Estudo revela demora crônica e falta de condenação em parte dos casos, ampliando sensação de impunidade.
m homicídio no Brasil leva, em média, quase nove anos para chegar ao fim - da investigação policial ao trânsito em julgado. E mesmo depois dessa longa travessia, cerca de 22% dos casos terminam sem qualquer condenação. Os dados foram apresentados em estudo conduzido pela Universidade Federal de Minas Gerais, com base em milhares de processos analisados em todo o País.

O levantamento reacende um debate recorrente: a dificuldade de elucidar homicídios não está apenas na ponta da investigação policial, mas em todo o funcionamento do sistema de justiça criminal.
O tempo médio da fase policial gira em torno de um ano. O restante se arrasta no Judiciário. Só a etapa do júri, que já foi mais célere, hoje consome quase seis anos. A morosidade não é causada por um único fator. Vai da preservação precária da cena do crime à demora na produção de provas, passando por falhas na tramitação processual. O efeito é cumulativo e devastador.
Um exemplo simbólico está na ausência de laudos essenciais: cerca de 40% dos processos analisados não tinham sequer o exame de necropsia anexado. Sem isso, juridicamente, a prova simplesmente “não existe”.
O problema não é só tempo; é também método. Cada Estado registra homicídios de forma diferente, o que dificulta qualquer tentativa de comparação nacional.
O estudo foi apresentado no contexto da criação do Indicador Nacional de Elucidação de Homicídios, instituído pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. A proposta é padronizar critérios e dar mais transparência aos dados.
Hoje, a fragmentação é regra. Há casos que mudam de classificação conforme o órgão consultado. Outros “mudam de cidade” dependendo do critério estatístico adotado.
Especialistas ouvidos no debate reforçam: investigar homicídios não é só questão de polícia. É ferramenta estratégica de inteligência criminal - inclusive para entender o funcionamento do crime organizado e suas conexões com estruturas públicas.
A demora e a ausência de desfecho penal, no entanto, enfraquecem esse potencial. E alimentam a percepção social de que matar no Brasil pode não dar em nada.
Quase uma década para julgar um assassinato - e, ainda assim, com chance relevante de não dar em condenação. O sistema que deveria responder à violência acaba produzindo outro efeito: a normalização da impunidade.

•O engenheiro de pesca Édipo Araújo Cruz (foto) foi nomeado novo ministro da Pesca e Aquicultura.
•Cruz é paraense, de São Miguel do Guamá, estudou e se formou Ufra, possui mestrado em Aquicultura e doutorado em Ecologia Aquática e Pesca pela UFPA, com experiência na University of Florida.
•Nikolas Ferreira e Eduardo Bolsonaro agitaram o fim de semana ao trocarem críticas nas redes sociais. Eduardo acusou Nikolas de desrespeito e de ampliar a visibilidade de perfis críticos ao bolsonarismo.
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Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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