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Decisão

CBV segue política do COI e bane mulheres trans de competições femininas

Regra de elegibilidade será aplicada a partir da próxima temporada da Superliga e em outros torneios nacionais

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  • Da Redação | Com O Globo
  • 16/08/26 18:00
CBV segue política do COI e bane mulheres trans de competições femininas

Rio de Janeiro, RJ - A Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) informou nesta sexta-feira que adotará, nos campeonatos nacionais, a política do Comitê Olímpico Internacional (COI) referente à elegibilidade de atletas para disputas da categoria feminina. Com a mudança, será realizado um teste genético para identificar a presença ou ausência do gene SRY (Sex-determining Region Y), associado ao desenvolvimento das características sexuais masculinas. Na prática, a medida bane mulheres trans de competições femininas.


Em nota, a confederação afirmou que a mudança segue os fundamentos da Política de Proteção da Categoria Feminina do COI, publicada em março deste ano. O documento prevê a análise do gene SRY como parte do processo de elegibilidade, com exceções para situações específicas estabelecidas pela própria política.


Há, por exemplo, casos em que uma condição médica rara pode impedir que a testosterona produza efeitos anabólicos ou de melhora de desempenho. Nessas circunstâncias, a atleta poderá ser avaliada individualmente por profissionais especializados.


A CBV também informou que oferecerá, ou facilitará quando possível, acesso a acompanhamento médico independente, suporte psicológico e medidas de proteção. Essas ações serão especialmente consideradas quando o resultado dos exames indicar uma condição médica que ainda não era conhecida pela atleta.


A aplicação dos novos critérios ocorrerá na temporada 2026/2027 da Superliga A e B. A determinação também alcançará a Supercopa de 2026, a Copa Brasil de 2027, o Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia 2027, na categoria adulta, e o CBVP Challenger 2027.


Para João Olyntho, presidente do Conselho de Saúde do Voleibol da CBV, a decisão coloca a entidade em sintonia com as diretrizes adotadas pelo COI e pela Federação 

Internacional de Voleibol (FIVB). Segundo o médico, o procedimento de coleta para a análise do gene SRY é pouco invasivo e apresenta alta precisão. A CBV também destacou que sua nova política está alinhada às orientações da FIVB e da Confederação Sul-Americana de Voleibol (CSV).


Impacto sobre Tifanny


A nova regulamentação terá impacto direto sobre Tifanny Abreu, primeira atleta transgênero a chegar à elite do vôlei brasileiro. A oposta atualmente treina com o Osasco visando à disputa do Campeonato Paulista, no qual tem estreia prevista para este sábado (15), contra o Pinheiros.


Como o Estadual não está incluído entre as competições alcançadas pela nova política, Tifanny poderá atuar normalmente no torneio. A situação muda, porém, quando o assunto é a próxima edição da Superliga, cuja participação estará condicionada aos critérios estabelecidos pela CBV.


Na temporada 2024/2025, Tifanny foi campeã da principal competição nacional de vôlei pelo clube paulista. Depois da conquista, a jogadora ressaltou a importância da representatividade no esporte e afirmou que sua trajetória serve de inspiração para crianças, adolescentes e outras pessoas trans.


“Muitas crianças e adolescentes se inspiram em mim e acreditam que podem, sim, voltar a brilhar e a ter um lugar ao sol. Pessoas trans saem da escola muito cedo por transfobia, não têm espaço no mercado de trabalho, não têm visibilidade. A cada dia que passa, mais pessoas estão tendo essa visibilidade, e eu sou a representante do esporte. Vou ficar mais feliz quando houver outras pessoas trans no esporte, representando também”, ressaltou Tifanny.


Foto: Divulgação/Osasco

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.