Comunicado americano fala em “meios para atingir satélites adversários com ou sem destruição física, para ataque e defesa”
São Paulo, SP - O secretário da Força Aérea dos EUA, Troy Meink, confirmou na segunda, 14, que a Força Espacial "tem agora armas de controle espacial em órbita". É a primeira vez que uma autoridade americana admite a existência desse tipo de armamento. Ele não detalhou, porém, quantas são e desde quando estão lá.
Mas afinal, que armas são essas?
Equipamentos capazes de destruir satélites inimigos, impedindo que adversários como a Rússia e a China usem sua estrutura espacial para guiar mísseis, conectar tropas, detectar lançamentos nucleares ou fotografar bases inimigas.
O comunicado da Força Espacial que se seguiu mencionou “meios para atingir satélites adversários com ou sem destruição física, para ataque e defesa”, e cita justamente Pequim e Moscou como ameaças.
Segundo a defesa americana, as forças Armadas chinesas dispõem de mísseis antissatélite, lasers terrestres, bloqueadores de sinal e satélites capazes de manobrar ao redor de outros.
Em 2024, cinco satélites experimentais chineses fizeram manobras sincronizadas em órbita baixa que a Força Espacial comparou a um “combate aéreo”. A afirmação foi questionada por especialistas, já que manobras do tipo também servem a testes de manutenção ou simplesmente para fotografar.
No ano passado, outros dois (Shijian-21 e Shijian-25) se acoplaram a 36 mil km da Terra em uma manobra de reabastecimento lida como ameaça militar.
A declaração de Meink vinha sendo preparada há meses, segundo relatos na imprensa dos EUA.
A China reagiu ao assunto com o porta-voz da chancelaria, Guo Jiakun, pedindo nesta terça que Washington “pare de ampliar suas capacidades militares e de se preparar para a guerra no espaço”. O Kremlin também defendeu uma órbita “sem armas de nenhum tipo”.
O Tratado do Espaço Sideral, de 1967, proíbe apenas armas nucleares e de destruição em massa em órbita, mas não impede um bloqueador de sinal ou um satélite armado. China e Rússia pedem desde 2008 um texto mais amplo que Washington rejeita por considerá-lo impossível de verificar.
Foto: Divulgação/Nasa
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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