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BANCO MASTER

Denúncia de Renan Calheiros altera eixo do escândalo que soterra a República

Denúncias envolvendo Hugo Motta ampliam crise e levantam suspeitas sobre proteção política em Brasília.

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  • Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 19/05/26 17:00

Presidente da Câmara, Hugo Motta aparece no centro das acusações do senador alagoano e amplia a crise institucional/Fotos: Agência Câmara.


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escândalo envolvendo o Banco Master deixou de ser apenas uma crise financeira. O que começa a emergir em Brasília é a suspeita de uma engrenagem política construída para proteger interesses bilionários, atravessando Congresso, órgãos de controle e setores estratégicos do sistema financeiro.

A pergunta que circula nos bastidores da capital federal já não trata apenas de dinheiro. O que deputados, senadores e operadores políticos tentam medir é outra coisa: qual é o tamanho real da teia?

Nos últimos dias, o senador Renan Calheiros elevou o nível da crise ao afirmar que a suposta fraude envolvendo o banco “seria impossível sem cobertura política”. O parlamentar citou diretamente o presidente da Câmara, Hugo Motta, e o ex-presidente da Casa, Arthur Lira, acusando ambos de atuarem nos bastidores em defesa de interesses ligados ao banco e de pressionarem setores do Tribunal de Contas da União.

Até então, o caso orbitava suspeitas sobre liquidez, operações financeiras consideradas atípicas, relações empresariais nebulosas e possíveis irregularidades envolvendo fundos e agentes públicos ligados ao Banco Master. Mas, quando o comando da Câmara dos Deputados entra no centro das acusações, o problema deixa de ser bancário e assume contornos de crise institucional.

Congresso no radar

Em Brasília, a avaliação reservada é de que o caso pode atingir muito mais gente do que se imaginava inicialmente. As declarações de Renan Calheiros surgem em meio a informações sobre operações financeiras envolvendo pessoas ligadas ao entorno político de lideranças do Congresso, além de suspeitas relacionadas a fundos, emendas parlamentares e movimentações empresariais consideradas incomuns.

O senador chegou a classificar o episódio como “a maior fraude bancária da história brasileira” e defendeu acompanhamento rigoroso das investigações.

Nos bastidores da Câmara, o clima já não é de simples desconforto político. Parlamentares admitem reservadamente preocupação com o potencial destrutivo do caso, sobretudo se as investigações avançarem sobre relações entre agentes políticos, operadores financeiros e órgãos de fiscalização.

O temor é que o escândalo produza um efeito dominó dentro da própria estrutura de poder em Brasília.

Guerra, tensão política

O episódio também expõe uma disputa antiga de poder: Renan Calheiros e Arthur Lira travam há anos uma guerra política em Alagoas. Por isso, aliados de Hugo Motta tratam as acusações como parte de um movimento político calculado para desgastar o atual comando da Câmara. Mesmo assim, poucos ignoram a gravidade das declarações. Na lógica do poder, denúncias tão específicas raramente aparecem sem algum nível de informação circulando nos subterrâneos da política nacional.

O centro do problema

O maior risco do caso talvez nem esteja no tamanho do eventual rombo financeiro. A preocupação crescente, dentro e fora do Congresso, é com a possibilidade de o episódio revelar mecanismos de influência política sobre órgãos responsáveis justamente por fiscalizar o sistema financeiro e proteger o interesse público.

Se as suspeitas de pressão sobre tribunais de controle ou estruturas regulatórias forem confirmadas, o escândalo poderá atingir diretamente a credibilidade das instituições - e é exatamente aí que mora o medo em Brasília.

Porque, no fim das contas, talvez o verdadeiro problema do Banco Master não seja apenas o tamanho do buraco financeiro - mas quantos setores da República podem acabar soterrados quando a teia começar a ser puxada.

Papo Reto

O advogado e professor universitário Jarbas Vasconcelos (foto) será empossado como sócio efetivo do Instituto Histórico e Geográfico do Pará (IHGP), amanhã, 20, em evento que deve reunir cerca de 70 intelectuais e pesquisadores.

•Jarbas Vasconcelos é doutor em História do Direito pela Universidade de Lisboa, Portugal e pós-doutorando em História da Formação dos Direitos Humanos, na Universidade de Salamanca, Espanha.

Ele foi presidente da Ordem do Brasil Seccional Pará, secretário de Estado de Administração Penitenciária e secretário estadual de Igualdade Racial e Direitos Humanos.

•A solenidade de posse será conduzida pelo novo presidente do IHGP, professor doutor Álvaro Negrão Espírito Santo.

•O Conselho Regional de Medicina do Estado do Pará fez denúncia gravíssima contra o Hospital Pronto Socorro Municipal Mário Pinotti, o PSM da 14.

•Segundo relatório de vistoria, pacientes com traumatismo craniano e AVC hemorrágico estão sem assistência especializada desde março por ausência de neurocirurgiões plantonistas. O documento aponta pelo menos três mortes associadas ao colapso da escala médica.

A vistoria no Hospital Pronto Socorro Municipal Mário Pinotti descreve um cenário de improviso absoluto. Sistema de exames parado por falta de pagamento, equipamentos cirúrgicos inutilizados, ausência de diretor técnico e até profissionais comprando insumos básicos do próprio bolso.

•O relatório do CRM pinta um retrato que, nos bastidores da saúde pública de Belém, muitos já tratam como colapso administrativo instalado.

O fim da taxa das blusinhas já começou a valer, mas não significa compra internacional sem imposto.

•A MP de Lula zerou o Imposto de Importação de 20% para compras de até US$ 50, mas o ICMS estadual continua sendo cobrado.

Sinal mais do que amarelo: lucro do Banco do Brasil despencou 53,5% com a disparada da inadimplência no campo, puxada principalmente pelo avanço dos atrasos de pagamento no crédito rural.

•Por falar em prejuízo, as Casas Bahia têm prejuízo de R$1,06 bilhão, uma piora de 160% no seu desempenho no varejo nacional.

As causas foram as pressões financeiras em meio ao cenário de juros elevados no País, dizem especialistas.


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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.