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Quem será capaz de socorrer o varejo brasileiro em tempos de crise silenciosa?

O setor não está apenas em crise, ele dá sinais claros de esgotamento, como munca dantes na história desse País

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  • José Croelhas | Especial para a COD
  • 09/08/26 10:00
Quem será capaz de socorrer o varejo brasileiro em tempos de crise silenciosa?

Há algo profundamente errado na economia brasileira quando o setor que mais emprega, distribui renda e movimenta o consumo interno passa a lutar, diariamente, apenas para sobreviver. O varejo nacional não vive uma simples desaceleração. Vive uma crise silenciosa, prolongada e devastadora.


Os números são eloquentes. O Brasil convive atualmente com cerca de 74,8 milhões de consumidores inadimplentes - praticamente 45% da população adulta. Cada devedor acumula, em média, mais de R$ 5 mil em dívidas. Sem crédito e pressionadas pelo custo de vida, milhões de famílias simplesmente deixaram de consumir.


O resultado aparece imediatamente nos balcões das lojas. O consumidor compra menos, troca qualidade por preço, adia decisões e restringe seus gastos ao indispensável. 

Para o comerciante, sobra um cenário perverso: vendas fracas, estoques elevados, margens cada vez menores e custos que continuam subindo.


Como se não bastasse, o empresário brasileiro enfrenta uma das combinações mais hostis do mundo para produzir riqueza: elevada carga tributária, excesso de burocracia, crédito caro e insegurança regulatória. Em vez de investir, inovar e gerar empregos, grande parte dos empresários dedica tempo e recursos para cumprir exigências fiscais e administrar o próprio fluxo de caixa.


O problema vai além das portas das lojas. Quando o varejo enfraquece, a indústria vende menos, os serviços desaceleram, a arrecadação diminui e o desemprego encontra terreno fértil para crescer. O comércio é um termômetro da economia. Se ele está febril, dificilmente o restante do organismo estará saudável.


Nem mesmo datas tradicionalmente fortes têm conseguido impulsionar o setor. Em junho deste ano, impulsionado pela expectativa da Copa do Mundo e das festas juninas, o comércio registrou seu pior desempenho para o mês desde o período da pandemia, evidenciando que o problema já não é sazonal, mas estrutural.


É preciso abandonar a ilusão de que o varejo se recuperará sozinho. Nenhuma economia cresce de forma consistente quando quase metade de sua população adulta está inadimplente e o crédito permanece caro para consumidores e empresas.


O Brasil precisa devolver competitividade ao seu comércio. Isso passa por um sistema tributário mais simples, segurança jurídica, estímulos ao investimento, acesso ao crédito em condições sustentáveis e políticas econômicas que fortaleçam a renda e a confiança das famílias.


O varejo brasileiro nunca pediu privilégios. Ele pede apenas condições para trabalhar, competir e crescer. Ignorar essa realidade significa aceitar o fechamento de milhares de empresas, a destruição de empregos e o enfraquecimento da economia nacional.


O varejo não está apenas em crise. Está dando sinais claros de esgotamento. E quando as vitrines se apagam, é todo o país que perde luminosidade.


Foto: Divulgação

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José Croelhas é economista, consultor, escritor,

palestrante e ex-diretor de Controle

Financeiro e Tarifário da Arcon/PA

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.