Parlamentar trata como certa uma composição que ainda depende do resultado das eleições e de uma série de definições políticas.
m política, confiança é uma virtude, mas existe uma linha tênue entre confiança e excesso de certeza. No Pará, o deputado estadual Iran Lima, do MDB, parece disposto a caminhar sobre essa fronteira ao se apresentar como futuro presidente da Assembleia Legislativa em encontros políticos e articulações de bastidores nos últimos dias.

O problema não está na legítima disputa pelo cargo. Está na antecipação de um desfecho que depende de uma cadeia de acontecimentos que simplesmente ainda não ocorreu. Para que Iran Lima chegue à presidência da Alepa, será necessário, antes de tudo, que a atual governadora Hana Ghassan, do MDB, seja reeleita nas eleições de outubro deste ano.
A governadora assumiu o comando do Estado em 2 de abril deste ano após a desincompatibilização de Helder Barbalho para disputar o Senado. Enfrenta, portanto, um cenário eleitoral não consolidado e, por isso, uma está vitória longe de qualquer consenso.
As pesquisas divulgadas até aqui mostram uma disputa aberta. Em alguns levantamentos, Hana aparece em situação de empate técnico com adversários; em outros, sequer ocupa a liderança isolada. O quadro está longe de autorizar previsões definitivas sobre o resultado da eleição estadual.
Ainda assim, aliados do grupo governista têm dado sinais de que tratam o pleito como uma formalidade. O movimento mais recente ocorreu em agendas relacionadas ao apoio ao Carnaval de 2027, iniciativa que foi interpretada por adversários como mais uma demonstração de que parte do MDB já trabalha como se a permanência do partido no Palácio dos Despachos fosse uma questão resolvida.
Nesse contexto, a autoprojeção de Iran Lima para o comando do Legislativo estadual chama atenção porque pressupõe não apenas a vitória de Hana Ghassan, mas também uma futura correlação de forças dentro da própria Assembleia. Trata-se de uma eleição indireta, dependente da composição parlamentar que sairá das urnas em 2026 e dos acordos políticos que serão construídos após o pleito.
Trocando em miúdos, o roteiro que levaria Iran Lima à presidência da Assembleia ainda está sendo escrito. Nem a eleição para o governo ocorreu. Nem a composição da próxima legislatura é conhecida. Nem mesmo as definições sobre alianças, chapa majoritária e espaços de poder dentro da base governista estão completamente consolidadas.
A antecipação desse discurso acaba transmitindo uma mensagem política delicada: a de que o MDB não apenas acredita na vitória, mas já distribui cargos e posições institucionais futuras como se o resultado eleitoral estivesse sacramentado. A pergunta parece velha, mas se faz importante e atual: já combinou com os russos?
A postura ganha ainda mais relevância quando observada sob a trajetória recente do parlamentar. Ex-chefe da Casa Civil do governo Helder Barbalho, Iran Lima tornou-se uma das principais lideranças políticas de sua região e construiu uma forte presença familiar na política paraense. É marido da também deputada estadual, Nilma Lima, que já foi prefeita de Moju com o apoio do marido.
Iran Lima também conseguiu eleger o filho, Paulo Henrique, prefeito de Soure nas eleições de 2024, ampliando a influência do grupo político para além do nordeste paraense e alcançando também o arquipélago do Marajó.
Por enquanto, porém, a única eleição efetivamente vencida é a que já passou. As de 2026 continuam no campo das hipóteses. E, na democracia, entre a intenção e a posse, existe um detalhe que ainda não pode ser ignorado: o voto.

•Não há registros oficiais conhecidos sobre a movimentação do Aeroporto de Salinópolis, na costa atlântica paraense, reconstruído para atender o turismo. Nem o I Comando Aéreo Regional (foto) teria acesso consolidado aos números, segundo fontes ligadas ao setor.
•As imagens de guardas municipais com os rostos cobertos agredindo um morador em situação de rua no Espaço Acolher da Funpapa explodiram nas redes sociais na noite de terça-feira, 2, e criaram mais uma crise para a Prefeitura de Belém.
•A gestão municipal reagiu rapidamente. Informou que o prefeito determinou abertura imediata de procedimento administrativo disciplinar, afastou os envolvidos e afirmou repudiar qualquer ato de violência.
•O MPF abriu procedimento para apurar as denúncias de agressão contra pessoa em situação de rua em Belém. O episódio amplia a pressão sobre a política municipal de assistência social.
•Estão abertas as inscrições para o II Seminário de Segurança e Defesa da Amazônia, com o tema “Desenvolvimento, Proteção Ambiental e Povos Originários: Pilares da Soberania na Amazônia no Pós-COP30”.
•A programação ocorrerá nos dias 17 e 18 deste mês, no Teatro Maria Sylvia Nunes, na Estação das Docas, em Belém.
•A presença crescente de cardumes de bacu nos arredores de Outeiro e Cotijuba pode ter explicação menos misteriosa do que parece: frações de soja que acabam caindo nas águas durante operações de embarque nos portos graneleiros da região.
•O movimento 342, criado por artistas em defesa da democracia, lançou campanha nacional contra os impactos das apostas online no Brasil. O alvo principal são as chamadas bets e o avanço do vício em jogos digitais.
•Batizada de “Block no Tigrinho”, a campanha reúne nomes como Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Marieta Severo. O foco é alertar sobre os efeitos das apostas entre jovens, famílias endividadas e populações vulneráveis.
•A redução de 14,2% no preço do querosene de aviação anunciada pela Petrobras deve produzir efeito gradual positivo sobre cadeias ligadas à logística e ao agronegócio.
•O IRPF 2026 bateu recorde: 44,4 milhões de declarações entregues dentro do prazo. O número representa crescimento de 2,4% em relação ao ano anterior.
•Em 2025, haviam sido entregues 43,34 milhões de declarações dentro do prazo legal, segundo a Receita Federal.
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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