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Conscientização

Direção do Bosque alerta: alimentar macacos coloca animais e visitantes em risco

Orientações buscam proteger a saúde dos primatas, evitar mudanças de comportamento e reduzir riscos de transmissão de doenças

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  • Da Redação | Com a Agência Belém
  • 23/05/26 14:00
Direção do Bosque alerta: alimentar macacos coloca animais e visitantes em risco

Belém, PA - Em meio ao verde denso da floresta que resiste no coração de Belém, pequenos habitantes chamam a atenção de quem atravessa as trilhas do Bosque Rodrigues Alves. Ágeis, curiosos e muitas vezes ousados, os macacos que vivem no espaço se tornaram uma das atrações mais observadas pelos visitantes - e também o centro de um alerta constante da equipe técnica do parque.


Entre um olhar encantado e um clique de celular, o que parece apenas um encontro espontâneo com a natureza esconde uma relação delicada que exige responsabilidade. É justamente nesse ponto que o Bosque intensifica o trabalho de orientação: lembrar ao público que, por trás da proximidade e da aparente docilidade dos animais, existe um ecossistema que depende de equilíbrio - e de limites que não podem ser ultrapassados.


Administrado pela Prefeitura de Belém, o Bosque reforça diariamente ações de conscientização para orientar visitantes sobre o convívio responsável com os macacos que habitam a área. O principal alerta é direto: não alimentar os animais.


A medida busca proteger a saúde dos primatas, evitar mudanças de comportamento e reduzir riscos de transmissão de doenças, além de garantir a segurança dos próprios visitantes.


Atualmente, o Bosque abriga cerca de 40 macacos, distribuídos em dois bandos com aproximadamente 20 animais. Eles vivem em sistema semi-cativo, circulando livremente pela área florestal, mas sob monitoramento e manejo técnico da equipe ambiental.


Entre as espécies presentes no parque está o Saimiri collinsi, conhecido popularmente como macaco-de-cheiro, um dos primatas mais característicos da região amazônica e frequentemente avistado pelos visitantes durante os passeios.


Alimentação controlada e risco das “guloseimas”


Segundo a direção do parque, os primatas recebem alimentação balanceada diariamente, preparada de forma adequada às necessidades da espécie. O problema surge quando visitantes oferecem alimentos industrializados, doces ou restos de comida. A diretora do Bosque Rodrigues Alves, Ellen Eguchi, explica que esse tipo de interação, embora pareça inofensivo, pode gerar consequências graves.


“Esses animais têm uma dieta balanceada dentro do parque, recebem diariamente. Porém, as guloseimas que as crianças gostam, os pais gostam, claro que são muito atrativas, principalmente os primatas. A possibilidade de transferência de doença para eles é muito grande”, explica.


Ela ressalta que já houve registros de perdas de animais associadas ao comportamento humano inadequado dentro do espaço.


“Hoje, inclusive, no passado tivemos várias perdas associadas a esse mau comportamento humano. Então, se você realmente quer ajudar o meio ambiente, não é dessa forma que a gente consegue salvar alguma coisa. Não alimente os animais, procure orientação e dissemine a informação correta”, orienta.


Orientação constante


O trabalho educativo dentro do Bosque é feito de forma contínua e presencial. Os funcionários circulam pelo espaço e abordam visitantes sempre que identificam situações de alimentação dos animais. A orientação é verbal e imediata, reforçando a proibição e explicando os riscos.


Em períodos anteriores, houve registros de doenças graves entre os primatas, como casos de toxoplasmose, possivelmente associados a alimentos contaminados oferecidos por visitantes.


Sobre os macacos do Bosque


Os macacos que vivem no Bosque Rodrigues Alves fazem parte de uma população dinâmica, e por isso não há registro exato da idade de cada indivíduo. A equipe técnica explica que o grupo passa por mudanças naturais ao longo do tempo, dificultando uma estimativa precisa.


Ainda assim, há registros de que primatas em condições semelhantes podem viver até cerca de 20 anos em ambiente controlado.


Outro dado curioso é uma tentativa recente de manejo ambiental: parte dos bandos foi deslocada para áreas mais centrais do parque, como forma de reduzir o contato com as bordas e com o público. No entanto, muitos acabam retornando às áreas mais movimentadas, atraídos principalmente pela oferta irregular de alimentos.


O Bosque Rodrigues Alves funciona de terça-feira a domingo, das 8h às 16h, permanecendo fechado às segundas-feiras para manutenção. A entrada custa R$ 2,00, com gratuidade para crianças de até 6 anos, idosos e pessoas com deficiência. Crianças de 7 a 12 anos pagam meia-entrada. No último domingo de cada mês, o acesso é gratuito para todos os visitantes.


Foto: Agência Belém



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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.