Segurança Pública do Pará só tem olhos para a capital. Operações contra violência no interior deixam a desejar/Foto Agência Pará

O secretário de Segurança Pública do Pará, Ualame Machado, que é delegado da Polícia Federal, deve achar que as investigações da sua própria instituição não passam de conto da carochinha quando se trata de acusações de corrupção contra o governador Hélder Barbalho. Em todas as aparições na mídia, repete o mantra de que o Pará “está sob total controle” e que os índices de violência caíram bruscamente graças às ações implementadas pelo Estado. Em nenhum momento, o delegado federal faz referência à explosão da violência no interior e ao aumento dos homicídios em relação ao ano passado.

A moda na Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Pará sob o comando do delegado federal Ualame Machado é comparar, usando dados estatísticos disponíveis, os índices da criminalidade de 2021 com os de 2018, passando uma borracha repetidamente sobre o de 2020, o ano que não existiu, para ele. 

Um fantasma bate
à porta do delegado

Agora mesmo, diante do “total controle” da criminalidade no Estado, um fantasma bate à porta do secretário de Segurança: a morte de um colega de corporação, o agente federal Ramon Santos Costa, 33 anos, assassinado ao reagir a assalto a um ônibus que vinha de Marabá para Belém. O que se diz na PF é que, infelizmente, para que os órgãos de segurança do Pará tomassem providências contra a violência no trecho Jacundá- Goianésia, um colega da corporação teve que pagar com a vida.

Área de risco e sem
controle policial

Ao menos um agente federal ouvido pela coluna garante que assaltos são constantes naquela área, acrescentando que as três pessoas apontadas como responsáveis pela morte do agente federal são contumazes nessa prática. O policial denuncia a falta de investigação da Polícia Civil do Pará e que “a bandidagem conta” com o apoio da Polícia Rodoviária Estadual, considerada, segundo ele, “o Pesadelo da PA-150”, cuja participação se resume “à cobrança escancarada de propina”.

Rede estendida para  
“peixes pequenos”

A Corregedoria da Polícia Civil do Pará não move uma palha contra supostos atos de irregularidades atribuídos ao ex-delegado-geral da Polícia Civil Alberto Teixeira, cunhado da eminência parda do governo e ex-chefe da Casa Civil Parsifal Pontes. Em compensação, 29 procedimentos administrativos disciplinares estão em curso somente neste ano mirando os chamados “peixes pequenos” da corporação. Parece prevaricação – e é -, enquanto o acanhado Ministério Público do Pará faz de conta que não sabe de nada.

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