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ÁGUAS DE BARRELA

Concessão de água no Pará degringola, acumula intervenções e escancara colapso

Municípios rompem, improvisam e pressionam governo diante de serviços piores após privatização.

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  • Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 08/04/26 11:00

Do nordeste ao oeste do Pará, prefeitos pressionados pela população se rebelam contra concessão e adotam medidas extremas/Fotos: Divulgação-Redes Sociais.


O


que já era ruim conseguiu piorar - e em escala. A concessão dos serviços da Companhia de Saneamento do Pará à iniciativa privada, vendida como solução estrutural, começa a produzir um efeito em cascata que preocupa gestores, pressiona a população e expõe falhas graves de execução.

O diagnóstico, repetido de ponta a ponta do Estado, é direto: a troca de comando não trouxe eficiência; trouxe descontinuidade.

Colapso em cadeia

Em São João de Pirabas, no nordeste paraense, o cenário chegou ao limite. Diante da pressão popular e da incapacidade da concessionária de garantir o abastecimento, a prefeitura decidiu intervir no contrato por decreto - medida extrema e juridicamente sensível.

O problema é que a solução improvisada revelou outro gargalo: os sistemas antigos, abandonados desde a concessão, simplesmente não funcionaram. Bombas travadas, equipamentos deteriorados, rede inoperante. O município correu contra o tempo para comprar peças básicas e restabelecer, de forma precária, o fornecimento de água. População sedenta, gestão exposta.

Rebelião institucional

No oeste do Estado, em Altamira, o movimento ganhou contornos políticos. A Câmara Municipal aprovou a intervenção no contrato com a concessionária - ainda que reconhecendo os entraves legais para sustentar a medida. O gesto, mais do que administrativo, é simbólico: revela o nível de desgaste da operação e a pressão crescente sobre prefeitos e vereadores, que passaram a responder diretamente pelo colapso de um serviço que já não controlam.

Promessa faz água

A empresa vencedora da licitação, com contrato milionário e promessa de modernização, passou a concentrar reclamações em série. Falhas no abastecimento, desorganização operacional e dificuldade de resposta viraram rotina. Nos bastidores, prefeitos relatam mudança de humor nas bases políticas. O discurso de modernização deu lugar à cobrança imediata, e o que era aposta eleitoral começa a se transformar em passivo.

Pressão crescente

A frase que ecoa nos municípios é sempre a mesma: “o que já era ruim ficou pior”. E não se trata apenas de percepção. Há risco concreto de ampliação do desgaste com a chegada das tarifas - apontadas como mais elevadas - em um cenário onde o serviço não entrega o básico. O resultado é um ciclo perigoso: população insatisfeita, gestores acuados e decisões precipitadas que podem gerar novos conflitos judiciais.

Silêncio incômodo

No centro da crise, a ausência mais notada é a do governo do Estado, responsável pela modelagem e condução da concessão. Prefeitos cobram interlocução, suporte técnico e, principalmente, uma resposta política à escalada de problemas, mas, até aqui, o que se vê é fragmentação, enquanto a água - que deveria chegar - continua faltando.


Papo Reto

O conselheiro Lúcio Vale (foto), que um dia foi vice do governador Helder Barbalho e hoje é presidente do TCM, chancela R$ 10 milhões - em parceria ou não, ainda não se sabe -, como anfitrião, de gastos para bancar, em outubro, o Encontro Nacional dos Tribunais de Contas, em Belém.

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Moradores da avenida Tamandaré denunciam que a ecobarreira do Parque Linear está “desalinhada” e dentro do curso de água do canal.

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José Dirceu, o "arquiteto" que o Brasil conheceu nas páginas da Lava Jato, ressurge das cinzas atacando o senador Flávio Bolsonaro.

•Afirma que uma eventual vitória do parlamentar representaria uma "aliança com a guerra" e uma submissão total a Donald Trump.

Como diz um internauta, para quem entende de "negócios", Dirceu só pode estar tentando criar um espantalho para assustar o eleitor.

•Acredite, o Banco de Brasília comprou mais de R$30 bilhões em ativos de carteiras do Master a partir de julho de 2024, diz o portal Metrópoles, baseado na Lei de Acesso à Informação.

Detalhe: o rombo acumulado pode ser ainda maior se forem considerados outros R$10 bilhões em "substituições".

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.