede privada exige respostas sobre custos, contratos, critérios de credenciamento e sustentabilidade financeira do plano.
A Prefeitura de Belém sustenta uma leitura diferente sobre o momento do Instituto. Em junho, anunciou a ampliação da rede de médicos especialistas credenciados, passando de 23 para 49 profissionais. Segundo a administração municipal, a medida faz parte de um conjunto de ações destinadas a ampliar o acesso às consultas especializadas, reduzir o tempo de espera e melhorar a assistência aos servidores e dependentes.
O presidente do Iasb, Humberto Bozi Spíndola, afirmou na ocasião que a ampliação representava avanço na assistência e permitiria aos usuários mais opções de atendimento. A prefeitura também mantém o Iasb como autarquia responsável pelo Plano de Assistência Básica à Saúde e Social dos servidores municipais. O Instituto tem sede na Travessa Doutor Enéas Pinheiro, no Marco.
O protesto de segunda-feira recolocou, portanto, uma pergunta que não desapareceu com o fechamento do pronto atendimento: o que está acontecendo com o modelo de assistência à saúde dos servidores municipais de Belém? Os sindicatos querem saber o que está sendo terceirizado, quanto custa, quais contratos foram firmados ou modificados e qual é o planejamento para o futuro do Instituto.
Também reivindicam um Conselho Gestor com participação direta dos trabalhadores e a substituição da atual direção. A manifestação ocorre enquanto o MP mantém sob investigação possíveis irregularidades na gestão do Instituto. De um lado, a prefeitura apresenta expansão da rede credenciada como medida de melhoria da assistência. De outro, servidores apontam perda de serviços próprios, falta de transparência e avanço da terceirização.
No meio dessa disputa está o usuário do plano - o servidor que contribui para o sistema e precisa saber, antes de precisar dele, quem vai atendê-lo e como o atendimento será pago.
·Ontem, a coluna somou quase R$ 4 milhões apreendidos em duas operações da PF em Belém. No fim do dia, veio a terceira operação: a Termidor, que investiga um esquema supostamente infiltrado na cadeia econômica do dendê e aponta faturamento de R$ 1 bilhão em quatro anos. Ou seja: Belém amanheceu contando milhões e terminou o dia contando bilhões.
·Eis o salto patrimonial declarado pelos irmãos Coelho em quatro anos, segundo os dados eleitorais. João Coelho teria passado de R$ 2,4 milhões, em 2020, para R$ 32,1 milhões em 2024. Adriano Coelho, de R$ 7,3 milhões, em 2022, para R$ 71,2 milhões em 2026. A matemática eleitoral tem dessas coisas: às vezes, a multiplicação é mais veloz que a campanha.
·Em plena crise do do STF, o abaixo-assinado de apoio ao ministro André Mendonça passou, ontem, de 500 mil assinaturas.
·A petição defende independência do Judiciário e respeito às instituições. Não é pesquisa de opinião nem plebiscito, mas meio milhão de adesões é um dado político que Brasília certamente não pode ignorar.
·Brasileiros que compraram imóveis na planta na era do dinheiro barato estão chegando às chaves diante de outro mundo: juros elevados e financiamento muito mais pesado. Resultado: os distratos de apenas dez grandes incorporadoras já somaram R$ 2,17 bilhões no primeiro semestre, uma alta de 27,7%.
·Quer dizer, o apartamento ficou pronto, mas o financiamento que cabia no sonho deixou de caber no salário...
·A Anatel abriu caminho para a internet via satélite chegar diretamente ao celular, sem a antena da Starlink. A empresa de Elon Musk já pediu frequências para oferecer voz, SMS e banda larga por satélite no Brasil. Quando a operação comercial for autorizada, a grande mudança será simples: onde a torre não chega, o satélite poderá chegar.
·Mas há um detalhe especialmente importante para a Amazônia: essa tecnologia tem potencial justamente para áreas rurais, ribeirinhas e regiões remotas onde a cobertura terrestre é precária ou inexistente, mas o aparelho precisará ser compatível e homologado.
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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