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INDÚSTRIA

CNI debate agenda para 2050 e cobra segurança jurídica dos presidenciáveis

Encontro em Brasília reuniu empresários e três pré-candidatos ao Planalto; infraestrutura, juros, estabilidade e redução do Custo Brasil dominaram o debate

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  • Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 23/06/26 17:00
CNI debate agenda para 2050 e cobra segurança jurídica dos presidenciáveis
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m um dos primeiros encontros entre o setor produtivo e os nomes que se movimentam para a sucessão presidencial de 2026, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) reuniu ontem, 22, em Brasília, empresários e representantes das federações estaduais para discutir os rumos da economia brasileira. Participaram do evento “A Indústria na Agenda dos Presidenciáveis” os pré-candidatos Romeu Zema (Novo), Flávio Bolsonaro (PL) e Ronaldo Caiado (PSD).

 

Presidente da Fiepa, Alex Carvalho, foi um dos dirigentes escolhidos para formular perguntas aos presidenciáveis/Fotos: Divulgação.

A Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa) participou do encontro e teve seu presidente, Alex Carvalho, entre os dirigentes escolhidos para formular perguntas aos presidenciáveis. Um dos questionamentos tratou das políticas fiscal e monetária e dos caminhos para recuperar a confiança dos investidores e estimular o crescimento.

Responsabilidade fiscal

Ao responder, Romeu Zema defendeu uma política econômica baseada no equilíbrio das contas públicas e na redução estrutural dos juros. Segundo ele, as atuais taxas funcionam como um “freio de mão puxado” para a economia.

“O Brasil está crescendo menos que o mundo e corre o risco de se tornar menos relevante. Precisamos de juros civilizados para que empresas possam investir e famílias possam consumir”, afirmou. O governador mineiro também defendeu maior participação de representantes do setor produtivo na política e redução dos gastos públicos.

Agenda para 2050

Durante o encontro, o presidente da CNI, Ricardo Alban, entregou aos pré-candidatos o documento “Construindo o Brasil 2050”, que reúne mais de 300 páginas de propostas voltadas ao crescimento econômico, aumento da produtividade e redução do chamado custo Brasil.

A publicação está estruturada em três eixos centrais: crescimento sustentado, fortalecimento do desenvolvimento produtivo e ampliação da competitividade.

Segundo a CNI, o País precisará elevar sua produtividade, atrair investimentos e criar um ambiente mais favorável à inovação para manter a capacidade de crescimento nas próximas décadas.

Infraestrutura na mira

Um dos principais pontos do documento é a infraestrutura de transportes, considerada pela indústria um dos maiores entraves à competitividade nacional. A entidade defende a diversificação da matriz de transporte, com maior participação de ferrovias, hidrovias, portos e cabotagem, reduzindo a dependência do modal rodoviário.

O documento apresenta 12 propostas para o setor, incluindo ampliação das concessões privadas, modernização da gestão portuária, expansão da infraestrutura para contêineres e retomada de obras paralisadas.

Presidente do Conselho Temático de Infraestrutura da CNI e da Fiepa, Alex Carvalho afirmou que os custos logísticos continuam entre os fatores que mais prejudicam a competitividade brasileira. “Infraestrutura deficiente eleva custos, encarece produtos e reduz a capacidade competitiva da indústria. A modernização do setor é fundamental para aumentar o bem-estar das famílias e impulsionar o crescimento do país”, afirmou.

A indústria também defende que a infraestrutura seja tratada como política de Estado, com continuidade e previsibilidade para atrair investimentos de longo prazo.

Segurança jurídica

Outro tema recorrente foi a necessidade de ampliar a segurança jurídica.

Flávio Bolsonaro afirmou que o Brasil vive uma oportunidade favorável para atrair investimentos, mas advertiu que a instabilidade regulatória continua afastando projetos.

“Como alguém faz um plano de negócios para dez anos se tudo muda em uma canetada? Precisamos recuperar a confiança, simplificar a legislação e reduzir o Custo Brasil”, disse. O senador também defendeu mais investimentos em pesquisa, inovação e integração entre universidades e o setor produtivo.

Curso das reformas

Último a falar, Ronaldo Caiado sustentou que a retomada da confiança dos investidores depende da preservação das reformas econômicas e da estabilidade institucional. “Precisamos de um governo capaz de dar continuidade às reformas. Quando as regras mudam constantemente, os investimentos deixam de acontecer”, afirmou.

Caiado também destacou a importância do equilíbrio fiscal, do controle da inflação e da redução gradual dos juros para estimular a atividade produtiva.

Realizado a cada quatro anos, o encontro da CNI busca aproximar os candidatos à Presidência das demandas do setor industrial. A mensagem levada aos presidenciáveis foi clara: sem segurança jurídica, infraestrutura adequada e previsibilidade econômica, o país continuará esbarrando nos mesmos obstáculos que há décadas limitam sua competitividade.

Papo Reto

Davi Alcolumbre negou ter recebido US$ 30 milhões do ex-banqueiro Daniel Vorcaro em conta no exterior, conforme divulgado pela revista Veja. 

•Em duro discurso no Plenário, classificou a acusação como falsa e afirmou que buscará acesso ao acordo de colaboração citado na reportagem. 

A Câmara Federal aprovou de forma unânime criação da política nacional de inclusão de pessoas diagnosticadas com transtornos de neurodesenvolvimento, como o TDAH e a dislexia.

•O Senado aprovou criação da primeira Universidade Federal do Esporte, voltada à formação, pesquisa e desenvolvimento de políticas ligadas à atividade esportiva. 

A Câmara aprovou proposta que garante atestado a trabalhadores que precisarem acompanhar crianças em consultas médicas ou tratamentos de saúde. 

•Congresso aprovou projeto que torna Salvador sede simbólica do governo federal no dia 2 de julho, data que marca a consolidação da Independência do Brasil na Bahia.

Presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria Química, André Passos, afirmou que o ambiente eleitoral tem dificultado a adoção de medidas de defesa comercial para proteger a indústria nacional. 

•O presidente da Abiquim destacou que a química está por trás de produtos que vão desde roupas até acessórios, como óculos. André Passos cobrou melhorias para o setor que desempenha papel estratégico em áreas ligadas à inovação, à segurança e à qualidade de vida.

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.