Livro "A Maldição da Noz-moscada", de Amitav Ghosh, levanta debate sobre entraves ambientais, pressão e decisões tomadas longe da Amazônia.
antiga disputa colonial pelas especiarias asiáticas, que nos séculos XVI e XVII levou europeus a subjugar territórios e populações nas ilhas Banda, na atual Indonésia, volta ao debate contemporâneo como metáfora para compreender a Amazônia brasileira. A comparação aparece no livro The Nutmegs Curse, do escritor indiano Amitav Ghosh, obra que inspirou uma reflexão sobre o destino da maior região florestal do planeta e os impasses que cercam seu desenvolvimento.

Segundo essa leitura, o modelo colonial que extraía riquezas naturais enquanto decisões e lucros eram concentrados em centros distantes guarda semelhanças com dilemas enfrentados hoje pela Amazônia. A região, rica em recursos naturais e potencial energético, convive com um emaranhado de restrições legais, pressões institucionais e disputas políticas que acabam produzindo um ambiente de forte insegurança jurídica.
Na prática, o debate aparece em sucessivos impasses envolvendo grandes projetos de infraestrutura e exploração econômica. Um dos casos mais emblemáticos é o da Ferrogrão, ferrovia planejada para ligar Sinop, em Mato Grosso, ao Porto de Miritituba, no Pará. O projeto, defendido por setores do agronegócio e da logística por reduzir custos de transporte e emissões de carbono, enfrenta há anos batalhas judiciais e questionamentos ambientais que impediram sua implementação.
Situação semelhante ocorre no setor energético. Embora a Amazônia concentre grande potencial hidrelétrico ainda não explorado, a construção de novas usinas enfrenta resistência crescente. Estudos citados por especialistas apontam que a região possui dezenas de gigawatts de potencial inventariado. Sem esses empreendimentos, argumentam defensores das obras, o sistema elétrico nacional pode depender cada vez mais de fontes térmicas movidas a combustíveis fósseis ou de tecnologias importadas de armazenamento de energia, como baterias de grande porte.
Paradoxalmente, decisões pontuais acabam abrindo exceções nesse cenário. Um exemplo frequentemente citado é a implantação de uma usina termoelétrica a gás em Barcarena, no Pará. O empreendimento utiliza gás natural liquefeito importado e depende de navios regaseificadores estrangeiros, o que, segundo críticos, encarece a energia e introduz fontes fósseis em uma matriz elétrica regional predominantemente renovável.
O setor mineral também reflete os conflitos. Projetos como o da mineradora Belo Sun, em Senador José Porfírio, no Pará, aguardam há anos decisões judiciais e licenças ambientais. Caso semelhante ocorre com a exploração de potássio em Autazes, no Amazonas, mineral estratégico para fertilizantes que o Brasil continua importando em grande escala.
No campo logístico, outro exemplo recorrente é o do Pedral do Lourenço, no rio Tocantins. A obra de derrocagem - retirada de rochas do leito do rio - permitiria a navegação contínua e ampliaria o uso da hidrovia Tocantins-Araguaia, considerada alternativa mais barata e eficiente ao transporte rodoviário. O projeto, entretanto, enfrenta há mais de uma década sucessivas discussões técnicas, ambientais e judiciais.
A mesma lógica se repete em iniciativas para estudos de dragagem em grandes rios amazônicos, como Tapajós, Tocantins e Madeira. Propostas chegaram a ser autorizadas, mas acabaram revogadas após pressões de organizações indígenas e ambientalistas.
Para críticos desse modelo, o resultado prático é a consolidação de uma espécie de “indústria do não pode”, na qual sucessivas restrições acabam bloqueando projetos estruturantes sem que alternativas claras sejam apresentadas. O argumento central é que a região permanece submetida a decisões tomadas em centros políticos e institucionais distantes, enquanto suas populações continuam à margem dos benefícios econômicos gerados por seus próprios recursos naturais.
O debate, evidentemente, está longe de ser consensual. Ambientalistas alertam que a Amazônia desempenha papel crucial na estabilidade climática global e que grandes obras podem gerar impactos irreversíveis. Já defensores do desenvolvimento regional sustentam que a proteção ambiental não pode significar a paralisação permanente de iniciativas capazes de gerar emprego, infraestrutura e renda.
Entre esses dois polos, a Amazônia permanece no centro de uma disputa que mistura geopolítica, economia e meio ambiente - uma discussão que, à semelhança das antigas rotas das especiarias evocadas por Ghosh, ultrapassa as fronteiras do Brasil e ganha cada vez mais peso no cenário internacional.
E uma questão que permanece aberta: quem decide o futuro da Amazônia - e em benefício de quem?

•O ministro Gilmar Mendes (foto), do Supremo Tribunal Federal, foi às redes condenar a divulgação de conversas privadas ligadas ao chamado “caso Master”, classificando a exposição como “barbárie institucional” e ataque à intimidade.
•A crítica veio em tom de alerta sobre limites constitucionais e proteção da vida privada.
•O detalhe é que a própria plataforma X exibiu logo abaixo um aviso lembrando que a Lei Orgânica da Magistratura Nacional proíbe magistrados de comentar publicamente processos em andamento.
•Em tempos de ruído institucional, até a rede social resolveu citar a lei que deveria falar sozinha - ou, no caso, sem arroubos, por sua excelência.
•O pré-candidato ao governo de Minas Gerais pelo MBL, Ben Mendes, publicou cenas de uma briga em que se envolveu na cidade de Betim, Região Metropolitana de BH, por - acreditem - não conseguir retirar um item comprado no local.
•Nem mesmo a mulher que tentou contê-lo escapou dos empurrões. Em seguida - e cheio de marra -, ele foi para as redes sociais justificar a atitude e vestir-se de uma razão reiterada pelo presidente nacional do partido, Renan Santos. Seria essa a solução para os problemas do Brasil?
•Um edifício em construção na cidade de Porto Belo, litoral norte de Santa Catarina, mostra a tendência sobre o que pensam os arquitetos e ambientalistas para associar modernidade e preservação ambiental.
•O prédio terá uma floresta suspensa no 6º pavimento, integrada à área de lazer, que contará com 67 árvores frutíferas e espécies nativas da Mata Atlântica com até 7 metros de altura. Com isso, o empreendimento espera contribuir com a captura anual de 0,7 a 2,0 toneladas de CO₂.
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
ALina Kelian
19 de Maio de 2018 ResponderLorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipisicing elit, sed do eiusmod tempor incididunt ut labore et dolore magna aliqua. Ut enim ad minim veniam, quis nostrud exercitation ullamco laboris nisi ut aliquip ex ea commodo consequat.
Rlex Kelian
19 de Maio de 2018 ResponderLorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipisicing elit, sed do eiusmod tempor incididunt ut labore et dolore magna aliqua. Ut enim ad minim veniam, quis nostrud exercitation ullamco laboris nisi ut aliquip commodo.
Roboto Alex
21 de Maio de 2018 ResponderLorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipisicing elit, sed do eiusmod tempor incididunt ut labore et dolore magna aliqua. Ut enim ad minim veniam, quis nostrud exercitation ullamco laboris nisi ut aliquip ex ea commodo consequat.