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EDITORIAL

Caso Master, STF, gestão de danos e contenção: a saída pela tangente.

Nota oficial tenta pacificar o ambiente, mas expõe ruído institucional e desconforto interno

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  • Da Redação | Olavo Dutra
  • 13/02/26 08:00
Caso Master, STF, gestão de danos e contenção: a saída pela tangente.
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omaram a bola de papel com que Juquinha atormentava os colegas de sala. O diretor se postou à porta, lançou um olhar severo sobre a turma, espetou o dedo e sentenciou: aquele comportamento intoxica o ambiente, expõe os professores e desacredita a escola perante a comunidade.

 

Fachin toma as rédeas da crise, retira relatoria de Toffoli e divulga nota retórica explicando mais do que o necessário.

A cena serve de metáfora adequada para compreender o Caso Banco Master e a reação do Supremo Tribunal Federal diante da controvérsia que se formou em torno da atuação do ministro Dias Toffoli. O ministro acabou afastado da relatoria do rumoroso caso e a Suprema Corte chega a um ponto de inflexão. 

A questão central não está apenas na decisão judicial em si, mas no que veio depois: uma nota oficial incomumente extensa e retoricamente carregada, divulgada pela Corte para reafirmar que tudo transcorreu “conforme o rito”.

Antes: gesto individual

O processo envolvendo o Banco Master já circulava em ambiente sensível, reunindo interesses econômicos, investigações em curso e expectativas de desfecho institucional. Quando a decisão de Toffoli veio à tona, o debate extrapolou os limites técnicos e ganhou dimensão política e simbólica.

Ainda que decisões monocráticas façam parte do funcionamento do STF, o contexto ampliou o alcance do gesto. O que poderia ser tratado como rotina processual passou a ser lido como exposição institucional.

Durante: reação da Corte

A resposta veio pela voz do presidente do STF, ministro Edson Fachin, subscrita pelos demais ministros. A nota buscou enfatizar que Toffoli atuou dentro das regras, atendendo às manifestações da Procuradoria-Geral da República e da Polícia Federal.

Do ponto de vista formal, o texto não diz nada além do esperado: reafirma procedimentos, exalta o rito e invoca a normalidade institucional. Mas é justamente aí que surge o ruído.

Se tudo estava rigorosamente correto, por que a necessidade de uma explicação pública tão enfática?

Depois: incômodo fica

Notas explicativas não costumam ser publicadas quando o procedimento fala por si. Elas surgem quando há percepção de desgaste, quando o ambiente já foi contaminado por dúvidas ou quando a instituição sente que precisa reconstruir a narrativa.

O STF não puniu o “aluno”, nem reviu o conteúdo do ato. Limitou-se a recolher a bola de papel e discursar para a plateia. O gesto parece menos uma ação de gestão e mais um típico movimento de contenção de danos.

O recado não foi dirigido apenas ao público externo, mas também ao ambiente interno da Corte, sinalizando que o problema não era o rito - era o barulho.

Gestão ou contenção?

Ao optar por uma defesa institucional explícita, o STF reforça sua preocupação com a imagem, mas também admite, ainda que indiretamente, que a decisão produziu efeitos além do processo. A escola segue funcionando, os professores seguem em sala, mas a inquietação não desapareceu com o sermão.

A bola de papel foi retirada; o desconforto, não.

No fim, o Supremo Tribunal Federal optou pelo discurso quando o silêncio técnico talvez fosse mais eloquente. Ao explicar demais, expôs o incômodo. Ao defender o rito, confirmou o ruído. Não houve correção de conduta nem revisão de ato - apenas a tentativa de reorganizar o ambiente depois que a bola de papel já havia atravessado a sala.

Não foi gestão exemplar; foi contenção de danos.

A aula seguiu, o quadro foi limpo, mas o episódio deixou claro que, quando a Corte sente necessidade de ensinar ao público como funciona o próprio procedimento, é porque algo saiu do script. E, nesse caso, o problema nunca foi a bola. Foi o barulho que ela fez - e quem a atirou.

Papo Reto

Na campanha eleitoral, Lula (foto) prometeu zerar a fila de obtenção da aposentadoria, mas o tamanho dela só cresceu, e como cresceu! A fila acumula hoje quase 3 milhões de brasileiros.

•A Comissão de Assuntos Econômicos do Senado aprovou projeto que acaba com a carência para licença-maternidade no INSS a todas as mulheres contribuintes.

Pela lei que regula o Regime Geral da Previdência Social, hoje, para ter direito ao benefício, somente a empregada, a trabalhadora avulsa e a empregada doméstica seguradas não precisam cumprir os dez meses de contribuição ao INSS.

•O projeto, então, estende a não obrigatoriedade de carência para todas as contribuintes, incluindo as seguradas individual, especial e facultativa.

Fevereiro nem chegou no meio, mas o governo Lula já gastou mais do que arrecadou este ano, diz a plataforma Gasto Brasil, mostrando R$660 bilhões em despesas enquanto, segundo o Impostômetro, o total de impostos arrancados do povo "só" chegou a R$557 bilhões no período. 

•O partido Novo acionou o Tribunal Superior Eleitoral contra o PT por escola de samba que homenageará Lula no Rio, indicando propaganda eleitoral antecipada ao presidente.

Na denúncia, a legenda pede que a Corte eleitoral aplique multa de R$ 9,65 milhões. O detalhe sórdido é o fato de que o presidente de honra da escola de samba, Anderson Pipico, é vereador pelo PT em Niterói.

•Representantes de plataformas de transporte e entregas se reuniram com Hugo Motta para pedir equilíbrio no projeto que regula o trabalho por aplicativo. 

Em manifesto, alertaram que o texto atual ameaça a sustentabilidade dos serviços, impactando milhões de trabalhadores e usuários.

Mais matérias OLAVO DUTRA

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.