Comunidades clamam por ajuda de seus representantes políticos na hora da agonia, mas apelos se perdem; nem mesmo a Câmara de Vereadores lhes dá guarida.
Novo protesto bate à porta da Câmara, mas representantes de comunidades são barrados por vereadores e segurança/Fotos: Divulgação-Redes Sociais.
fim da saga das comunidades de Acará e Bujaru contra a instalação de um aterro sanitário parece distante. O projeto já andou, parou, foi negado, voltou pela porta do Judiciário - e continua avançando como quem empurra porteira sem pedir licença. O que não avança, curiosamente, é a disposição de certas lideranças políticas locais em assumir a briga – ou defender o projeto.
No meio da confusão, dois nomes ecoam com força - os do senador Beto Faro e o da mulher dele, a deputada federal Dilvanda Faro. A dupla, antes residente fixa no município - proprietários de fazenda conhecida por qualquer morador da região – parece ter desaparecido do debate quando o coro das comunidades exige posicionamento. Apelos repetidos que se perderam entre rios, furos, igarapés e áreas ameaçadas pelos 140 hectares previstos para virar destino final do lixo de 13 municípios.
Enquanto isso, a população continua fazendo o trabalho que deveria ser dividido com seus representantes.
A luta começou em abril de 2024, quando veio a público a intenção das empresas Ciclus, Terraplena e Revita Engenharia de instalar um aterro sanitário entre Acará e Bujaru - empreendimento que serviria principalmente como depósito do lixo gerado na Grande Belém.
A Secretaria de Meio Ambiente do Estado disse “não” ainda naquele ano: devolveu o EIA-Rima com 12 itens essenciais não atendidos. O processo, que deveria ter morrido ali, ganhou fôlego quando o desembargador Luiz Gonzaga da Costa Neto, em outubro deste ano, determinou que o licenciamento deveria ser retomado. A decisão reiniciou o conflito e acendeu o alerta vermelho em dezenas de comunidades quilombolas e ribeirinhas.
Hoje, o projeto não tem licença ambiental, mas tem autorização judicial para seguir tramitando - uma contradição que os moradores não conseguem engolir.
Nas últimas semanas, os protestos ganharam volume. Na quinta-feira, 4, moradores de Acará e Bujaru voltaram à Câmara Municipal exigindo debate - e foram barrados por vereadores e seguranças. Sem alternativa, ocuparam a rua pedindo o óbvio: que seu território não vire depósito de lixo alheio.
Desde junho, o movimento cresceu. Houve bloqueio na Alça Viária, ocupação de via na Almirante Barroso, pressão na Casa Civil, e até manifestação dentro da COP30, quando integrantes do movimento “Fora Lixão Acará e Bujaru” marcharam junto à mobilização indígena e conseguiram acessar áreas restritas da conferência. A pauta é a mesma: querem ser ouvidos, querem respeito e querem o lixão longe das nascentes que sustentam a vida da região.
Entre tantos atores no tabuleiro, o nome mais citado pelos moradores é sempre o mesmo: Beto e Dilvanda Faro. Ambos “filhos da terra”, ambos eleitos com votos da região - e ambos em silêncio absoluto sobre o maior conflito socioambiental recente da área onde construíram suas bases eleitorais. Não houve reunião, live, nota, presença física ou gesto público de mediação.
Para quem vive da política, o silêncio também é estratégia. Para quem vive da terra, água e agricultura, é abandono.
As comunidades lembram diariamente os impactos já mapeados: derrubada de mais de 140 hectares de floresta em pé; presença de inúmeros igarapés, nascentes e cabeceiras que abastecem centenas de famílias; risco ao aquífero subterrâneo da região; ameaça direta a territórios quilombolas e ribeirinhos; desvalorização de propriedades rurais e atividades turísticas; e impactos à saúde, ao modo de vida e ao ambiente. Tudo isso sem audiência pública válida, sem licenciamento aprovado e com sucessivos alertas técnicos do Meio Ambiente. Não é pouca coisa. É, como dizem os moradores, um crime ambiental anunciado.
“Somos agricultores, somos nossos próprios patrões. Nós cuidamos do nosso lixo. É injusto receber lixo que não é nosso”, repete Iza Marques, liderança do movimento. Eles exigem que Secretaria de Meio Ambiente do Estado, Ministério Público, prefeituras e órgãos competentes interrompam imediatamente o processo até que haja consulta pública de verdade - não apenas carimbos e despachos judiciais que ignoram a vida real de quem mora no território.
A resposta política, porém, segue aquém do mínimo esperado, mas permanece a pergunta em cada protesto, faixa e entrevista: onde andam os representantes do povo do Acará que fala, fala e ninguém escuta? Ou por que os donos do mandato não estão do lado dos donos da terra?

•A equipe do jornalista Mauro Neto (foto) - Vinícius Lima, Camila Alves e Fernanda Palheta - vai assumir o gerenciamento de carreira da jornalista esportiva Melbya Rolim, atualmente na ESPN.
•Com mais de três décadas de atuação no jornalismo e na comunicação pública, Mauro foi editor executivo do Portal DOL, além de ter comandado o conteúdo jornalístico das duas campanhas de Helder Barbalho ao governo.
•A atual secretário-executivo de Imprensa da Prefeitura de Belém, Mauro Neto entra Mauro em uma nova fase profissional, agora voltada à gestão estratégica de imagem, posicionamento e expansão de carreira de comunicadores.
•Melbya Rolim ganhou notoriedade pela cobertura de competições nacionais. A parceria com Mauro promete fortalecer ainda mais sua presença no mercado e abrir novas frentes profissionais.
• Melbya, que é da cidade de Moju, será agraciada em janeiro pela Câmara Municipal com o título de Cidadã de Belém.
•O ministro Gilmar Mendes decidiu, em liminar, restringir quem pode pedir impeachment de ministros do STF, e elevou para dois terços o quórum de abertura de processos no Senado.
•A decisão também proibiu o uso do mérito de decisões judiciais como justificativa para denúncia, afastando o chamado "crime de hermenêutica".
•Com a decisão, nenhum parlamentar ou cidadão poderá pedir o impeachment de ministro do Supremo; só a PGR.
•O poder emana da Suprema Corte - o resto é conversa fiada. Ou alguém duvida?
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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