Operação em Icoaraci dita regra, enquadra bares no meio da rua e apreende motos Tendência do PT reafirma aliança com MDB, mas expõe fissuras internas Defesa de Mário Couto contesta decisão do TSE e pede uma nova eleição ao Senado
ELEIÇÕES 2026

Tendência do PT reafirma aliança com MDB, mas expõe fissuras internas

Congresso confirma apoio à chapa de Hana e prioriza nomes próprios; partido segue sob hegemonia de Beto Faro.

  • 399 Visualizações
  • Da Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 24/02/26 11:00
Tendência do PT reafirma aliança com MDB, mas expõe fissuras internas
D


esde que o senador Beto Faro consolidou o comando do PT no Pará e se elegeu ao Senado em 2022, o partido mudou de eixo - e de dono político. A ascensão do novo líder ocorreu após uma rearrumação interna que tirou do centro das decisões o então senador Paulo Rocha, histórico aliado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Partido segue alinhado ao Palácio dos Despachos, mas descortina disputas internas sem mencionar o projeto político da família Faro/Fotos: Divulgação.
Paulo Rocha foi acomodado na Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), movimento interpretado nos bastidores como solução política interna. Desde então, sua influência partidária diminuiu visivelmente, enquanto a interlocução de Beto Faro com o governador Helder Barbalho consolidou uma nova engrenagem de poder no PT paraense. O resultado é um partido mais alinhado ao Palácio dos Despachos - e menos plural nas suas disputas internas.

Resolução diz muito

No último fim de semana - 20, 21 e 22 -, a tendência interna “Construindo um Novo Pará” aprovou resolução política e eleitoral que confirma a estratégia estadual: manter a aliança com o MDB e indicar o deputado estadual Dirceu Ten Caten como pré-candidato a vice-governador na chapa liderada pela atual vice-governadora Hana Ghassan, nome escolhido para a sucessão de Helder Barbalho.

A deliberação reforça oficialmente o que, na prática, já vinha sendo adotado: o PT como aliado prioritário do MDB na sucessão estadual.

Internamente, porém, a leitura não é unânime. Parte da militância vê o partido perder protagonismo próprio e assumir papel coadjuvante - a pecha de “puxadinho do MDB” circula sem pudor em rodas políticas.

Um projeto familiar

A resolução também deliberou pela reeleição do deputado federal Airton Faleiro, nome consolidado no campo da agricultura familiar. Mas o que movimenta os bastidores é outro projeto. As redes sociais e articulações políticas indicam que o senador Beto Faro trabalha para ampliar a presença familiar na bancada federal. Sua esposa, Dilvanda Faro, já exerce mandato como deputada federal. O filho, Yuri Faro, atual vice-prefeito de Acará, é apontado como possível candidato à Câmara.

O movimento, ainda não formalizado na resolução da tendência, gera desconforto em quadros históricos do partido que defendem maior renovação e diversidade de candidaturas.

Aposta lateral

Para a Assembleia Legislativa, a tendência definiu como prioridade o nome do ex-deputado Zé Geraldo, liderança tradicional do partido. Além disso, lançou uma “chapa coletiva do esporte”, reunindo dirigentes de federações e clubes regionais. A estratégia busca ampliar capilaridade eleitoral por segmentos específicos, especialmente no interior.

A tendência também anunciou a pré-candidatura de Telma Saraiva, ligada ao Ministério da Cultura.

Tendências congeladas

Historicamente marcado por correntes internas ativas, o PT paraense vive hoje um cenário de concentração decisória. Das várias tendências que moldaram disputas passadas, poucas mantêm protagonismo efetivo. A hegemonia construída por Beto Faro reorganizou forças e redefiniu prioridades. A proximidade com o governo estadual ampliou espaço institucional, mas reduziu o conflito interno - ao menos publicamente.

Unidade e dependência

A resolução reafirma compromisso com a reeleição de Lula e com a construção de uma “ampla frente democrática”. No plano estadual, porém, o debate é menos ideológico e mais estratégico: quanto espaço o PT terá num eventual novo governo do MDB?

O partido que já foi protagonista de embates internos intensos agora parece operar sob lógica mais centralizada. A unidade proclamada nas resoluções convive com murmúrios sobre perda de identidade própria.

No mercado político do Ver-o-Peso, dizem que “a pipa de Beto Faro pegou vento”. Resta saber até onde ela sobe - e quem ficou segurando a linha.

Papo Reto

•Deu em “O Globo”: duas décadas depois da criação do Bolsa Família, o modelo de proteção social do País pode passar por uma reformulação em um eventual quarto mandato do presidente Lula. 

Os sinais vêm de declarações recentes do ministro da Fazenda, Fernando Haddad (foto), em favor da unificação de benefícios assistenciais e da migração para um conceito de renda básica em meio ao gasto crescente e ao descontrole em alguns auxílios em alta, como o Benefício de Prestação Continuada. 

•Desde 2004, quando o Bolsa Família virou lei, a despesa com programas sociais subiu quase 500% em termos reais - descontada a inflação -, para R$ 383 bilhões, segundo levantamento da Instituição Fiscal Independente do Senado”.

Mesmo com elevação de impostos, Estados têm o pior resultado fiscal da década por conta do aumento de despesas.

•Os resultados das estatais também revelam cenário de terra arrasada, com as companhias contabilizando prejuízos desde 2023.

Por falar em estatais, o TCU promete divulgar nos próximos dias relatório com o quadro crônico e irreversível dos Correios, que só em 2026 já acumula déficit de R$6 bilhões.

•O Senado Federal terá votações, hoje e amanhã, com temas que vão de mudanças na Lei Geral de Proteção de Dados à criação de política para o transporte rodoviário profissional. 

Horas após a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubar o tarifaço, Donald Trump anunciou a criação de uma tarifa global temporária de 10%, válida por 150 dias. 

•Hugo Motta anunciou que o Plenário deve votar na próxima semana o acordo entre Mercosul e União Europeia. A decisão ocorreu após o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciar nova tarifa global. 

Após mais de 20 anos de negociações, o acordo Mercosul-UE entra na fase decisiva no Congresso. O tratado amplia o acesso ao mercado europeu, impõe compromissos ambientais e divide o agronegócio, indústria e parlamentares. Entenda o que está em jogo.

Mais matérias OLAVO DUTRA

img
Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.