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SAÚDE EM COLAPSO

Protesto por falta de leito trava PA-151 e confirma crise no interior do Estado

Bloqueio reúne cerca de 5 mil pessoas no Baixo Tocantins; caso de paciente renal agrava tensão e repete cenário de abandono.

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  • Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 08/04/26 17:00

População parece fadada ao desespero, tanto faz que na capital, ou no interior: saúde é um bem que só interessa aos doentes/Fotos: Divulgação-Redes Sociais.


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interdição da PA-151, na manhã desta quarta-feira, 8, escancarou mais uma vez o colapso da saúde pública no interior do Pará. Cerca de 5 mil pessoas bloquearam a rodovia no trecho próximo ao ramal do distrito Sucurijuquara, em protesto contra a falta de leitos hospitalares - situação agravada pelo caso de uma idosa com grave problema renal, sem acesso à internação.

O bloqueio, iniciado por volta das 6h, rapidamente gerou um congestionamento de aproximadamente dois quilômetros, impedindo a passagem até de motocicletas. A via é considerada estratégica para a região, ligando Igarapé-Miri a Cametá e servindo como corredor logístico no Baixo Tocantins.

Pressão nas estradas

Os manifestantes, em sua maioria moradores da comunidade do Murutinga, em Abaetetuba, fecharam os dois sentidos da rodovia. A pressão é direcionada tanto à Prefeitura de Igarapé-Miri quanto ao governo do Estado, diante da ausência de resposta para casos considerados urgentes.

Levantamento feito pelos próprios moradores aponta que pelo menos dez pacientes da zona rural enfrentam dificuldades para chegar a atendimento em unidades de saúde da região. A falta de estrutura básica, como leitos disponíveis, tem transformado o deslocamento em uma corrida contra o tempo.

Por volta das 8h, uma guarnição da Polícia Militar chegou ao local, mas não conseguiu avançar na liberação da via diante da resistência dos manifestantes.

Repetição do colapso

O episódio não é isolado. Na quinta-feira anterior, 26, outro protesto já havia interditado a mesma rodovia, nas proximidades da Vila Camutim, também em Abaetetuba. Na ocasião, familiares cobravam atendimento urgente para um paciente em estado grave. A rodovia, que conecta municípios como Mocajuba, Cametá e Igarapé-Miri à capita, tornou-se palco recorrente de manifestações que denunciam o mesmo problema: a falta de acesso à saúde básica.

 Sul repete o drama

O cenário crítico não se limita ao Baixo Tocantins. No sul do Estado, o Hospital Regional Público do Araguaia, em Ourilândia do Norte, também virou símbolo da crise.

A médica pediatra Madalena Furtado publicou nas redes sociais um apelo público denunciando que profissionais da unidade estão há cerca de dois meses sem receber salários. Mesmo assim, seguem atuando.

Sem vincular o problema a disputas políticas, a médica resumiu o quadro como uma questão de dignidade profissional e respeito à população atendida.

Efeito cascata

Os episódios, separados por centenas de quilômetros, convergem para o mesmo diagnóstico: falhas estruturais persistentes, ausência de planejamento e respostas lentas do poder público. Então, quando nas estradas o protesto vira último recurso, nos hospitais, o apelo público se transforma em rotina. E, entre um ponto e outro, o sistema segue operando no limite - até parar de vez.

Papo Reto

A presidente do Crea, Adriana Falconeri (foto), se licenciou do cargo para concorrer à reeleição no sistema Confea-Crea. Eleita em 2023 para um mandato de três anos, Adriana percorreu o Pará de ponta a ponta ouvindo e aproximando profissionais da realidade de cada região.

•Dizem que, na Roma antiga, já havia candidato brotando antes mesmo de existir a cadeira. A história, atribuída ao sempre eloquente Cícero, conta que certos políticos cumprimentavam o eleitorado como "futuro cônsul" quando a eleição ainda nem dava sinais de vida. 

Exagero? Provavelmente - mas não muito. No fundo, Roma já ensinava o básico da política: a vaga pode até não existir, mas o candidato, jamais falta. Qualquer semelhança com o Pará não será mera coincidência.

•Com o fim das desincompatibilizações, a eleição de 2026 sai do aquecimento e entra no jogo real. O que antes era movimento calculado vira confronto aberto, com candidatos expostos, pesquisas mais voláteis e ataques mais diretos. 

Lula, candidato natural à reeleição, e Flávio Bolsonaro, que deixa a fase de relativa proteção, passam a ocupar o centro de uma disputa que tende a ganhar temperatura rapidamente. A largada foi dada, e a calmaria ficou para trás. 

•Mais de 100 parlamentares mudaram de legenda na reta final da filiação para as eleições de outubro. 

•Mais do que uma guinada ideológica, o vaivém expõe a força das conveniências locais sobre a reorganização partidária de 2026. 

•A Polícia Rodoviária Federal registrou 808 acidentes nas rodovias brasileiras, com 57 mortes e 814 feridas, durante Operação Semana Santa 2026.

Com o petróleo saindo do controle, o mercado elevou a previsão da inflação para 4,36% este ano, conforme o Boletim Focus do Banco Central. 

•Jorge Kajuru apresentou projeto que amplia as hipóteses de impedimento de magistrados, a fim de proibir a atuação em processos que envolvam clientes de escritórios ligados a seus familiares.

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.