A tecnologia avança, porém corremos o risco de ter o campo mais tecnológico e o agricultor mais endividado da história.
Apesar das instabilidades do ambiente global, a transformação digital no campo avança no Brasil. Os números de 2026 revelam que, apesar das interpéries naturais e a limitação de crédito, o grande produtor rural, via de regra, já vem incorporando tecnologias para aumento de produtividade e sustentabilidade.
Para o médio e o pequeno produtor, entretanto, os mais atingidos pelos juros excorchantes impostos ao financimento de máquinas e equipamentos, o buraco é mais embaixo.
É verdade que o mercado de bioinsumos movimentou colossais R$ 6,2 bilhões ano passado. A área tratada com soluções biológicas atingiu o recorde de 194 milhões de hectares. Portanto, não são poucos os produtores já utilizando essa ferramenta no manejo para ganhar eficiência, mas a ausência de políticas públicas tem impedido tendência ser expandida, para ganho geral.
É fato que a mecanização inteligente movimenta tratores modernos, grandes e pequenos, operando como plataformas com GPS e telemetria para otimizar o trabalho.
A questão central é: quem está tendo acesso de fato a toda essa maravilha, já que os juros vêm tornando praticamente inviáveis os investimentos?
Sobre a gestão de riscos e conectividade, seria injusto ignorar um esforço da Embrapa, com simbólicos R$2 milhões, para monitorar riscos climáticos em culturas como soja e milho, usando dados e modelos para prever secas e geadas, que todo ano impõem milhões e milhões de prejuízos ao agricultor. Em nome da economia, já era hora de o Brasil ter construído ferramenta mais ousada para prevenir intempéries.
E a expansão do 5G no campo? Sim, ela já povoa máquinas, sensores e softwares, dando rastreabilidade e controle operacional em tempo real ao produtor rural. Mas conectividade é infraestrutura e sem energia elétrica estável e estradas para escoar a produção, o sensor em tempo real vira enfeite.
A onda de inovação chegou para ficar? Eu diria que, no mínimo, ela mostra um agro brasileiro se reinventando pela necessidade e competitividade, utilizando a tecnologia como motor de desenvolvimento mesmo em cenários adversos.
Digo mais: se a onda de inovação que chega ao Brasil não for democratizada, corremos o risco de ter o campo mais tecnológico e o agricultor mais endividado da história.
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Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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