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Tudo como dantes na UFPA: problemas de segurança reabrem os debates no Guamá

Assaltos no campus e salas sem energia provocam cobranças da comunidade; denúncias antigas também voltam ao debate.

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  • Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 21/08/26 09:00

Nova gestão, velhos problemas: professor acusado de assédio acompanha o reitor Gilmar Pereira em ato público/Fotos: Divulgação.


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uem olha de fora pode até imaginar que as coisas estão tranquilas entre os muros da Universidade Federal do Pará (UFPA). Nos corredores do campus do Guamá, porém, as reclamações são de que está cada vez mais difícil estudar e trabalhar em algumas áreas da universidade, onde salas sem energia elétrica se somam a episódios de assaltos.

A situação da segurança voltou a chamar atenção na sexta-feira, dia 14, quando um assalto registrado pelas câmeras ocorreu no Instituto de Geociências. Uma servidora e estudantes foram abordados por um homem de camisa verde e boné escuro, que circulou pelo prédio, importunou alunas e roubou os pertences e a bolsa de uma das vítimas antes de fugir de bicicleta.

Não é a primeira ocorrência a expor a vulnerabilidade do campus. Em outubro de 2025, um vigilante que prestava serviço de segurança na universidade foi baleado por criminosos dentro do campus do Guamá. Os assaltantes roubaram a arma do profissional e fugiram.

No final de 2024, um homem foi preso em flagrante após tentar roubar a bolsa de uma universitária durante a noite. Segundo as informações divulgadas à época, ele se passava por estudante para entrar no campus e aproveitava locais de pouca movimentação para abordar as vítimas.

Salas sem energia

Enquanto os problemas de segurança se repetem, a infraestrutura também virou alvo de cobranças. A Associação de Docentes da UFPA (Adufpa) publicou manifesto na quinta-feira, 20, denunciando que muitas salas da universidade estão sem energia elétrica. Segundo a entidade, professores tentam manter as aulas, estudantes procuram alternativas para não interromper sua formação e técnicos trabalham em condições que não deveriam ser consideradas normais. A manifestação foi motivada também por vídeo publicado pelo professor Gilberto Marques, mostrando problemas nas instalações.

Para a Adufpa, quando professores e estudantes precisam improvisar para manter as atividades, o problema deixa de ser apenas uma questão de infraestrutura e passa a atingir diretamente as condições de ensino, aprendizagem, pesquisa e trabalho. A entidade afirma ainda que a precariedade não pode se transformar em rotina e que a comunidade universitária não pode ser chamada a fazer mais com menos enquanto condições básicas para o desenvolvimento das atividades acadêmicas deixam de ser garantidas.

Denúncias permanecem

Os problemas atuais de segurança e infraestrutura ocorrem enquanto a nova administração da UFPA ainda convive com questionamentos relacionados a denúncias surgidas na gestão anterior.

Em 2024, a coluna revelou que, durante uma reunião da Congregação do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH), foram discutidas acusações envolvendo dois professores. Um dos casos tratava de denúncia de suposto assédio moral. O outro envolvia questionamentos sobre documentação acadêmica de um professor.

As acusações foram objeto de procedimentos e investigações, mas não devem ser tratadas como fatos definitivamente comprovados sem o respectivo desfecho administrativo ou judicial.

O caso envolvendo o professor Edson Marques Leal Soares Ramos está relacionado a acusações feitas pela professora Maély Ferreira Holanda Ramos, então vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Segurança Pública. Ela afirmou ter sido vítima de agressões e perseguição. O programa publicou manifestação de apoio à professora e cobrou rapidez na apuração.

Já o caso envolvendo Leandro Passarinho Reis Júnior surgiu a partir de questionamentos sobre sua formação acadêmica e documentação apresentada. A própria UFPA informou, à época, que o documento questionado não seria falso, mas teria sido adulterado.

Os velhos problemas

É nesse ambiente que a atual administração do reitor Gilmar Pereira passa a ser cobrada. A expectativa natural de uma mudança de gestão é que problemas identificados anteriormente sejam enfrentados e que a comunidade acadêmica perceba mudanças concretas na rotina da instituição.

Uma fonte ouvida pela coluna avalia, porém, que pouca coisa teria mudado em relação à administração anterior e aponta a segurança como um dos principais problemas. A afirmação é uma avaliação da fonte e não uma conclusão da coluna.

O fato objetivo é que a UFPA voltou a aparecer no noticiário por problemas que deveriam estar entre as prioridades de qualquer administração universitária: segurança para quem circula pelo campus e condições mínimas para o funcionamento das atividades acadêmicas.

O desafio da reitoria

Uma universidade do tamanho da UFPA naturalmente enfrenta dificuldades de manutenção e segurança. O que não pode se tornar natural é a repetição de ocorrências sem que estudantes, professores e servidores percebam respostas capazes de reduzir os problemas.

O assalto registrado no Instituto de Geociências, depois de outras ocorrências recentes, reforça a necessidade de avaliar a segurança do campus. As denúncias sobre salas sem energia apontam para outra frente igualmente básica: garantir que aulas, pesquisas e atividades administrativas possam funcionar normalmente.

E os casos antigos acrescentam uma terceira dimensão: a necessidade de que denúncias envolvendo integrantes da comunidade acadêmica sejam apuradas com transparência, respeito ao contraditório e sem proteção corporativa.

Não é uma questão de defender esta ou aquela gestão. É mais simples: uma universidade federal precisa garantir segurança, infraestrutura e respostas claras à sua comunidade. Quando esses três itens começam a faltar ao mesmo tempo, a Reitoria tem mais do que um problema de imagem. Tem um problema de gestão para resolver.

Papo Reto

A propaganda eleitoral gratuita começa na sexta-feira, dia 28. Na quarta-feira, 19, foi determinado o tempo de cada candidato nos programas. 

•A divisão segue critérios da Justiça Eleitoral e considera, principalmente, a representação dos partidos e federações na Câmara dos Deputados. 

Na disputa do governo, os candidatos Hana Ghassan (foto), do MDB, e Daniel Santos, do Podemos, têm o maior tempo de propaganda, seguidos de Araceli Lemos, do Psol. 

•Desde o dia 16 de agosto, a população já pode utilizar o aplicativo Pardal Móvel para denunciar propaganda eleitoral irregular e permite o acesso das denúncias diretamente pelos Tribunais Regionais Eleitorais.

O aplicativo busca facilitar a fiscalização do cumprimento das regras eleitorais e para acessar, a pessoa deverá se identificar por meio do e-Título ou da plataforma Gov.br. O Pardal Móvel pode ser baixado de graça em tablets e celulares, nos sistemas Android e iOS.

•A Justiça Eleitoral admitiu uma ação contra o presidente Lula e o vice Geraldo Alckmin sobre possíveis irregularidades relacionadas ao desfile da Acadêmicos de Niterói, que desfilou um enredo com homenagem a Lula no Carnaval deste ano. 

A representação foi apresentada pelo Novo e cita, entre outros pontos, recursos públicos destinados à escola de samba.

•A Latam confirmou o vazamento de dados de parcela de seus clientes.

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.