Ranking da violência doméstica coloca o Pará entre os seis estados com as menores taxas registradas nesse tipo de delito
Belém, PA - O enfrentamento à violência doméstica e ao feminicídio tem mobilizado governos, sociedade civil e empresas privadas que apostam no acolhimento e na disseminação de informação como ferramenta para fazer parte desse movimento. Nos últimos meses, o tema ganhou ainda mais visibilidade diante do aumento de casos registrados e da necessidade de ampliar a rede de proteção às mulheres.
No ranking da violência doméstica, o Pará aparece entre os seis estados com as menores taxas registradas, de acordo com a 17ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Ainda assim, entre 2024 e 2025, houve um aumento de cerca de 23% nos casos de feminicídio. Diante do cenário preocupante, órgãos públicos e instituições da sociedade civil vêm intensificando ações de prevenção, proteção e responsabilização de agressores.
E a iniciativa privada também se junta a essa mobilização. A Suzano, por exemplo, lançou recentemente um canal de acolhimento para vítimas de violência de gênero, voltado a colaboradoras e colaboradores que enfrentam situações de violência doméstica ou psicológica. O atendimento é realizado por profissionais especializados, como assistentes sociais, e pode incluir apoio jurídico e orientação para acesso à rede de proteção.
Além do suporte direto às vítimas, a empresa promove ações educativas e campanhas de conscientização entre os colaboradores(as) e comunidades, com o objetivo de identificar situações de violência e incentivar a denúncia. Especialistas apontam que esse tipo de iniciativa empresarial pode ampliar o alcance das políticas públicas, principalmente porque muitas vítimas de violência continuam trabalhando e encontram no ambiente profissional um espaço seguro para buscar ajuda.A empresa desenvolve, ainda, um trabalho contínuo junto a seus(as) colaboradores(as), por meio de práticas internas que reforçam e orientam sobre a importância dessa pauta.
“Violência contra a mulher não é um problema privado, é uma violação que impacta famílias, comunidades e o ambiente de trabalho. Como empresa, criar um espaço de acolhimento para vítimas de violência de gênero é assumir o compromisso em ouvir e apoiar nossas colaboradoras e colaboradores. Nosso objetivo é criar um ambiente seguro e oferecer um canal para que pessoas que estejam vivendo situações de violência saibam que não estão sozinhas e que podem encontrar aqui escuta qualificada, orientação e encaminhamento para a rede de proteção. A segurança é um valor inegociável em nossa cultura”, ressalta Gisele Oliveira, coordenadora de Gente e Gestão na Suzano.
O enfrentamento à violência doméstica no Pará depende da atuação conjunta de diferentes setores. Leis como a Maria da Penha estabelecem medidas de proteção às vítimas e punição aos agressores, mas especialistas destacam que a efetividade dessas políticas exige estrutura de atendimento, campanhas educativas e participação da sociedade. Nesse contexto, a união entre poder público, empresas e organizações da sociedade civil vem sendo apontada como uma estratégia fundamental para ampliar a prevenção, fortalecer a rede de acolhimento e reduzir os índices de violência contra mulheres no estado.
“Ações como essa são primordiais no enfrentamento à violência contra a mulher. É importante que não só o poder público, mas também a sociedade, as empresas, estejam unindo esforços nesse enfrentamento. Então, ações realizadas em empresas transformam o ambiente trabalhista em um espaço de acolhimento, fortalecendo as mulheres, empoderando essas mulheres e facilitando esse acesso à informação e aos canais de denúncia. A Polícia Civil entende que é um projeto de extrema relevância, onde mulheres podem ter acesso a informações, ao acolhimento e ao encaminhamento para a rede de proteção”, afirma a delegada Emanuela Amorim, titular da Diretoria de Atendimento a Grupos Vulneráveis (DAV) da Polícia Civil.
No Pará, o governo tem trabalhado na construção de um pacto de enfrentamento ao feminicídio, articulando órgãos de segurança, justiça e políticas sociais para fortalecer a rede de atendimento às vítimas. A iniciativa reúne instituições como Polícia Civil, Ministério Público e a Secretaria de Estado das Mulheres para ampliar a investigação de crimes e garantir apoio mais rápido às vítimas.
Entre as estratégias discutidas estão o reforço das delegacias especializadas, maior integração entre os órgãos de segurança e o acompanhamento de casos para assegurar que agressores sejam identificados e responsabilizados. Além disso, o estado também participa de iniciativas nacionais de enfrentamento à violência de gênero, alinhadas ao Pacto Nacional contra o Feminicídio, que busca tornar a proteção às mulheres uma prioridade nas políticas públicas do país.
Denúncias
A Polícia Civil do Pará disponibiliza à população a Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher Virtual (DEAM Virtual), ferramenta que permite o registro de ocorrências e a solicitação de medidas protetivas em casos de violência doméstica e familiar. O serviço funciona 24 horas por dia e pode ser acessado pelo site da PCPA.
Outra forma de denúncia é o número 181, que garante anonimato e gratuidade para quem deseja informar casos de violência contra a mulher. Também está disponível o serviço de inteligência artificial anônima “Iara”, pelo WhatsApp (91) 8115-9181.
Foto: Agência Pará
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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