O setor não está apenas em crise, ele dá sinais claros de esgotamento, como munca dantes na história desse País
Há algo profundamente errado na economia brasileira quando o setor que mais emprega, distribui renda e movimenta o consumo interno passa a lutar, diariamente, apenas para sobreviver. O varejo nacional não vive uma simples desaceleração. Vive uma crise silenciosa, prolongada e devastadora.
Os números são eloquentes. O Brasil convive atualmente com cerca de 74,8 milhões de consumidores inadimplentes - praticamente 45% da população adulta. Cada devedor acumula, em média, mais de R$ 5 mil em dívidas. Sem crédito e pressionadas pelo custo de vida, milhões de famílias simplesmente deixaram de consumir.
O resultado aparece imediatamente nos balcões das lojas. O consumidor compra menos, troca qualidade por preço, adia decisões e restringe seus gastos ao indispensável.
Para o comerciante, sobra um cenário perverso: vendas fracas, estoques elevados, margens cada vez menores e custos que continuam subindo.
Como se não bastasse, o empresário brasileiro enfrenta uma das combinações mais hostis do mundo para produzir riqueza: elevada carga tributária, excesso de burocracia, crédito caro e insegurança regulatória. Em vez de investir, inovar e gerar empregos, grande parte dos empresários dedica tempo e recursos para cumprir exigências fiscais e administrar o próprio fluxo de caixa.
O problema vai além das portas das lojas. Quando o varejo enfraquece, a indústria vende menos, os serviços desaceleram, a arrecadação diminui e o desemprego encontra terreno fértil para crescer. O comércio é um termômetro da economia. Se ele está febril, dificilmente o restante do organismo estará saudável.
Nem mesmo datas tradicionalmente fortes têm conseguido impulsionar o setor. Em junho deste ano, impulsionado pela expectativa da Copa do Mundo e das festas juninas, o comércio registrou seu pior desempenho para o mês desde o período da pandemia, evidenciando que o problema já não é sazonal, mas estrutural.
É preciso abandonar a ilusão de que o varejo se recuperará sozinho. Nenhuma economia cresce de forma consistente quando quase metade de sua população adulta está inadimplente e o crédito permanece caro para consumidores e empresas.
O Brasil precisa devolver competitividade ao seu comércio. Isso passa por um sistema tributário mais simples, segurança jurídica, estímulos ao investimento, acesso ao crédito em condições sustentáveis e políticas econômicas que fortaleçam a renda e a confiança das famílias.
O varejo brasileiro nunca pediu privilégios. Ele pede apenas condições para trabalhar, competir e crescer. Ignorar essa realidade significa aceitar o fechamento de milhares de empresas, a destruição de empregos e o enfraquecimento da economia nacional.
O varejo não está apenas em crise. Está dando sinais claros de esgotamento. E quando as vitrines se apagam, é todo o país que perde luminosidade.
Foto: Divulgação
_________________________________
José Croelhas é economista, consultor, escritor,
palestrante e ex-diretor de Controle
Financeiro e Tarifário da Arcon/PA
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
ALina Kelian
19 de Maio de 2018 ResponderLorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipisicing elit, sed do eiusmod tempor incididunt ut labore et dolore magna aliqua. Ut enim ad minim veniam, quis nostrud exercitation ullamco laboris nisi ut aliquip ex ea commodo consequat.
Rlex Kelian
19 de Maio de 2018 ResponderLorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipisicing elit, sed do eiusmod tempor incididunt ut labore et dolore magna aliqua. Ut enim ad minim veniam, quis nostrud exercitation ullamco laboris nisi ut aliquip commodo.
Roboto Alex
21 de Maio de 2018 ResponderLorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipisicing elit, sed do eiusmod tempor incididunt ut labore et dolore magna aliqua. Ut enim ad minim veniam, quis nostrud exercitation ullamco laboris nisi ut aliquip ex ea commodo consequat.