Investigações alcançam o templo da Assembleia de Deus em Belém, onde o silêncio fala mais alto.
Documentos da CGU apontam repasse de R$ 1,9 milhão à empresa Network, distribuídos para Silas a Milena Câmara/Fotos: Agência Câmara.
última sessão da CPI do INSS, segunda-feira passada, em Brasília, terminou em flagrante e em constrangimento. O presidente da Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA), Abraão Lincoln Ferreira, foi preso no plenário, depois de se recusar a explicar pagamentos suspeitos à família do deputado federal Silas Câmara, do Republicanos, Amazonas.
Documentos da Controladoria-Geral da União (CGU) mostram que a CBPA repassou R$ 1,9 milhão à empresa Network, que, por sua vez, distribuiu valores para nomes da família Câmara - de Silas a Milena, advogada da confederação. Diante das perguntas do relator, deputado Alfredo Gaspar, do União, o presidente da CBPA preferiu o silêncio. Só admitiu conhecer Silas.
- O senhor sabe quem é Milena Câmara? - perguntou o relator.
- Sim, senhor. Trabalhou com a gente. É advogada do CBPA - respondeu Lincoln.
- O senhor sabe por que a Network passou R$ 146 mil para ela?
- Senhor, não tenho conhecimento.
A deputada Adriana Ventura, do Novo, não poupou o depoente:
- O senhor está blindando poderosos, parlamentares e outras pessoas que, sinceramente, se pensasse no futuro do seu neto, não o protegeria desse jeito.
No dia seguinte, Lincoln pagou fiança e foi solto.
O caso, que nasceu em Manaus, respinga agora no Pará, onde o irmão de Silas, pastor Samuel Câmara, comanda a Assembleia de Deus em Belém, uma das maiores do País.
Dessa vez, porém, o templo ficou em silêncio. Nenhuma manifestação pública, nenhum comunicado. Procurada, Teresa Câmara, filha do pastor, e dirigente da TV Boas Novas, limitou-se a dizer: “Agradeço imensamente o contato, mas não tenho ligação com a questão.”
A CPI ainda deve ouvir novos nomes ligados à entidade pesqueira e à família Câmara. E, enquanto isso, em Belém, o caso ecoa pelos corredores da igreja - onde a fé e a política se misturam há décadas. Entre as redes da pesca e as redes da fé, a CPI parece ter fisgado um enredo amazônico, consolidando a noção de que, quando o altar vira escudo, até o silêncio soa como confissão.
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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