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Fraude do INSS

Quando a fé entra na roda: respingos da CPI atingem família de Samuel Câmara

Investigações alcançam o templo da Assembleia de Deus em Belém, onde o silêncio fala mais alto.

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  • Da Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 08/11/2025, 08:20

Documentos da CGU apontam repasse de R$ 1,9 milhão à empresa Network, distribuídos para Silas a Milena Câmara/Fotos: Agência Câmara.


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última sessão da CPI do INSS, segunda-feira passada, em Brasília, terminou em flagrante e em constrangimento. O presidente da Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA), Abraão Lincoln Ferreira, foi preso no plenário, depois de se recusar a explicar pagamentos suspeitos à família do deputado federal Silas Câmara, do Republicanos, Amazonas.

Documentos da Controladoria-Geral da União (CGU) mostram que a CBPA repassou R$ 1,9 milhão à empresa Network, que, por sua vez, distribuiu valores para nomes da família Câmara - de Silas a Milena, advogada da confederação. Diante das perguntas do relator, deputado Alfredo Gaspar, do União, o presidente da CBPA preferiu o silêncio. Só admitiu conhecer Silas.

- O senhor sabe quem é Milena Câmara? - perguntou o relator.

- Sim, senhor. Trabalhou com a gente. É advogada do CBPA - respondeu Lincoln.

- O senhor sabe por que a Network passou R$ 146 mil para ela?

- Senhor, não tenho conhecimento.

A deputada Adriana Ventura, do Novo, não poupou o depoente: 

- O senhor está blindando poderosos, parlamentares e outras pessoas que, sinceramente, se pensasse no futuro do seu neto, não o protegeria desse jeito.

No dia seguinte, Lincoln pagou fiança e foi solto.

Do plenário ao púlpito

O caso, que nasceu em Manaus, respinga agora no Pará, onde o irmão de Silas, pastor Samuel Câmara, comanda a Assembleia de Deus em Belém, uma das maiores do País.

Dessa vez, porém, o templo ficou em silêncio. Nenhuma manifestação pública, nenhum comunicado. Procurada, Teresa Câmara, filha do pastor, e dirigente da TV Boas Novas, limitou-se a dizer: “Agradeço imensamente o contato, mas não tenho ligação com a questão.”

A CPI ainda deve ouvir novos nomes ligados à entidade pesqueira e à família Câmara. E, enquanto isso, em Belém, o caso ecoa pelos corredores da igreja - onde a fé e a política se misturam há décadas. Entre as redes da pesca e as redes da fé, a CPI parece ter fisgado um enredo amazônico, consolidando a noção de que, quando o altar vira escudo, até o silêncio soa como confissão.

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.