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MEIO AMBIENTE

MPF recomenda suspensão imediata de venda de créditos de carbono no Pará

Órgão pede a nulidade de contrato no valor de R$ 1 bilhão; especialista defende que medida pode enfraquecer mercado brasileiro.

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  • Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 14/04/26 08:00
MPF recomenda suspensão imediata de venda de créditos de carbono no Pará
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Ministério Público Federal emitiu um ofício recomendando a suspensão imediata de todos os processos de certificação e venda de créditos de carbono no Pará. O órgão argumenta que a certificação só poderia ter continuidade após a conclusão da ação civil pública ajuizada pelo MPF em 2025, que aponta irregularidades em um contrato de créditos de CO2 firmado pelo Estado no valor de R$ 1 bilhão.

 

A US$ 15 por tonelada de CO2, essa foi a maior venda de créditos de carbono da história, atingindo R$ 1 bilhão/Foto: Divulgação

O ofício foi encaminhado no dia 2 de abril à Secretaria da Arquitetura para Transações REDD+, certificadora que estabelece padrões internacionais para créditos de carbono. Procurado, o governo do Pará não se manifestou até a publicação desta reportagem.

Negócio bilionário

A ação civil pede a anulação de um contrato firmado entre o governo do Pará e a organização Emergent Forest Finance Accelerator Inc., além da suspensão da elegibilidade do Estado para o mercado de carbono.

Em 2025, o então governador Helder Barbalho anunciou a venda de 12 milhões de créditos de carbono para a Coalizão Leaf, grupo representado pela Emergent que reúne os governos dos Estados Unidos, Reino Unido, Noruega e Coreia do Sul, além de empresas como Amazon, Bayer e Fundação Walmart. No valor de US$ 15 por tonelada de CO2, essa foi a maior venda de créditos de carbono da história, atingindo R$ 1 bilhão.

“Prática ilegal”

De acordo com a ação, esse contrato violaria a Lei Federal 15.042/2024, que proíbe qualquer tipo de venda antecipada de créditos de carbono de programas jurisdicionais referente ao período futuro. O MPF argumenta que estabelecer preços fixos e quantidades de reduções de emissões antes da sua verificação e certificação é uma prática ilegal na legislação brasileira.

Além disso, o órgão também afirma que o processo de consulta às populações indígenas, quilombolas e demais comunidades tradicionais da área não foi concluído. O MPF também pediu a incorporação do ofício como comentário oficial no registro público da certificadora, para que investidores e compradores sejam alertados sobre a insegurança jurídica e o litígio que envolve o projeto paraense.

Sete projetos na mira

A recomendação afeta pelo menos sete projetos do mercado de carbono estadual paraense, com um potencial estimado de cerca de 260 milhões de toneladas de emissões reduzidas ou evitadas entre 2023 e 2027, de acordo com o governo do Estado.

Segundo a especialista em governança climática Ana Luci Grizzi, não houve venda antecipada de créditos de carbono à empresa Emergent, e sim um pré-acordo para validar um contrato preliminar para a futura transação. Ela defende que é preciso haver previsibilidade nos valores de iniciativas governamentais de crédito de carbono, já que elas exigem fluxo contínuo de recursos para viabilizar políticas públicas.

Cadeia ameaçada

Para a especialista, a interrupção de processos como o do Pará pode contribuir para desmontar a cadeia de valor desse negócio. "Sem previsibilidade de receitas futuras, perde-se capacidade de investimento e isso pode enfraquecer ações de controle do desmatamento e governança do uso da terra", afirma Grizzi.

Papo Reto

Líder do governo na Assembleia Legislativa, o deputado Iran Lima (foto) também vestiu o pijama no serviço público. Assim como a governadora Hana Ghassan, Iran Lima se aposentou da carreira de auditor fiscal da Secretaria da Fazenda.

•Iran Lima caminha para a reeleição e é cotado como futuro presidente da Casa.  O Instituto de Gestão Previdenciária e o Tribunal de Contas do Estado validaram uma aposentadoria no valor de 86.377,18 de salário bruto.

A concessionária Águas do Pará informa que vem avançando na recuperação do sistema de abastecimento de água em São João de Pirabas. A ideia é ampliar a oferta e restabelecer a regularidade do fornecimento.

•Desde o início da operação, áreas que enfrentavam longos períodos sem abastecimento já começaram a ser atendidas após intervenções na rede de distribuição. 

A concessionária também colocou novamente em funcionamento dois poços que estavam inativos e segue com um cronograma contínuo de manutenção em outros nove.

•As ações fazem parte de um processo de recuperação de estruturas que estavam há anos sem intervenções completas e que exigem ajustes operacionais ao longo da execução. Por isso, esclarece, o abastecimento pode apresentar oscilações temporárias em algumas áreas.

A empresa reforça que o trabalho é contínuo e que a população sentirá um avanço progressivo na regularização do fornecimento, com mais estabilidade no abastecimento à medida que as melhorias são concluídas.

•O "Desenrola 2.0" permitirá acesso ao FGTS só para quem ganha até cinco salários mínimos e, no máximo, 20% do saldo das contas.

Ou seja, o trabalhador só poderá sacar o seu fundo de garantia se conseguir quitar todas as dívidas.

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.