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PF mira contratos e apura fraudes no Pará envolvendo OS da área de saúde

CGU e MPF apontam indícios em gestão que movimentou mais de R$ 642 milhões.

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  • Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 23/04/26 17:00
PF mira contratos e apura fraudes no Pará envolvendo OS da área de saúde
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Controladoria-Geral da União e o Ministério Público Federal, com apoio da Polícia Federal, deflagraram na manhã de hoje, 23, a Operação Fratria, voltada à apuração de suspeitas de irregularidades na gestão de recursos públicos em contratos hospitalares no Pará. A ação cumpre nove mandados de busca e apreensão em Belém e Ananindeua.

Um dos pontos da operação fica em um edifício na rua dos Timbiras, em Batista Campos, Belém, 20º andar/Fotos: Divulgação.
O foco das investigações recai sobre contratos firmados entre o poder público e uma organização social de saúde (OS), responsável pela administração de unidades hospitalares. Segundo os órgãos de controle, análises preliminares identificaram indícios de fraude desde a fase de qualificação da entidade até a execução contratual.

Os números chamam atenção: a OS investigada recebeu mais de R$ 642 milhões em recursos públicos. As estimativas iniciais apontam para prejuízos que podem alcançar, ao menos, R$ 48 milhões.

Rastros administrativos

As apurações indicam possíveis irregularidades em processos administrativos, incluindo o chamamento público e a formalização dos contratos. Também estão sob análise suspeitas de improbidade administrativa e danos ao erário.

Os mandados judiciais foram expedidos pela Justiça Federal e atingem endereços residenciais e comerciais ligados à investigação. Um dos pontos de interesse fica no Edifício Baía Blanca, na rua dos Timbiras, bairro Batista Campos, em Belém, onde agentes estiveram no 20º andar.

Conexões antigas

O caso resgata estruturas já conhecidas do noticiário local. A organização social sob investigação tem histórico de participação em processos para gestão de grandes unidades de saúde no Estado, incluindo o Hospital Metropolitano de Belém, cujo contrato à época girava em torno de R$ 4,9 milhões mensais.

Esse mesmo processo chegou a ser questionado pela Ordem dos Advogados do Brasil no Pará (OAB-PA), que pediu a inabilitação da entidade. À época, pesavam suspeitas de ligação indireta com um ex-agente político já condenado em caso de grande repercussão, embora sem registro formal no quadro societário.

A OAB também solicitou a rescisão de contrato relacionado à gestão de unidade hospitalar no interior do Estado, reforçando dúvidas sobre a governança da organização.

 

Situação cadastral

Dados recentes indicam que a entidade investigada apresenta situação cadastral inapta junto à Receita Federal, o que amplia a complexidade do caso e levanta questionamentos sobre a regularidade de sua atuação em contratos públicos.

A Operação Fratria busca aprofundar o fluxo de recursos, identificar eventuais beneficiários e esclarecer a extensão das irregularidades. A investigação está em fase inicial e não houve, até o momento, divulgação oficial de alvos específicos.

A estratégia dos órgãos de controle tem sido concentrar esforços na coleta de documentos e dispositivos eletrônicos que possam comprovar a dinâmica dos contratos e a execução dos serviços.

Padrão recorrente

O modelo de contratação por organizações sociais na saúde, embora amplamente utilizado, já foi alvo de questionamentos em diferentes Estados, sobretudo em relação à transparência, controle de gastos e efetividade na prestação dos serviços. No Pará, o novo episódio recoloca o tema sob escrutínio, especialmente pelo volume de recursos envolvidos e pelo histórico de controvérsias associadas à entidade investigada.

Com o material apreendido, CGU, MPF e Polícia Federal devem avançar na análise técnica e jurídica dos contratos. A depender dos desdobramentos, o caso pode evoluir para responsabilização administrativa e judicial dos envolvidos.

Por ora, o que se tem é um conjunto robusto de indícios que coloca novamente sob foco a gestão de recursos públicos na saúde - um setor sensível, onde falhas de controle costumam ter impacto direto na ponta do serviço.

Papo Reto

O governo dos Estados Unidos anunciou a cassação do visto e a expulsão do delegado da PF Marcelo Ivo de Carvalho (foto), acusado de tentar contornar o rito formal de extradição do ex-deputado Alexandre Ramagem. O governo brasileiro já providenciou a substituição no posto. 

•Lula - com suas bravatas - reagiu ao episódio dizendo que o Brasil poderá adotar medida semelhante contra um agente americano caso fique comprovado abuso contra o delegado brasileiro. 

A fala elevou o tom diplomático e transformou o caso em mais um foco de atrito entre Brasília e Washington. 

•A Aneel liberou reajuste que chega a 20% na conta de luz de mais de 20 milhões de consumidores brasileiros. 

Em uma semana curta, a Câmara concentra sua pauta em temas como projeto sobre terras raras, a rastreabilidade do ouro, o transporte aéreo na Amazônia e mudanças em regras internas da Casa. Semana curta costuma exigir pressa… e alguma sorte. 

•O Tribunal de Contas da União deu 30 dias para que Casa Civil e Ministério da Defesa reformulem regras de uso de aeronaves da FAB por autoridades.

O TCU concluiu que a União poderia economizar aproximadamente R$ 81,6 milhões por ano, caso optasse integralmente por transportar suas autoridades em voos comerciais.

•Questão crítica é que boa parte das "autoridades" se acostumou com duas coisas: voar a hora que bem entender e ficar livre de qualquer contato com o público.

A morte por enforcamento de Luiz Phillipi Mourão, o "sicário" de Vorcaro, foi registrada por câmeras sem pontos cegos na Superintendência da PF em Belo Horizonte.

•A pergunta que ousa não calar é por que, se estava monitorado, não foi impedido de consumar o ato extremo.

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.