Com ação das Farc, rios viram principal porta de entrada de Supermaconha Tragédia reacende suspeitas sobre obra de R$ 980 milhões do Parque da Cidade A vida cabe na tela, aproxima quem está longe, mas afasta quem está por perto
AMAZÔNIA ABERTA

Com ação das Farc, rios viram principal porta de entrada de Supermaconha

Principal produto a circular oculto nas embarcações do tráfico entre Japurá e o Puruê é a maconha, especialmente o “skunk” e “creepy”.

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  • Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 20/07/26 17:00
Com ação das Farc, rios viram principal porta de entrada de Supermaconha
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prisão de dois colombianos que tentavam entrar no Brasil com 17 quilos de droga expôs as ligações internacionais do tráfico na fronteira amazônica. Após desligarem os motores e as luzes do barco, que era conduzido a remo, os estrangeiros acabaram capturados por militares do 3° Pelotão Especial de Fronteira, instalado no rio Japurá, à altura do isolado povoado de Vila Bittencourt, no Amazonas.

 

Traficante Fernandinho Beira-Mar montou esquema com as Farc para traficar cocaína aos EUA - e se escondeu na floresta/Fotos: Divulgação.

A dupla levava um documento de identificação das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, as Farc, o que, segundo a condenação ocorrida meses depois, foi entendido pela Justiça brasileira como prova de elo dos réus com o grupo.

O episódio ocorrido em 2023 ilustra tanto uma mudança na dinâmica criminal da região quanto o papel nessa transformação das Farc, que oficialmente entregaram as armas após um acordo de paz em 2016, mas seguem atuantes por meio de dissidências.

Rota está no radar 

Alternativas às rotas mais vigiadas da Tríplice Fronteira, entre a cidade brasileira de Tabatinga, a colombiana Letícia e a peruana Santa Rosa, os rios Japurá e o vizinho Puruê consolidaram-se, ao longo da última década, como um dos principais caminhos para a entrada no País de um tipo de maconha colombiana de alta potência.

O principal produto a circular oculto nas embarcações do tráfico que viajam pelo Japurá e o Puruê é a maconha, mais especificamente dos tipos skunk e creepy, conhecidas pela maior potência. A droga é plantada no departamento colombiano de Cauca e transportada por terra até os rios Orteguaza ou Caguán, que desaguam no Caquetá-Japurá. Há ainda rotas que usam o rio Apaporis e igarapés para contornar zonas de maior fiscalização.

A forte presença do crime organizado, somada ao avanço do garimpo ilegal na região, levou a Defensoria Pública da União, a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil e outras entidades a solicitarem, em abril passado, uma reunião no Ministério da Justiça para tratar do tema.

Tudo junto e misturado

A rota também é de aliciamento. O Japurá, chamado de Caquetá no território colombiano, ganhou relevância conforme operações antidrogas avançaram no Caribe e outras áreas próximas, impulsionando a busca por rotas alternativas. Dos dois lados da fronteira, as quadrilhas aliciam populações ribeirinhas, que participam do chamado tráfico-formiga, método pelo qual a substância é fracionada em pequenas quantidades e levada em diversas embarcações, dificultando a fiscalização. Já o Puruê é estratégico pela capacidade de fornecer conexões com afluentes menores.

As características geográficas permitem que grupos criminosos utilizem esse corredor para evitar a presença de forças de segurança e reduzir a exposição a postos de controle, resume o militar colombiano.

 Amazônia segue alvo

Dados da Polícia Federal dão uma dimensão do tráfico de maconha no Amazonas. Em 2016, 2,5 toneladas foram apreendidas, enquanto, apenas nos primeiros cinco meses deste ano, 23,3 toneladas acabaram confiscadas pelas autoridades. Para investigadores, o aumento é fruto justamente da consolidação da rota que tem o Japurá e o Puruê como principais eixos, a despeito das bases fluviais e da presença militar nos rios.

Papo Reto

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.