"Modernização" esbarra em atrasos, dúvidas na distribuição e queixas da rede de ensino em Belém e no interior.
nunciado com estardalhaço em junho de 2025, o programa “Conecta Educação”, do governo do Pará, previa a entrega de 36 mil chromebooks à rede estadual, um investimento superior a R$ 64 milhões, vendido como salto tecnológico para escolas de Belém e do interior. O salto virou tropeço: quase um ano depois, o que se vê em campo está longe da promessa.

Segundo o Sistema Modular de Ensino (Some), cerca de 17 mil equipamentos teriam sido entregues. O número, porém, não se traduz em presença efetiva nas escolas. Professores relatam que, apesar dos anúncios oficiais, os computadores simplesmente não chegaram às mãos de quem deveria utilizá-los.
Em regiões onde o acesso a recursos pedagógicos já é limitado, a ausência dos equipamentos aprofunda desigualdades. “O discurso é de inclusão digital, mas a prática revela falhas de execução, logística e transparência”, resumem educadores ouvidos pela coluna.
A cobrança é direta: onde estão os chromebooks? Como se deu a distribuição? Quais critérios foram adotados? Quem, de fato, foi contemplado?
O modelo do programa prevê que cada escola receba um carrinho com 36 equipamentos, transformando salas em laboratórios digitais móveis. Na teoria, a equação fecha; na prática, não.
No interior, os relatos são mais duros. Em Igarapé-Miri, professores afirmam que nunca viram os equipamentos. “Vieram apenas 10 unidades para um universo de 33 docentes”, diz um deles, sob anonimato. A conta não fecha, mas ninguém explica.
Em Abaetetuba, a situação beira o constrangimento. Professores foram convocados para uma cerimônia de entrega. Evento montado, expectativa criada - mas os chromebooks não apareceram. “Ninguém sabe, ninguém viu”, resume o mesmo professor.
Nem mesmo as Diretorias Regionais de Educação conseguem dar respostas consistentes, segundo os relatos. O descompasso entre o discurso oficial e a realidade nas escolas virou regra, não exceção.
A Secretaria de Educação do Pará sustenta que o processo está em andamento. Afirma que todas as 975 escolas estaduais já contam com internet - via fibra óptica ou satélite - e que a distribuição dos equipamentos ocorre de forma gradual, após a consolidação da conectividade.
O órgão também destaca a parceria com o Google for Education para capacitação docente e cita programas complementares, como o “Bora Estudar”, que levou internet via satélite às unidades. A promessa segue de pé: universalizar o acesso aos chromebooks em toda a rede.
Paralelamente à crise dos equipamentos, outra tensão cresce dentro do Some: as portarias de lotação para o próximo ano. Com a retomada do ensino fundamental pelos municípios - após fiscalização do Ministério Público -, o Some tende a se concentrar no ensino médio, como prevê a legislação. Isso reduz turmas e acirra a disputa por vagas.
Em Abaetetuba, professores articulam mudanças nas regras de lotação. A denúncia é de tentativa de flexibilizar critérios do Regime Jurídico Único para privilegiar docentes locais, com mais tempo na região. A movimentação incluiria pressão política junto ao titular da pasta, Ricardo Sefer, por meio de interlocução com uma deputada estadual. Se prosperar, a medida pode provocar efeito cascata: professores de outras regiões temem remoções forçadas e lotações distantes.
O “Conecta Educação” nasceu como vitrine de modernização, mas, passados quase 12 meses, enfrenta o teste mais básico de qualquer política pública: sair do papel. Enquanto números seguem sendo anunciados, professores seguem esperando - alguns, sem nunca terem visto um único equipamento. A tecnologia prometida para reduzir distâncias acabou revelando outra: a que separa o discurso oficial da realidade nas escolas.

• Assessores e DAS da prefeita de Marituba, Patrícia Alencar (foto), congestionaram o bairro do Pato Macho, na manhã de ontem, onde a gestora inaugurou obras em uma escola e em um posto de saúde.
• Entraram pela porta dos fundos - como quem tenta escapar, e em alta velocidade, como sempre. As ruas adjacentes, por onde o povo costuma trafegar, seguem impraticáveis, corroborando a noção de que “asfalto por todo o Pará” e só no Pará.
• Depois de festas, salamaleques nas redes sociais e ações na Justiça contra jornalistas e influenciadores que foram do nada para lugar nenhum, Patrícia Alencar, que um dia sonhou sair candidata a deputada federal, desce a ladeira da impopularidade, levando junto a vice-prefeita Barbara Marques, presa pela PF na Operação Expertise, amigos, assessores, DAS, empresas e empresários amigos.
• Lembra o triste fim de Policarpo Quaresma, em âmbito municipal, no sonho inalcançável até mesmo voando em uma tirolesa. Era uma vez a figura pública; resta a caricatura.
• O TSE rejeitou recursos da ex-deputada Sílvia Waiãpi e manteve cassação de seu mandato por uso irregular de recursos do fundo eleitoral nas eleições de 2022 para a realização de uma harmonização facial.
• Diante das fortes chuvas que assolam o litoral do Nordeste, o presidente da Câmara, Hugo Motta, entrou em contato com o governador da Paraíba e informou que a Casa está à disposição para agilizar projetos que possam facilitar o amparo aos Estados atingidos pelas enchentes. Em Belém, Igor Normando que se habilite.
• O TJ do Distrito Federal F rejeitou liminar da influenciadora Manuella Tyler para retirar do ar publicação de Nikolas Ferreira na qual insinua que a primeira-dama Janja estaria com ciúmes do presidente Lula ao vê-lo tirar foto com ela.
• Caetano Veloso agradeceu ao senador Otto Alencar após ser defendido de uma associação de luta armada feita durante sessão no Senado.
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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