Durante pronunciamento no Templo Central, líder da igreja reconheceu que houve “exageros” no uso do espaço durante a COP30, mas calou sobre contratos
“Quero me dirigir aos pacificadores e aos filhos de Deus”. Com essa expressão, o líder da igreja Assembleia de Deus, pastor Samuel Câmara, iniciou um longo discurso onde, pela primeira vez, resolveu falar abertamente sobre a polêmica envolvendo o suposto “uso indevido” dos espaços do templo Centenário, da rodovia Augusto Montenegro, em Belém, durante a COP30.
O direcionamento da fala deixa claro, no entanto, que Samuel Câmara ate reconhece que precisa se reportar sobre o assunto, mas não a todos. Quando se refere aos “pacificadores”, ele deixa claro que despreza o que ele classificou como ‘fofocas e julgamentos precipitados’, que marcaram o caso nas redes sociais. “Quem é filho de Deus e ama a igreja precisa, no mínimo, procurar conversar pessoalmente, buscar informações, não levar o caso para as redes sociais irresponsáveis”, pontuou.
Aos 'pacificadores' e aos 'filhos de Deus', Samuel Câmara pediu desculpas pelo que ele classificou como “episódios isolados ocorridos nos dois primeiros dias de evento”. Depois disso, segundo ele, o pastor Jakson Silva, coordenador do espaço, “intensificou esforços para reparar o uso do local e evitou novos episódios polêmicos, mesmo com 137 mil pessoas usando o espaço durante os demais dias de Convenção do Clima”, explicou Câmara.
No pronunciamento que fez sobre o assunto, no Templo Central, em Belém, Samuel Câmara também criticou pastores que procuraram tornar suas críticas públicas, antes de optarem por saber o que realmente aconteceu. “É bíblico o exercício de procurar testemunhas para, em grupo, verificar o que realmente aconteceu. É errado julgar antes de conversar”, reiterou.
Ao mesmo tempo, o pastor agradeceu o apoio que recebeu, segundo ele, de quem realmente 'ama a igreja’. “A essas pessoas, aos pacificadores que, segundo a bíblia, serão chamados de ‘filhos de Deus’, eu peço minhas mais sinceras desculpas. Há 30 anos que venho doando minha vida ao Evangelho e faço isso com muito amor. Querem criticar a mim, critiquem, mas poupem a igreja, poupem nossa amada igreja, por favor”, pontuou.
Apesar de abrir o coração sobre a polêmica, Câmara manteve fechado o coração sobre valores. Informações que circulam nas redes sociais falam em algo na casa dos R$ 2 milhões em contratos para uso do Centenário durante a COP30, mas nada foi comprovado. Sobre esse aspecto, em especial, Câmara realmente reitera, mesmo sem dar um pio, que trata-se de uma informação exclusiva de seu estafe.
Ainda assim, ele acredita - e o contrato firmado com o Estado durante a pandemia da Covid-19 está aí para comprovar - que o assunto é pouco tempero para salgar o caldo que é a igreja em Belém. Samuel Câmara pede “cautela, união e responsabilidade” para tratar de assuntos espinhosos, como esse. Mas um pouco de silêncio também deixaria o pastor muito feliz.
Foto: Divulgação
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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