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DECISÕES

Nomeações, saúde e concreto: ruídos da gestão de Belém vão se eternizando

Escolhas para cargos estratégicos, mudanças sem explicação na saúde e alterações em projeto urbano alimentam críticas.

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  • Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 10/06/26 11:00
Nomeações, saúde e concreto: ruídos da gestão de Belém vão se eternizando
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gestão do prefeito Igor Normando, do PSDB, enfrenta uma sequência de questionamentos que extrapola divergências políticas e alcança áreas sensíveis da administração municipal. Em poucos dias, vieram à tona críticas envolvendo nomeações para a área cultural, mudanças na prestação de serviços de saúde e alterações em projetos urbanísticos que haviam sido discutidos com a população ainda na gestão anterior.

Prefeito de Belém segue acumulando críticas por decisões consideradas equivocadas desde que assumiu o cargo/Fotos: Divulgação.
 Embora os episódios tenham naturezas distintas, todos convergem para um mesmo ponto: a crescente percepção de que decisões relevantes vêm sendo tomadas sem transparência suficiente ou sem o diálogo que delas se esperava.

Sob questionamento

A polêmica mais recente surgiu nas redes sociais após publicação do professor de História Matheus Leal apontar que a Secretaria de Cultura tem como secretária-adjunta, desde janeiro deste ano, a acadêmica de Odontologia Hanna Racquel Ferreira Sosinho. A nomeação foi formalizada por decreto assinado pelo prefeito em 14 de janeiro, com remuneração correspondente ao cargo DAS 301.10, próxima de R$ 15 mil mensais.

A repercussão não decorreu apenas da formação acadêmica da ocupante do cargo, mas também do fato de sua trajetória profissional conhecida não possuir vínculo direto com a gestão cultural. Em suas redes sociais, Hanna se apresenta como profissional da área de Recursos Humanos.

O debate ganhou dimensão política quando internautas passaram a relacioná-la à vereadora Pastora Salete Ferreira Souza, do PSD, integrante da base de apoio do governo municipal.

A discussão remete a outra nomeação que já havia provocado questionamentos anteriormente: a do matemático Josias Higino Filho para a direção do Museu de Arte de Belém (Mabe). Em ambos os casos, as críticas concentram-se na compatibilidade entre formação, experiência profissional e a natureza das funções exercidas.

Menos de duas semanas após assumir a secretaria-adjunta, Hanna foi designada para integrar a comissão responsável pela avaliação e julgamento de propostas relacionadas ao Carnaval de Belém 2026, ampliando sua participação em decisões relevantes da política cultural do município.

Mudanças silenciosas

Na área da saúde, o desconforto vem de outro setor. Pequenos laboratórios de análises clínicas que há anos prestam serviços à Prefeitura de Belém relatam estar sendo substituídos sem comunicação prévia e sem explicações formais por parte da Secretaria de Saúde. Segundo relatos recebidos pela coluna, alguns prestadores só descobriram a substituição ao chegarem para trabalhar e encontrarem outro laboratório executando os serviços.

A situação chama atenção porque muitos desses estabelecimentos convivem há anos com atrasos recorrentes nos pagamentos pelos exames realizados para a rede pública municipal. Empresários do setor afirmam que os repasses costumam demorar entre três e quatro meses, apesar de os recursos terem origem em verbas federais destinadas ao custeio da assistência.

Questionada sobre os critérios adotados para a substituição dos laboratórios, os nomes das novas empresas contratadas e o procedimento utilizado para a seleção dos prestadores, a administração municipal não apresentou esclarecimentos.  O silêncio acabou ampliando as dúvidas em torno do processo.

Cidade sob concreto

Se na cultura e na saúde os questionamentos recaem sobre pessoas e procedimentos, no urbanismo as críticas se concentram sobre o desenho da cidade. Moradores da avenida Romulo Maiorana, antiga 25 de Setembro, acompanham com preocupação as obras de reurbanização em andamento. O motivo é a transformação gradual de áreas dos canteiros centrais em espaços concretados destinados a estacionamento.

Segundo representantes da comunidade, a alteração não constava da proposta original debatida com moradores e entidades locais durante o processo de elaboração do projeto. Na concepção inicial, desenvolvida ainda na administração anterior, a ampliação da capacidade viária deveria conviver com espaços de lazer, convivência e uso comunitário. Os estacionamentos seriam implantados lateralmente, preservando o caráter público dos canteiros centrais. O cenário observado atualmente, porém, aponta em outra direção.

Na quadra compreendida entre a avenida Lomas Valentinas e a travessa Barão do Triunfo, uma área prevista para atividades esportivas deu lugar a um amplo estacionamento. A mudança também provocou reclamações entre integrantes da Comissão de Fiscalização das Obras, formada por moradores da região. A principal crítica é que a alteração teria ocorrido sem nova consulta pública ou diálogo com a comunidade diretamente afetada.

Gestão sob observação

Nenhum governo escapa ao desgaste provocado por decisões impopulares. O problema surge quando episódios distintos começam a compor uma narrativa única. Hoje, as críticas dirigidas à administração Igor Normando já não se limitam a uma nomeação específica, a um contrato ou a uma obra. Elas alcançam a forma como as decisões vêm sendo tomadas.

Na cultura, questiona-se a qualificação técnica. Na saúde, cobra-se transparência. No urbanismo, pede-se participação popular. São áreas diferentes, mas a cobrança é a mesma: explicar melhor, dialogar mais e justificar escolhas que impactam diretamente a vida da cidade. Em administração pública, tão importante quanto decidir é convencer a sociedade de que a decisão foi a correta.

Papo Reto

A criação da Universidade Federal do Xingu deu mais um passo importante com a aprovação do projeto do senador Zequinha Marinho (foto) pelo Senado. 

•Fruto do desmembramento do campus da UFPA em Altamira, a nova instituição nasce com potencial para atender uma região de quase meio milhão de habitantes e levar ensino, pesquisa e extensão a uma das áreas mais estratégicas da Amazônia. 

Agora, a expectativa é que Brasília mantenha o entusiasmo da votação quando chegar a hora de garantir orçamento, estrutura e pessoal. Universidade no papel já existe aos montes; o desafio é fazê-la existir de verdade.

•Moradores denunciam um crime que estaria sendo cometido em área de preservação ambiental próxima à orla de Ananindeua, às margens do rio Maguari. A área está sendo tomada pela devastação, com prejuízos à fauna e à flora da região.

Aliás, as redes sociais têm mostrado o aumento das invasões na Região Metropolitana de Belém. O que se questiona é o que estaria por trás dessas ações: candidatos a cargos políticos ou movimentos sociais? 

•A população das proximidades não se mostra conivente e está denunciando as tentativas de invasão, gravando, expondo e denunciando, buscando que poder público seja pressionado e passe a agir. 

O parlamento do País de Gales Galês aprovou lei eleitoral, em março deste ano, que prevê punição para candidatos ou políticos que fizerem declarações factuais falsas ou enganosas de forma intencional. 

•A punição principal é a perda de mandato para quem for considerado culpado por meio de um processo judicial independente. 

A medida foca estritamente em declarações falsas feitas durante campanhas eleitorais para influenciar o voto e não pune políticos por mentiras cotidianas ou opiniões dadas no exercício regular do mandato fora do período eleitoral. 

•A nova regra só deverá ser implementada e validada para as eleições de 2030 ou mais tarde.

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.