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EM BELÉM

Depois de um ano, legado da COP30 enfrenta desafio da falta de manutenção

Equipamentos entregues para a conferência acumulam promessas inacabadas, patrimônio sem destinação definitiva e obras retomadas apenas após cobranças da sociedade.

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  • Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 29/07/26 09:00
Depois de um ano, legado da COP30 enfrenta desafio da falta de manutenção
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assado pouco mais de um ano da entrega das principais obras da COP30, Belém começa a fazer um balanço mais sereno do que realmente ficou como legado para a cidade. Superada a euforia das inaugurações, o desafio agora é outro: manter os novos equipamentos públicos funcionando, preservar o patrimônio descoberto durante as intervenções e concluir projetos que ainda permanecem pela metade.

 

Dos restos da embarcação do século XIX ao Parque da Cidade, capital paraense vive drama de sempre: como preservar sua história/Fotos: Divulgação.

Embora parte das obras tenha mudado a paisagem urbana da capital, também começam a surgir sinais de que nem tudo o que foi prometido encontrou o mesmo ritmo depois da conferência. A falta de manutenção adequada, a demora na execução de novas etapas e a ausência de destinação para alguns equipamentos passam a integrar o debate sobre o verdadeiro legado deixado pelo maior evento internacional já realizado na Amazônia.

Navio espera o futuro

Poucos episódios simbolizam melhor essa realidade do que a embarcação do século XIX encontrada durante as escavações do Parque Linear da Doca, em agosto de 2024.

O achado arqueológico mobilizou uma grande operação coordenada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e pelo governo do Pará. Durante cinco meses, arqueólogos, arquitetos, restauradores e técnicos trabalharam na retirada e conservação da estrutura de ferro, com aproximadamente 22 metros de comprimento, sete metros de largura e 2,25 metros de profundidade.

Os estudos concluíram que a embarcação está ligada ao antigo Igarapé das Almas e representa um importante testemunho do comércio fluvial que marcou a formação de Belém no século XIX.

Na época da descoberta, o governo anunciou que a peça seria musealizada e instalada em uma estrutura elevada nas proximidades do Porto Futuro I, transformando-se em espaço permanente de educação patrimonial para moradores e turistas.

A realidade é outra

A embarcação continua acondicionada no laboratório provisório montado para sua restauração, no estacionamento da Unifamaz. A recuperação da estrutura avança, mas sua destinação definitiva permanece indefinida.

Moradores da área lamentam que um dos mais importantes achados arqueológicos das obras da COP30 ainda não tenha sido incorporado ao cotidiano da cidade. "Esse barco deveria contar a história de Belém, do antigo Igarapé das Almas e da própria formação da cidade. Uma cidade que não preserva sua memória acaba não tendo o que contar às futuras gerações", observa um morador ouvido pela coluna.

Parque da Cidade

Outro exemplo das dificuldades do pós-COP30 está no Parque da Cidade. Durante meses, a segunda etapa das obras permaneceu praticamente sem movimentação na área onde funcionou a Blue Zone da conferência, com acesso pela rua Protásio Lopes.

A retomada dos serviços ocorreu apenas recentemente, depois das cobranças pela demora na continuidade do empreendimento e da repercussão provocada pela morte de um adolescente de 16 anos, vítima de uma descarga elétrica nas proximidades da pista de skate. Dias antes do acidente, a iluminação do local havia passado por manutenção.

Agora, operários voltaram ao canteiro de obras. A empresa responsável pela execução dos serviços informou que a nova etapa contempla a continuidade da infraestrutura do parque, com planejamento técnico voltado à qualidade e à segurança. Ainda assim, o governo estadual não divulgou cronograma para a conclusão definitiva do empreendimento. Quando finalizada, essa fase deverá ocupar cerca de 270 mil metros quadrados e incluir teatro multiuso, cinema, estúdio de gravação, Museu da Aviação, boulevard central, centro de ecoturismo, lagos artificiais e o plantio de mais de 2,5 mil árvores.

Quem banca o legado?

As obras executadas para a COP30 representaram um dos maiores investimentos públicos já realizados em Belém em um curto espaço de tempo. Novos parques, áreas revitalizadas, equipamentos culturais e espaços de convivência transformaram parte da cidade.

Mas o verdadeiro teste dessas intervenções começa justamente depois das inaugurações. É quando surgem questões que não aparecem nas cerimônias oficiais: quem fará a manutenção permanente desses espaços? Como será preservado o patrimônio histórico encontrado durante as obras? Quando os projetos anunciados serão efetivamente concluídos? E, sobretudo, como garantir que os equipamentos públicos continuem cumprindo sua função muitos anos depois da conferência?

Responder a essas perguntas talvez seja o maior desafio deixado pela COP30. Porque o legado de uma grande obra não se mede pelo dia em que ela é inaugurada, mas pela capacidade de permanecer útil, preservada e viva para as gerações que virão.

Papo Reto

A segunda-feira começou indigesta para um morador do Edifício Visconde de Pirajá, em Belém. Enquanto falava ao telefone, foi surpreendido por um mamão arremessado de um andar superior, que se espatifou em seu rosto e ainda espalhou polpa pelo apartamento. 

•Em tempos de violência urbana, levar uma "mamonada" na cara definitivamente não estava no roteiro.

Recém-reconhecido como Patrimônio Cultural da Humanidade, o Theatro da Paz já desperta um novo debate. 

•Internautas defendem melhorias de acessibilidade, como elevadores e até escadas rolantes. 

Os mais conservadores torcem o nariz, mas basta lembrar que o Louvre, em Paris, incorporou soluções modernas sem abrir mão da preservação histórica.

•Depois de construir carreira nas áreas de direitos humanos, regularização fundiária e mediação de conflitos socioambientais, a advogada e pesquisadora Andreza Filizzola Lopes voltou às origens.

Natural de Óbidos, tomou posse como professora de Direito da Ufopa no campus do próprio município. Daqueles casos em que o conhecimento faz o caminho de volta para casa.

•O presidente Lula tem até quinta para decidir se sanciona ou veta projeto que institui a cobrança automática de pensões alimentícias, apelidada como "Pix Pensão". 

O deputado Daniel Almeida apresentou parecer favorável na Comissão de Defesa do Consumidor à criação de prazo máximo para a devolução de valores pagos via Pix quando houver cancelamento de compras ou serviços por parte do vendedor. 

•O ministro Alexandre de Moraes determinou investigação de duas falhas de sinal na tornozeleira eletrônica da "Débora do Batom", que cumpre prisão domiciliar. 

O vídeo de Jair Bolsonaro criado com inteligência artificial para apoiar Flávio Bolsonaro levou PT e partidos aliados a acionarem o TSE e o STF. 

•A cantora Fernanda Abreu criticou o uso de música sua em publicação de candidato do PL para o governo do Rio. A artista afirmou que não autorizou a utilização da obra e classificou o episódio como uma "péssima surpresa".


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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.