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ADIDO POR PEIXADA?

Polícia Militar manda recém-formado para gabinete do MP cinco dias depois do curso

Portaria da corporação coloca soldado no Ministério Público; colegas questionam tratamento diferenciado e pedem apuração.

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  • Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 30/09/26 17:00
Polícia Militar manda recém-formado para gabinete do MP cinco dias depois do curso
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ma movimentação administrativa da Polícia Militar do Pará, registrada apenas cinco dias depois da formatura de uma nova turma de soldados, provocou reclamações entre colegas de curso e levantou questionamentos sobre os critérios utilizados pela corporação para a distribuição dos recém-formados.

 

Denúncia que circula na rede social atribuída a recém-formados tem amparo em publicação interna da PM/Fotos: Divulgação-Ilustração.

A Portaria nº 525/2026, publicada no Boletim Interno da PM em 23 de setembro, determina a transferência do soldado Ivanilson Raiol Filho para o Ministério Público do Pará (MP), segundo documento encaminhado à coluna.

A transferência chama atenção porque, de acordo com relatos encaminhados por integrantes da turma, o policial teria sido direcionado ao MP antes de exercer atividade operacional em uma unidade da PM. Os colegas sustentam que a situação seria excepcional diante do destino dado à maioria dos recém-formados, que deverá atuar no policiamento ostensivo. 

O ponto mais sensível da denúncia está no parentesco alegado pelos próprios colegas. Segundo o relato recebido pela coluna, Ivanilson Paulo Corrêa Raiol Filho seria filho do promotor de Justiça Ivanilson Paulo Corrêa Raiol, que atua na área militar do MP. O promotor aparece em registros oficiais do Ministério Público como integrante da terceira entrância e titular de promotoria de Justiça Militar. Em junho deste ano, assinou procedimento investigatório criminal relacionado à morte de um bombeiro militar durante treinamento em Outeiro.

É justamente essa coincidência que levou os colegas de turma a questionar se houve tratamento diferenciado na destinação do policial.

Eis a denúncia

Em manifestação encaminhada à coluna, integrantes da turma afirmam que o soldado teria comentado durante o curso que não trabalharia nas ruas depois da formatura e que seria destinado a uma estrutura do Judiciário ou do Ministério Público por influência do pai. Essa afirmação, entretanto, não foi acompanhada, até o momento, de documento ou gravação que permita à coluna tratá-la como fato.

Os denunciantes também sustentam que o soldado não teria passado por batalhão nem cumprido plantão operacional antes de ser encaminhado ao MP.

Nota do redator

Fique claro desde já: a coluna não trata a alegação de privilégio como fato comprovado e busca esclarecimentos da Polícia Militar e do Ministério Público sobre os critérios que fundamentaram a movimentação. Qual foi o critério da possível cessão?

A questão central não é apenas a existência da transferência, que está documentada na Portaria nº 525/2026. O que precisa ser esclarecido é o critério. Quantos soldados recém-formados foram destinados diretamente a órgãos externos à Polícia Militar? Houve solicitação do Ministério Público? Qual setor recebeu o policial? Qual é a função que ele exerce? A movimentação ocorreu por necessidade do serviço, por especialização, por cessão ou por outro fundamento administrativo? E, sobretudo: o eventual parentesco com um membro do Ministério Público foi considerado na decisão?

 Veja a publicação na rede social

Sob o título “Colegas de turma se revoltam e denunciam privilégio na PM: 1 em 1.000!”, eis a publicação que circula na rede social atribuída aos recém-formandos da PM.

Nós, soldados recém-formados da Polícia Militar do Pará, decidimos quebrar o silêncio e procurar os canais de denúncia para expor uma grave injustiça que está ocorrendo debaixo dos nossos olhos e que revolta toda a nossa turma. 

Enquanto mais de 1.000 novos praças se preparam para enfrentar a realidade dura das ruas, arriscando a vida no policiamento ostensivo, o soldado Ivanilson Paulo Corrêa Raiol Filho teve sua transferência publicada no último dia 23/09/2026 (Portaria Nº 525/2026), apenas cinco dias após a nossa formatura. O destino? O Ministério Público do Estado (MP), direto para "debaixo das asas" do próprio pai, o promotor de Justiça Militar Ivanilson Paulo Corrêa Raiol.

Quem conviveu com ele no Curso de Formação sabe que isso não é surpresa. Nós ouvimos o ex-aluno se gabar várias vezes em sala de aula de que "não trabalharia nenhum dia na rua", porque o pai utilizaria o cargo e a influência com os seus "peixes" para blindá-lo no TJ ou no MP assim que se formasse. A promessa de bastidores se cumpriu. Ele sequer pisou em um batalhão ou puxou um único plantão operacional na rua. Foi direto para o serviço administrativo no órgão do pai.

Estamos indignados! Isso é um tapa na cara de cada pai e mãe de família de nós, formandos, que ralamos duro para conquistar a farda e defender a sociedade. Onde ficam os princípios da moralidade e da impessoalidade? Por que apenas o filho do promotor tem esse privilégio entre mil alunos? Exigimos que o controle interno do Ministério Público fiscalize esse claro desvio de finalidade e nepotismo. A tropa e a sociedade exigem respostas e respeito!

Papo Reto

•O que se diz é que uma socialite oposicionista de Belém garantiu aporte de R$ 35 milhões na campanha de um candidato majoritário mediante a apresentação da fatura: uma secretaria de Estado de porteira fechada.

•O eleitor poderá baixar e fazer o primeiro acesso ao e-Título no próprio dia da votação, segundo o TSE. Vale para 4 e 25 de outubro. Mas a Justiça Eleitoral recomenda antecipação. Internet no dia da eleição é aquele tipo de aposta que ninguém precisa fazer.

•Anote: segundo o Congresso em Foco, o Brasil "perdeu" quase 500 mil eleitores de 16 e 17 anos desde 2022. O contingente caiu 22,8%, quatro vezes mais que a redução da população nessa faixa etária. 

•Há menos adolescentes no Brasil, segundo o IBGE, mas eles devem ter diminuído, de 2022 para cá, algo em torno de 5%. O que aconteceu é que estes novos adolescentes não se interessaram em tirar o título de eleitor. Se em 2022 havia 34 eleitores para cada 100 jovens, hoje eles são 28 para 100. 

•A abstenção cresceu nas últimas quatro eleições gerais. A ausência é maior entre homens e eleitores menos escolarizados. Numa disputa apertada como a deste ano, quem não aparece também entra na conta. 

•TSE cobrou dos TREs informações sobre as medidas adotadas para garantir transporte público gratuito aos eleitores nos dois turnos. Ir às urnas também poderá servir como prova de vida para o INSS. O comparecimento eleitoral ajudará a confirmar a situação de cerca de 40 milhões de beneficiários. 

•Só 10% dos candidatos à Câmara ficaram com 57,3% da verba pública distribuída até agora. São R$ 1,7 bilhão para 744 concorrentes. Mais da metade deles já ocupa uma cadeira. 

•A campanha de Lula acionou o TSE contra Nikolas Ferreira por posts que atribuíram conotação sexual à fala do presidente sobre mulheres "aprenderem a tomar toque" cedo. 

•Na declaração original, a bem da verdade, Lula comparava exames médicos feitos por homens e mulheres e criticava a resistência masculina ao exame de próstata.

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.