TSE tenta organizar, mas uso desmedido de ferramentas de tecnologia no jogo político segue agressivo e sem controle.
oi-se o tempo em que um assessor de imprensa ou de comunicação, ou mesmo um assessor parlamentar - daqueles que andam mais colados à agenda de um político, resumia suas atividades do cotidiano ao que realmente mandava o script da função. Em tempos de guerra digital, cabe a esses profissionais saber tudo em tempo recorde, sob o risco de ataques nas redes se tornarem massacres e resultarem em fracasso.

Com novas e agressivas ferramentas tornando o processo eleitoral uma terra cada vez mais sem lei, investir na desconstrução de um adversário político ganhou espaço e orçamento específicos por quem não tem limite na busca por um mandato. Dependendo do concorrente e do caráter - ou da falta dele -, o investimento no “jogo baixo” é quase proporcional ao usado na promoção legal de um candidato.
A mais vil dessas ferramentas atende pelo nome de robô, ou chatbot: perfis fakes comprados normalmente de empresas estrangeiras e que são programados para massacrar qualquer um e com a ofensa que for sem ser incomodado por órgão, justiça ou empresa gerenciadora porque, simplesmente, são descartáveis. Ninguém sabe de onde vieram, a foto estampada no avatar é uma mentira, mas o objetivo é claro e tão funcional quanto a própria internet.
O problema é que a ofensa do conteúdo robotizado existe, assim como os estragos provocados por essas ofensas. Aí entra o papel do assessor de imprensa, que antes voltava sua energia e mão de obra para promover a imagem de seu assessorado, mas hoje precisa gastar muito do tempo de atividade apenas para “limpar" a timeline do político e garantir que, ao menos na rede, ninguém fala mal dele ou dela.
Na Alepa, por exemplo, tornou-se praxe saber lidar com o conteúdo robotizado na internet - e isso em todos os aspectos, porque há quem elimine e há quem procure - para assumir uma vaga de assessoria num dos gabinetes de deputado. Dia desses, um candidato foi preterido, mesmo com mestrado no currículo, porque foi honesto o suficiente, durante a entrevista de emprego, e revelar que “não sabe nem por onde vai esse negócio de conteúdo robotizado e tráfego pago”. Ficou de fora.
Quem gerencia uma conta de político sabe o quanto dá trabalho fazer varredura numa publicação com 2 mil comentários, por exemplo, e bloquear, um por um, os perfis falsos que tentam desmoralizar, escandalizar, desmerecer e ofender o político que realizou a postagem.
Na maioria das vezes, as ofensas sequer têm a ver com a publicação em questão. O fato é usar o terreno fértil para diminuir o adversário e, a partir de publicações positivas do outro lado, ocupar o espaço dele.
A prefeita de Marituba, por exemplo, no auge da crise em que foi acusada de pivô pelo fim do relacionamento do prefeito de Mãe do Rio, Bruno Rabelo, precisou ‘dar um tempo’ nas postagens porque, nem mesmo reforçando a equipe de comunicação, era possível combater o excesso de comentários ofensivos em cada postagem. É bem verdade que nem todas as ofensas vinham de perfis fakes, mas, no caso dela, a ordem era excluir todo o qualquer perfil que a detonasse nas redes. Por isso que, hoje, a timeline parece estar “mais limpa”.
A Justiça Eleitoral tenta, mas a sensação é de que está sempre um passo atrás quando o assunto é a esperteza com que os recursos de tecnologia são usados para promover ou desconstruir alguém na internet. Até agora, por exemplo, não se sabe o que fazer, juridicamente, sobre o vídeo de IA de Jair Bolsonaro, usado pelo filho Flávio Bolsonaro durante evento de lançamento da sua candidatura à Presidência da República. Após críticas ao vídeo de Jair Bolsonaro feito por IA, Flávio afirmou que a equipe "estudou a legislação" e que o conteúdo estava em conformidade com as normas do TSE.
Para tentar diminuir essa diferença, o TSE jogou para as plataformas a responsabilidade de identificação desse conteúdo, assim como a obrigação de remover cada um deles sempre que um abuso for constatado. A portaria publicada pelo órgão no último dia 29 traz regras que devem ser cumpridas na elaboração de um plano de conformidade por parte de todas as empresas com mais de cinco milhões de usuários.

•As pesquisas divulgadas às vésperas do primeiro turno de 2022 subestimaram Jair Bolsonaro e, em geral, superestimaram Lula (foto). O histórico levanta dúvida sobre a existência de apoio a Flávio ainda não captado pelos institutos.
•Segundo a BTG/Nexus, Flávio Bolsonaro subiu quatro pontos em uma semana, de 33% para 37%. No mesmo período, Lula oscilou de 42% para 41%.
•A distribuição do horário eleitoral gratuito para a Presidência já pode ser projetada com base nas bancadas da Câmara dos Deputados. Com a candidatura à reeleição oficializada, Lula seguirá no comando do Planalto durante a campanha, mas terá de cumprir uma série de restrições. Nada de usar a máquina pública.
•A exportação de açaí para a China virou alvo de troca de provocações entre Eduardo Bolsonaro e Pedro Campos nas redes sociais. Embate misturou soberania nacional, tarifaço dos EUA e comércio exterior.
•No Mato Grosso, duas capivaras passearam pela Assembleia Legislativa. Passeio foi interrompido quando os animais chegaram à área controlada por catracas e decidiram retornar.
•Defesa do ex-deputado Daniel Silveira declarou ao STF que participação em vídeo publicado pelo senador Carlos Portinho não violou cautelar que proíbe o uso de redes sociais.
•O partido Missão lançou oficialmente a candidatura de Renan Santos à presidência, prometendo consolidar o partido como uma alternativa à polarização entre PT e bolsonarismo.
•Tarcísio de Freitas teve a candidatura à reeleição oficializada e reafirmou a aliança com Jair Bolsonaro durante a convenção. Em discurso, declarou amar o ex-presidente.
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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